Diabetes tipo 2: um em cada três morre ou tem doença grave no médio prazo
Pesquisa com 1,6 milhão de participantes com idade média de 59 anos aponta urgência de diagnóstico precoce para conter complicações fatais da doença
Por Bianca Bibiano
26/09/2026 | 19h02Envato
Até 33% dos pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2 desenvolvem complicações graves nos primeiros cinco anos, com esse número aumentando para 55% em dez anos, conforme um estudo com mais de 1,6 milhão de pessoas nos EUA, que será apresentado na Reunião Anual da EASD em Milão.
A análise revelou que a Doença Renal Crônica é a complicação mais comum nos primeiros cinco anos, afetando 19% dos pacientes, enquanto 72% dos participantes já apresentavam dislipidemia e 68% hipertensão no momento do diagnóstico.
Os pesquisadores enfatizam a importância de abordagens proativas no manejo do diabetes tipo 2 e alertam para a necessidade de rastreio e tratamento intensivo desde o diagnóstico, dado o impacto crescente da doença na saúde pública global.
São Paulo - Até 33% dos pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2 (DM2) desenvolvem complicações graves no coração ou nos rins ou chegam a óbito nos primeiros cinco anos após o diagnóstico. Em um período de dez anos, esse número salta para 55%.
Os dados vêm de um amplo estudo realizado com mais de 1,6 milhão de pessoas a partir de bases de pacientes nos Estados Unidos, que será apresentado oficialmente na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026), que começa segunda-feira, 28, em Milão, na Itália, e terá cobertura do VIVA.
Os pesquisadores dizem que suas descobertas sublinham a importância crítica de abordagens precoces, proativas e mais holísticas no manejo do diabetes tipo 2 para ajudar a reduzir o risco de complicações graves.
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Diabetes tipo 2 leva a doenças graves
A análise utilizou dados de vida real de estudos observacionais, acompanhando 1.617.508 indivíduos diagnosticados com DM2 entre janeiro de 2010 e março de 2024. A idade média dos participantes era de 59 anos, sendo 51% do sexo feminino.
O estudo revelou que as complicações afetam o organismo em ritmos e ordens diferentes:
- Doença Renal Crônica (DRC) em primeiro lugar: Nos primeiros cinco anos após o diagnóstico de DM2, o risco de desenvolver essa doença primeiro foi mais do que o dobro do risco de ter insuficiência cardíaca primeiro (19% contra 8,3%).
- Efeito dominó entre os órgãos: Entre os pacientes que desenvolveram insuficiência cardíaca primeiro, 42% apresentaram doença renal crônica nos cinco anos seguintes. Já entre os que tiveram doença renal primeiro, 23% desenvolveram insuficiência cardíaca no mesmo período.
"Nossos achados mostram claramente como as complicações graves sobem acentuadamente com o tempo, à medida que a combinação comum de obesidade, colesterol alterado, pressão alta e glicose elevada danifica os vasos sanguíneos e órgãos vitais", destacou em nota o professor Naveed Sattar, da Universidade de Glasgow (Escócia), um dos líderes da pesquisa.
Diabetes tipo 2 no Brasil
Em linhas gerais, o diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 90% dos pacientes diabéticos no Brasil têm esse tipo. A causa está relacionada geralmente a:
- Sobrepeso
- Sedentarismo
- Triglicerídeos elevados
- Hipertensão
- Hábitos alimentares inadequados
Fatores de risco associados e impacto global
A maioria dos participantes avaliados na pesquisa internacional já apresentava outras condições de saúde no momento do diagnóstico. Quase três quartos (72%) viviam com dislipidemia (níveis elevados de colesterol e outras gorduras no sangue) e mais de dois terços (68%) tinham pressão alta. Entre os pacientes que tiveram o índice de massa corporal registrado, a mediana do IMC foi de 30,9, sinalizando quadro de obesidade.
Estimativas citadas por pesquisas anteriores indicam que o diabetes tipo 2 afetará cerca de 1,3 bilhão de pessoas até 2050, consolidando-se como uma das maiores epidemias globais de saúde. Além do impacto direto na qualidade de vida dos pacientes, a alta morbidade gera forte estresse econômico sobre os sistemas públicos de saúde, especialmente em países de baixa e média renda.
Os autores ressaltam que, por se tratar de um estudo observacional de dados de vida real, o trabalho não estabelece relação direta de causa e efeito e possui limitações, como o potencial viés de seleção relacionado a fatores étnicos e raciais. Ainda assim, destacam que os resultados acendem um alerta sobre a necessidade de rastreio e tratamento intensivo desde a primeira oportunidade.
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