Aliança entre Brasil e Paraguai prevê cooperação sobre longevidade
Divulgação/MasterCare
São Paulo - Um grupo de empresas, instituições e profissionais ligados à longevidade lançou nesta semana uma agenda de cooperação chamada Aliança Brasil-Paraguai pela Longevidade e o Cuidado, anunciada durante o 1º Congresso de Longevidade do Paraguai, em Assunção, que aconteceu nos dias 28 e 29 de agosto.
Liderada pelo ecossistema MasterCare | CONACARE | Hub Longevidade, no Brasil, em conjunto com o ecossistema Taita Adultos Mayores, no Paraguai, a iniciativa propõe expandir o intercâmbio de experiências, tecnologias, educação e investimentos no setor. O objetivo é acelerar respostas para a prevenção, cuidado, saúde, moradia e autonomia diante da urgência do envelhecimento populacional na América Latina.
Leia também
O cenário de rápido envelhecimento populacional esteve no centro dos debates do congresso em Assunção, que reuniu especialistas do Brasil, Argentina e Paraguai, além de organismos internacionais, governos, acadêmicos e empresários.
Dados da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) apresentados este ano indicam que até 2050 a população acima de 65 anos na região vai praticamente duplicar, passando de 68 milhões para 138 milhões. Além disso, população com 65 anos ou mais dobrará sua participação de 9,9% em 2024 para 18,9% em 2050, enquanto a idade mediana subirá de 18 anos em 1950 para 40 anos em 2050.
Cooperação regional para longevidade
Sobre a relevância da cooperação regional, Marcia Vieira, fundadora do ecossistema MasterCare | CONACARE | Hub Longevidade e articuladora do movimento, afirmou:
A mudança demográfica acelerada e os desdobramentos em todos os setores da sociedade não é um fenômeno de um país, é algo sem precedents na humanidade. Somos países diversos em dimensões e realidades, mas o envelhecimento nos coloca diante de desafios que atravessam fronteiras e nos aproximam.”
Em nota, Claudia Quevedo, presidente do Congresso de Longevidade do Paraguai, ressaltou que o evento, inspirado em uma iniciativa brasileira, busca colocar o envelhecimento na agenda pública do Paraguai.
“O desafio da longevidade não se mede apenas por quantas doenças crônicas conseguimos tratar, mas por quantos anos de autonomia conseguimos garantir. A prevenção e a longevidade ativa precisam ser prioridade e pauta na sociedade", pontuou.
A emergência dos cuidados de longa duração
Um dos temas abordados pela nova aliança foi o acesso a redes de cuidado e saúde para as pessoas idosas da região. Estimativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apresentadas no evento mostram que cerca de 8 milhões de pessoas idosas na América Latina e no Caribe possuem dependência de cuidados, número que pode atingir 23 milhões em 2050.
Para atender a essa demanda, o BID projeta a necessidade de aproximadamente 14 milhões de cuidadores profissionais de longa duração em 2050, além do crescimento de profissionais de reabilitação, que devem passar de 2 milhões em 2020 para mais de 6 milhões em 2050.
Durante palestra no evento em Assunção, Marcia Cristina Gomes da Rocha, representante do BID, defendeu o redesenho dos serviços de saúde com foco na pessoa, autonomia e funcionalidade, superando o modelo concentrado em episódios agudos.
No Paraguai, 13% da população tem 60 anos ou mais (784.803 pessoas), sendo 52,7% mulheres, 45,3% ativas na força de trabalho, 12,3% morando sozinhas e 61,4% sem seguro médico.
'Aging in place' em debate
Outro destaque do evento foi o debate sobre moradia, cuidado e economia da longevidade. Segundo Marcia Vieira, que apresentou dados do tema, cerca de 15,6 milhões de pessoas vivem sozinhas no Brasil e mais de 55% das mulheres em lares unipessoais têm acima de 60 anos.
Nesse cenário, ela destaca a importância do conceito de Aging in Place (envelhecer em casa e na comunidade) e declara que “a economia da longevidade é um poderoso motor de transformação econômica e social para a América Latina”.
“Se reunirmos esforços, conhecimento, inovação e financiamento, poderemos encurtar caminhos e ganhar o recurso que hoje mais nos falta: tempo. A urgência de responder à mudança demográfica já está instalada e exige uma ação conjunta da América Latina", completa.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.