Como cuidar do cérebro para um envelhecimento mais saudável? Veja dicas
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São Paulo - Celebrado nesta quarta-feira, 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro chama a atenção para as doenças neurológicas. A data é usada por especialistas para reforçar que a prevenção segue como a principal estratégia para preservar a memória, as funções cognitivas e a qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
Manter o cérebro saudável depende de hábitos diários, como dormir bem, praticar atividade física e adotar uma alimentação equilibrada. Também é importante controlar condições como hipertensão e diabetes, além de cultivar a convivência social. Essas medidas ajudam a reduzir o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC), demência e outros problemas neurológicos.
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Instituído em 2014 pela Federação Mundial de Neurologia, o Dia Mundial do Cérebro também marca o aniversário da entidade, fundada em 22 de julho de 1957.
Quais hábitos protegem a saúde do cérebro?
Segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o envelhecimento faz parte do processo natural da vida, mas a perda das funções cognitivas não é uma consequência inevitável da idade.
De acordo com o neurologista Dr. Marcos Lange, integrante da Comissão de Estilo de Vida da ABN, a combinação de diferentes hábitos saudáveis oferece maior proteção ao cérebro. Entre as principais recomendações estão:
- Praticar atividade física regularmente;
- Dormir a quantidade adequada de horas;
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Controlar pressão arterial, colesterol e glicemia;
- Estimular o cérebro com leitura, estudos, jogos e novos aprendizados;
- Manter relações sociais e evitar o isolamento;
- Não fumar e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
Quais hábitos que podem prejudicar o cérebro?
Especialistas alertam que alguns comportamentos aumentam silenciosamente o risco de doenças neurológicas. Esses são os principais fatores:
- Sedentarismo;
- Privação de sono;
- Alimentação rica em produtos ultraprocessados;
- Tabagismo;
- Consumo excessivo de álcool;
- Hipertensão arterial sem tratamento;
- Diabetes descontrolado;
- Colesterol elevado;
- Apneia do sono;
- Excesso de tempo em frente às telas;
- Isolamento social.
Segundo Lange, os resultados positivos começam a surgir rapidamente após a adoção de hábitos mais saudáveis. Entre os benefícios imediatos estão mais disposição, melhor qualidade do sono, maior concentração, clareza mental, melhora do humor e aumento da sensação de bem-estar.
A longo prazo, os benefícios incluem menor risco de AVC, demência, depressão, fragilidade, perda funcional e declínio cognitivo", destaca.
As sequelas do AVC
O Acidente Vascular Cerebral ainda é uma das doenças neurológicas que mais preocupam especialistas por seu impacto na mortalidade e nas sequelas permanentes. Dados da Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional) mostram que, entre 1º de janeiro e 31 de março de 2026, o Brasil registrou 20.461 mortes por AVC.
O neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, explica que pessoas a partir dos 40 anos que apresentam fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, tabagismo, sedentarismo ou histórico familiar devem conversar com um médico sobre a necessidade de avaliação da saúde cerebral.
Em muitos casos, quando há indicação clínica, exames complementares permitem identificar alterações antes do aparecimento de sintomas mais graves", afirma.
Embora seja mais frequente em idosos, o AVC também afeta adultos jovens. De acordo com dados da Rede Brasil AVC, cerca de 53% dos casos acontecem em pessoas com menos de 70 anos, e a incidência tem aumentado entre indivíduos com menos de 45 anos.
Os especialistas atribuem esse crescimento ao aumento do sedentarismo, da obesidade, do tabagismo, da hipertensão sem controle, do diabetes e da exposição à poluição. Outro desafio é que, em pacientes jovens, os sintomas podem ser confundidos com outros problemas de saúde, atrasando o diagnóstico. No caso do AVC, iniciar o tratamento rapidamente é fundamental para reduzir sequelas.
Além do AVC, outra condição que exige atenção é a Malformação Arteriovenosa (MAV) cerebral, uma alteração congênita caracterizada por conexões anormais entre artérias e veias. A doença costuma ser identificada entre os 20 e os 40 anos, embora muitas pessoas permaneçam sem diagnóstico durante décadas.
"Alguns pacientes apresentam sangramento ou crises convulsivas. Outros dores de cabeça persistentes, alterações cognitivas e, em determinadas situações, queixas relacionadas à memória. Uma avaliação especializada é fundamental para compreender o que está acontecendo em cada caso", explica Maia.
Estima-se que até 15% dos pacientes não apresentem qualquer sintoma, fazendo com que a malformação seja descoberta apenas durante exames realizados por outros motivos.
O médico orienta que a definição dos exames necessários depende da avaliação médica individual. Quando há suspeita clínica, a investigação permite identificar alterações na circulação cerebral e definir a melhor estratégia de acompanhamento ou tratamento.
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