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'Longevidade é complexa e plural', alerta especialista em consumo

Fabiana Holtz/Viva

Andrea Bisker: 'A vida ficou mais longa, mas a carreira não, infelizmente' - Fabiana Holtz/Viva
Andrea Bisker: 'A vida ficou mais longa, mas a carreira não, infelizmente'
Por Fabiana Holtz

13/08/2026 | 18h19

São Paulo - O assunto envelhecimento é super complexo e no mundo dos negócios e do trabalho é preciso ter claro que a velhice é plural. E mais, essa percepção deve guiar as tendências para a 'economia prateada' nos próximos anos, afirma a 'futuróloga' Andrea Bisker, fundadora e CEO da Spark:off, consultoria de inovação e tendências.

No painel 'A economia da longevidade já começou, e você está dentro dela', parte do MaturiFest, realizado hoje em São Paulo, a mestre em Ciências do Consumo fez uma reflexão sobre envelhecimento, consumo e futuro do mercado de trabalho no Brasil e no mundo. "A vida ficou mais longa, mas a carreira não, infelizmente", observa Bisker.

A especialista destaca que vidas mais longas têm relação com infraestrutura, com serviços públicos, mas também com cuidarmos da nossa saúde e aprender o tempo inteiro.

Comer bem, dormir bem, se exercitar e manter as relações de amizade e autonomia são pontos essenciais que explicam parte dessa longevidade. Não se restrinja, vá pra rua, se divirta, se conecte.

Sempre envolvida com a identificação de tendências e inovação, Bisker foi diretora para América Latina da Worth Global Style Network (WGSM), autoridade global em previsão de tendências de consumo, design e comportamento. 

A especialista ressalta que 40% da população do mundo vai ser 50+ em 2060. "A nossa pirâmide envelheceu e o mundo dos negócios está tomando consciência que o tempo virou capital.

Mundo do trabalho

Talvez chegar aos 50 anos não seja o 'começo do fim' da carreira, diz Bisker, que estudou gerontologia social. "Talvez seja somente o começo de uma nova 'adolescência profissional', emenda ela.

Nos ambientes profissionais das redes, como o LinkedIn, é visível a maior participação desse público, que tem na experiência seu principal capital. "Ser um consultor exige gente mais experiente para discutir qualquer tema em profundidade", explica.

A verdade inegável, afirma Bisker, é que uma vida mais longa vai mudar completamente a forma como a gente vai comprar, como cuida da saúde e por ai vai. "O corpo muda, onde eu moro vai precisar ter características especiais. As pessoas estão repensando moradia, sempre tem novidades na medicina preventiva". São negócios que estão crescendo porque a longevidade dá dinheiro. Em números, a 'economia prateada' é um mercado que hoje movimenta R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil. 

"Toda vez que uma necessidade muda, nasce uma oportunidade econômica", frisou ela.


IA vai tirar seu emprego?

Segundo Bisker, na disputa por um espaço no mercado de trabalho é preciso aprender a usar a inteligência artificial (IA) a seu favor. Isso porque ela não deve substituir os mais velhos que tem repertório, mas sim quem não sabe 'conversar' com essas novas ferramentas.

Experiência é o seu principal capital, aliado a sua rede de contatos, credibilidade, leitura do contexto, autoconhecimento e relações construídas. Com os anos você já sabe o que dá certo, o que dá errado", afirmou.

Atentos às necessidades desse novo mercado de trabalho, o perfil de novos empreendedores tem revelado uma faixa etária cada vez mais avançada. De acordo com dados do Sebrae Nacional, o Brasil tem atualmente 4,5 milhões de empreendedores 60+.

Bisker participou nesta manhã da 9ª edição do MaturiFest. O evento, realizado pela Maturi, empresa especializada em empregabilidade, desenvolvimento e capacitação de profissionais com 50 anos ou mais, tem o apoio de mídia do VIVA.

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