Moradias para 60+ atuam como ferramentas de saúde preventiva, diz executiva
Executivos discutem no Fórum e Festival Longevidade como moradias adaptadas podem melhorar a saúde e a qualidade de vida dos idosos no Brasil.
Por Fabiana Holtz
24/09/2026 | 17h42Felipe Cavalheiro / VIVA
A previsão da ONU indica que até 2030 a população mundial com 60 anos ou mais deve ultrapassar 1,4 bilhão, o que tem despertado o interesse do mercado imobiliário em atender às necessidades desse grupo. O 8º Fórum & Festival Longevidade em São Paulo discutiu como moradias adaptadas podem funcionar como ferramentas de saúde preventiva e impactar os custos da saúde pública.
Daline Hällbom, CEO da Söderhem, destacou que a arquitetura de moradias voltadas para idosos pode promover a conexão social e a autonomia, citando que 74% dos municípios suecos já possuem tais empreendimentos. A empresa planeja lançar seu primeiro projeto em Florianópolis em 2027, focando na longevidade ativa e na participação social.
Executivos como Joseph Nigri, da Naara Longevity Residences, ressaltam o potencial de São Paulo para desenvolver projetos inovadores que atendam a um público idoso cada vez mais ativo e exigente.
São Paulo - A perspectiva de que até 2030 a população mundial 60+ terá ultrapassado 1,4 bilhão, de acordo com projeções da ONU, tem atraído as atenções do mercado imobiliário, que começa a despertar para as reais demandas desse público. A questão foi tema de debate no 8º Fórum & Festival Longevidade, realizado nesta tarde em São Paulo.
Daline Hällbom, CEO da Söderhem, empresa brasileiro-sueca focada em senior living, considera que desenvolver moradias integrando os conceitos da longevidade funciona como uma ferramenta de saúde preventiva.
Leia também
Nas palavras da executiva, essa estratégia tem impacto até nos custos da saúde pública do País, que poderiam diminuir. Segundo Hällbom, a longevidade não muda apenas a maneira como cuidamos da saúde. Ela nos leva a repensar nossas moradias, bairros e as cidades em que queremos viver.
Uma casa pode ser pensada para oferecer segurança e, ao mesmo tempo, preservar autonomia, estimular encontros e permitir que as pessoas continuem vivendo uma vida com significado
Daline Hällbom, CEO da Söderhem
A executiva pondera também que hoje vivemos uma pandemia da solidão. "Na Suécia, o governo muitas vezes subsidia o terreno para a construção de moradias voltadas para os mais velhos para promover essa integração social. O poder público tem a real dimensão da economia que isso pode representar até para o sistema de saúde", afirma a executiva, que participou nesta tarde do painel “Wellness, Real Estate e Economia Prateada”, parte da programação do Fórum.
Conexão e autonomia
Segundo Hällbom, 74% dos municípios da Suécia já tem moradias voltadas para o público 55+. Nesse tipo de empreendimento, conta a executiva, a própria arquitetura faz com que as pessoas se conectem.
Em 2027, a Söderhem se prepara para lançar seu primeiro projeto em Florianópolis. A parceria com a Domini Incorporadora pretende colocar em prática os princípios de longevidade ativa - com destaque para a manutenção da autonomia, saúde física e mental, além da participação social.
Acesso ainda é para poucos
É inegável que o mercado imobiliário brasileiro aos poucos tem se adaptado as demanas por moradia do público 60+. A população de baixa renda, entretanto, ainda segue bem distante desse mercado.
Em especial, no segmento de senior living, voltado para uma parcela da população com renda mais elevada, o maior avanço tem se observado na Região Sul do Brasil.
Por fatores como envelhecimento, maior renda e escolaridade, Porto Alegre lidera em empreendimentos com esse perfil.
Potencial paulista
Também presente ao painel, Joseph Nigri, da Naara Longevity Residences, considera que São Paulo, a quinta maior cidade do mundo, tem potencial para oferecer esse tipo de moradia, com projetos distantes do antigo conceito de casa de repouso.
"Por isso tomei a decisão ousada de sair da empresa da família e abrir a Naara, uma incorporadora imobiliária com foco em moradias de alto padrão para o público longevo", afirma o executivo, que conta ter como inspiração o avô.
Sabemos que o idoso de hoje é diferente do idoso de 20 anos atrás e o idoso daqui 20 anos será diferente do idoso de hoje. Precisamos nos adaptar as demandas.
Joseph Nigri, da Naara Longevity Residences
O executivo, que é filho de Meyer Joseph Nigri, fundador da Tecnisa, reconhece que embora a população esteja envelhecendo (em ritmo muito maior que o de nascimentos), o mercado imobiliário brasileiro trabalha com foco nos jovens. Infelizmente, afirma ele, esse público ainda é negligenciando.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
Agora

