Organizações voltadas à longevidade nascem com foco em prevenção e ciência
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São Paulo - O avanço do envelhecimento populacional está levando o tema da longevidade a ser mais discutido e estudado. E a preocupação com a conquista de um envelhecimento saudável e com autonomia está impulsionando o surgimento novos centros de conhecimento, debate e serviços voltados às pessoas mais velhas. Embalados por esse impulso, entraram em atividade a Sociedade Brasileira de Medicina e Ciência da Longevidade (SBMCL) e a The Longevity Academy (TLA).
Fundada oficialmente no dia 8 de agosto, a SBMCL busca promover uma mudança de paradigma: migrar do modelo reativo da medicina, focado na intervenção sobre a doença, para um modelo preventivo e focado no investimento contínuo na saúde, preservando a capacidade funcional e a autonomia da população.
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Para atingir seu objetivo, uma das suas principais atividades será estimular e promover a educação continuada de profissionais de saúde — incluindo médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos — com base em evidências científicas rígidas, afastando-se de modismos e tendências.
Presidida pela a endocrinologista e nutróloga com atuação em medicina do estilo de vida Vânia Assaly, a iniciativa nasceu para preencher a lacuna entre o tempo de vida e o tempo vivido com saúde. "Na relação entre expectativa de vida e expectativa de saúde ainda há uma distância que, na área médica, não conseguimos alcançar. Não conseguimos aumentar o tempo de vida com capacidade funcional", enfatizou Assaly.
Sobre a postura da nova entidade em relação às promessas do mercado, a médica foi taxativa:
Não trabalhamos com antienvelhecimento, trabalhamos com extensão de tempo de vida em saúde".
A proposta da SBMCL envolve estruturar a prevenção desde os primeiros anos de vida, atuando em frentes educacionais e de políticas públicas. Os pilares centrais defendidos incluem nutrição adequada, exercício físico e movimento, melhoria na qualidade do sono e redução do estresse crônico e de hábitos nocivos, como tabagismo e etilismo.
Entre os planos da Sociedade estão a abertura para sócios, a formação médica continuada, a criação de parcerias com conselhos profissionais e universidades, além da realização do seu primeiro congresso oficial previsto para 2027, em parceria com redes internacionais.
Plataforma de conhecimento e mudança comportamental
Paralelamente, foi lançada em julho a The Longevity Academy (TLA), criada pelo executivo Miguel Caeiro. Trata-se de uma empresa pensada para atuar como uma
plataforma de conhecimento, educação e ponte entre a ciência da longevidade e a sociedade, com foco na mudança comportamental dos cidadãos.
A TLA tem parceria estratégica com o European Longevity Hub, sediado em Cascais (Portugal). Enquanto a iniciativa europeia dedica-se à infraestrutura e ao modelo público de saúde, a TLA foca no pilar comportamental.
Caeiro conta que a criação da empresa foi motivada por dados que apontam o
descompasso no envelhecimento populacional. "A criação do Academy nasce exatamente por uma paixão pelo tema da longevidade", destacou Caeiro, apontando a urgência de focar no healthspan (anos vividos com qualidade).
Ao avaliar o cenário nacional e global, o executivo alertou:
No caso do Brasil, de 1990 para cá, o brasileiro médio tinha 9 anos ruins e hoje tem 12 anos e meio ruins. Ou seja, a gente vai viver mais, mas vai viver pior".
A proposta da TLA fundamenta-se nos chamados eixos da saúde (Better Health Flywheel) — nutrição, sono, exercício físico, saúde mental e conexões sociais. Caeiro afirma que a genética determina apenas de 15% a 20% do futuro do indivíduo e que o restante depende das escolhas cotidianas.
Para disseminar essa abordagem de forma agnóstica e independente de
marcas, a TLA desenhou seis frentes de atuação e serviços: imersões de três a quatro dias para lideranças empresariais, eventos urbanos (como encontros e cafés da manhã corporativos), um summit anual focado na América Latina em São Paulo, um podcast quinzenal, uma academia online para o público geral e consultoria B2B voltada aos departamentos de RH para conversão de dados de saúde em diretrizes preventivas para os colaboradores.
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