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Sobre a coluna

Médico PhD e geriatra é fundador do Instituto Moriguchi, em Veranópolis (RS), a 'blue zone' brasileira. É professor de medicina na UFRGS e professor-visitante em Chiba e Keio (Japão).


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Nunca é tarde para poder envelhecer melhor - e juntos

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Para o Brasil envelhecer com mais qualidade de vida é preciso pensar em conjunto - Envato
Para o Brasil envelhecer com mais qualidade de vida é preciso pensar em conjunto

Veranópolis (RS)  -"Doutor, estou preocupado porque andam dizendo por aí que o Brasil não se preparou para o envelhecimento e teremos problemas..."

Essa é uma afirmação que tem sido frequente ultimamente, pois alguns líderes de opinião publicaram ou postaram uma preocupação muito grande em relação ao envelhecimento no Brasil e o pouco que tem sido feito em termos de saúde pública e de educação da população em geral sobre o tema.

Apesar de concordar com várias colocações dos grandes líderes de opinião, acho importante que não se crie um clima de pânico ou de medo nos leitores com essas informações. O fato de ser verdadeiro e de estarmos vivendo essa realidade não significa, necessariamente, que todos nós vamos ter o problema.

Faço um paralelo entre os desastres naturais que estamos vivendo nos últimos tempos, que se tornam manchetes e impactam as pessoas, mas não podemos esquecer que um número maior de pessoas, neste mesmo planeta, está bem e até tentando ajudar àqueles que estão sofrendo dessas intempéries na vida.

Muitos desses problemas - tanto naturais como o que pode surgir com o envelhecimento na sociedade - são consequência de muito tempo de desconhecimento do que poderia ser mal a longo prazo."

O que podemos fazer então?

Bem, em termos de envelhecimento, já temos muita informação do que pode nos ajudar a envelhecer melhor, independentemente do lugar em que nascemos ou vivemos. Uma verdade muito importante: nunca é tarde demais para podermos envelhecer melhor!

É claro que se começarmos mais cedo, numa sociedade em que está mais preparada para o envelhecimento, as coisas podem evoluir mais facilmente para um envelhecimento com mais qualidade de vida.

Mas, nunca é tarde demais: podemos começar ou mudar a qualquer momento para uma guinada para um envelhecer com mais qualidade de vida e dignidade."

Dentro deste contexto, é importante lembrar que tanto a longevidade como a felicidade são construtos coletivos e não individuais: ninguém se torna longevo feliz sozinho: sempre será em grupo!

Ou seja, vamos começar as mudanças ao nosso redor, nas nossas famílias, no nosso círculo de amigos ou de trabalho ou nas comunidades ou associações de bairro ou de crenças religiosas.

Como dar início à mudança

Vamos pensar sobre como podemos fazer para:

  1. Termos hábitos de vida mais saudáveis: tanto em termos de cultura alimentar como de atividade física, dentro da realidade de cada local e das pessoas que estão juntas. Nisso seria muito importante termos pessoas competentes e capacitadas com o que temos de melhores evidências para poderem ajudar na orientação desses hábitos saudáveis.
  2. Criarmos uma melhor rede social de relacionamentos mais próximos de cuidar um do outro e de apoio mútuo, começando dentro da família e estendendo-se para grupo de amigos, de trabalho, de bairro ou da igreja.
  3. Criar mais oportunidades de atividades comunitárias a onde as pessoas sejam levadas a poderem expressar as suas habilidades e capacidades e se sentirem úteis, desde as habilidades domésticas até as profissionais.
  4. Criar núcleos de pessoas mais influentes nesses grupos para poderem levar as necessidades das comunidades para os gestores públicos.

Se conseguirmos trabalhar juntos nesses projetos e com o espírito de que seremos longevos felizes - somente se pudermos criar essa realidade para as pessoas que convivem com cada um de nós no cotidiano-, daí estaremos cumprindo o nosso papel de construir uma sociedade em que as pessoas possam envelhecer com mais qualidade de vida e serem felizes no final da sua caminhada.

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