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'O afeto é o cuidado da alma', diz Beth Goulart em fórum sobre Alzheimer

Evento faz parte do Setembro Lilás, focando na conscientização sobre Alzheimer e saúde cerebral

Emanuele Almeida

Por Emanuele Almeida

20/09/2026 | 11h32

Reprodução YouTube/Supera

Beth Goulart também realizou uma apresentação literária recitando versos da poetisa Cora Coralina - Reprodução YouTube/Supera
Beth Goulart também realizou uma apresentação literária recitando versos da poetisa Cora Coralina
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O evento 'Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro' destacou a importância de discutir as doenças neurodegenerativas e promover a saúde cerebral, com a participação de especialistas e a atriz Beth Goulart, que compartilhou experiências pessoais sobre o impacto do Alzheimer em sua família.

A médica geriatra Celene Pinheiro enfatizou a necessidade de uma comunicação diagnóstica ética e a importância de tratar os pacientes com dignidade, ressaltando que o diagnóstico não apaga a identidade da pessoa afetada.

Promovido pela Supera e pela Associação Brasileira de Gerontologia, o evento fez parte do Setembro Lilás e incluiu painéis sobre avanços no diagnóstico e políticas públicas, visando conscientizar sobre a demência e melhorar a qualidade de vida dos afetados e seus cuidadores.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A 8ª edição do evento "Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro", reuniu especialistas, cuidadores e público em geral para debater o impacto das doenças neurodegenerativas e a urgência de promover a saúde cerebral. O encerramento ficou por conta de uma mesa de discussão com a atriz, diretora e escritora Beth Goulart. 

A também embaixadora do Supera, trouxe a dimensão do acolhimento humano e familiar ao painel. Relembrando a vivência ao lado de sua avó — acometida por um quadro demencial —, de seu avô e de seu tio, ambos com Alzheimer, a atriz ressaltou a importância da qualidade dos afetos nas relações humanas.

"É fundamental o amor. O afeto talvez seja o cuidado da alma que ajuda o corpo a compreender a vida".
Beth Goulart

Beth Goulart também realizou uma apresentação literária recitando versos da poetisa Cora Coralina. A leitura trouxe uma mensagem sobre recomeço, otimismo, aprendizado e celebração do cotidiano, reforçando que o afeto e a informação são as ferramentas mais potentes para transformar a vida após o diagnóstico.

Ao recitar os versos: "Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou... Faz da tua casa uma festa, um templo, uma escola, uma loja, um restaurante... faz da tua casa um local criativo de amor"), Beth convidou o público a encarar a vida como a "nossa casa maior", transformando o cotidiano em um espaço de recomeço, otimismo e aprendizado constante.

O painel de encerramento também contou com a participação da médica geriatra Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) e vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz). Em sua intervenção, a médica ressaltou que o estigma social ainda constitui uma das maiores barreiras enfrentadas por pessoas diagnosticadas e por suas famílias.

Celene defendeu a urgência de uma comunicação diagnóstica ética, clara e transparente — condenando o uso de mentiras ou eufemismos — e enfatizou a importância de colocar a pessoa diagnosticada no centro das decisões.

"O diagnóstico ele muda a rota, mas ele não apaga a pessoa. Essa condição ela pode mudar memória, orientação, comunicação, planejamento, ritmo de atividade, necessidade de apoio, mas ela continua sendo uma pessoa com uma história, ela tem um nome, ela é alguém que tem preferências", destacou a médica

A doença na prática

A discussão foi enriquecida pelo depoimento do médico oftalmologista Fausto Pinheiro, de 82 anos, aluno do Supera e diagnosticado com a doença de Alzheimer em 2019. Pinheiro relatou que decidiu encerrar sua prática médica imediatamente ao perceber uma pequena falha em uma prescrição, optando por encarar a condição com transparência e consciência.

O médico compartilhou que mantém o cotidiano preenchido por leituras, caminhadas, academia, afazeres domésticos e aulas de estimulação cognitiva, resumindo sua determinação na frase: "a doença não me vence".

Sua esposa e companheira, Maria Sandra, abordou a perspectiva do cuidado familiar ao rejeitar a ideia de "luto antecipado". Ela incentivou os cuidadores a viverem um dia de cada vez com aceitação, reforçando que o carinho, o sorriso e o simples ato de dar as mãos são elementos essenciais para assegurar a dignidade e a qualidade de vida.

Sobre o evento

O evento foi promovido pela empresa de estimulação cognitiva Supera em parceria com a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG), reuniu público e especialistas no Edifício Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

O encontro gratuito fez parte do Setembro Lilás, movimento mundial voltado à conscientização e prevenção da doença de Alzheimer e de outras enfermidades neurodegenerativas. O ponto central do encerramento das discussões foi o painel focado em ressignificar a vida após o diagnóstico de uma demência.

Além do painel focado no pós-diagnóstico, a programação da 8ª edição do fórum reuniu especialistas ao longo do dia para abordar a saúde cerebral em diversas frentes.

Os painéis anteriores contemplaram os avanços no diagnóstico com o neurologista Marcelo Houat, os fatores de risco e estilo de vida com a geriatra Sumika Mori Lin, e os conceitos de longevidade e flexibilidade cognitiva apresentados pela neuropsicóloga Sharon Simon, da Universidade Rutgers.

A área de políticas públicas contou com palestras do gerontólogo Henrique Salmazo, do geriatra Leandro Minozzo sobre a Política Nacional de Demências, da psicóloga Danielle Freire abordando o centro-dia público de Volta Redonda (RJ), e da advogada Alexsandra Manoel Garcia tratando dos direitos do idoso. 

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