CONFIRA

Novo Nordisk oferece desconto de 59% para levar semaglutida ao SUS

Empresa destaca que a nova submissão considera o uso da substância por uma população crítica, com benefícios urgentes para a saúde pública

Bianca Bibiano Broadcast

Por Bianca Bibiano e Broadcast

28/09/2026 | 17h03

Reprodução / Novo Nordisk

Segundo a empresa, sua semaglutida é a única indicada para obesidade maior e risco cardiovascular - Reprodução / Novo Nordisk
Segundo a empresa, sua semaglutida é a única indicada para obesidade maior e risco cardiovascular
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A Novo Nordisk apresentou um desconto de 59% no preço da semaglutida em sua terceira proposta à Conitec, com o objetivo de incluir o medicamento para tratamento da obesidade no SUS, após uma rejeição anterior.

A nova proposta foca em pacientes com obesidade e alto risco cardiovascular, considerando a urgência de tratamento e o impacto financeiro no sistema de saúde pública.

Se aprovada, a Conitec permitirá que o Ministério da Saúde inicie a definição de protocolos clínicos e a aquisição do medicamento, embora a implementação possa levar até 180 dias e dependa de negociações futuras.

Resumo gerado por IA

São Paulo e Milão, 28/09/2026 - A Novo Nordisk propôs um desconto de 59% sobre o preço de referência da semaglutida em sua terceira submissão à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), com o objetivo de viabilizar a incorporação do medicamento para o tratamento da obesidade no Sostema Único de Saúde (SUS).

Segundo o vice-presidente de Assuntos Corporativos, Sustentabilidade e Acesso da companhia, Leonardo Bia, a proposta foi apresentada em maio e aguarda ser pautada pela Conitec.

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O executivo afirmou que a nova submissão considera uma população mais crítica, conforme sinalizado pelo Ministério da Saúde após a análise anterior. O dossiê contempla pacientes com obesidade e maior risco cardiovascular, incluindo pessoas que já tiveram eventos como acidente vascular cerebral (AVC) ou infarto.

Redução de eventos cardiovasculares

Segundo Bia, a escolha desse grupo está relacionada às evidências de redução de eventos cardiovasculares associadas ao tratamento e ao impacto dessas complicações sobre os custos do sistema público de saúde. "Nesse último dossiê, a gente fez (a proposta) para uma população mais crítica, em que tem um benefício mais urgente”, disse.

A proposta atual é a terceira apresentada pela Novo Nordisk à Conitec. A submissão anterior, feita no ano passado, foi rejeitada. De acordo com Bia, os retornos recebidos ao longo das análises anteriores foram considerados na elaboração do novo dossiê.

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O executivo afirmou que o desconto de 59% representa uma proposta inicial, enquanto o preço final seria definido posteriormente em uma licitação do Ministério da Saúde. Segundo ele, nas condições apresentadas em maio, o valor poderia colocar o SUS entre os mercados com menor preço para a semaglutida biológica original, embora ressalte que os preços são dinâmicos e dependem das negociações de cada País.

Caso a Conitec aprove a recomendação, o Ministério da Saúde deverá iniciar os procedimentos para definir uma linha de cuidado ou protocolo clínico e realizar a aquisição do medicamento.

Concorrência e interesse do poder público

A Novo Nordisk afirma que participará da licitação e que a concorrência dependerá dos fabricantes que se apresentarem no processo. Atualmente, segundo Bia, a semaglutida da companhia é  a única com indicação aprovada para a obesidade mencionada na entrevista.

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Bia disse ainda que há sinais de interesse do poder público em avançar no tratamento da obesidade. Segundo ele, enquanto não há uma definição federal, estados e municípios têm criado protocolos e iniciativas próprias.  O executivo citou movimentos no Distrito Federal, em Goiás, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, além de Montes Claros (MG), e afirmou que a semaglutida já foi incorporada em alguns locais.

O executivo explicou que, após uma eventual aprovação da Conitec, a legislação prevê prazo de até 180 dias para que o Ministério da Saúde efetive a incorporação. Esse prazo, porém, não significa necessariamente que o medicamento estará disponível ao paciente nesse período.

Bia ressaltou que, historicamente, processos de outras áreas terapêuticas podem levar mais tempo e que a forma de aquisição e distribuição entre União, estados e municípios ainda precisaria ser definida.

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A Novo Nordisk afirma que a proposta para o SUS faz parte de uma estratégia de ampliação do acesso ao tratamento da obesidade que começou antes do término da patente da semaglutida. A companhia também havia apresentado anteriormente uma submissão envolvendo a liraglutida.

Bia ressaltou que há diferença entre medicamentos com indicação para diabetes e aqueles aprovados para obesidade, diante da utilização do termo "canetas emagrecedoras" para produtos com indicações distintas.

(Willian Miron, da Broadcast)
A repórter Bianca Biabiano viajou para a Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD 2026), em Milão, a convite da Novo Nordisk

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