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Parkinson em ilhas de Belém supera média e uso de inseticida gera alerta

Paula Bulka Durães/VIVA

Os diagnósticos finais apontaram uma prevalência de Parkinson de 1,55% nessa amostra populacional - Paula Bulka Durães/VIVA
Os diagnósticos finais apontaram uma prevalência de Parkinson de 1,55% nessa amostra populacional
Por Paula Bulka Durães

06/06/2026 | 08h13

Belém - Um estudo epidemiológico inédito revelou que a prevalência da doença de Parkinson entre idosos nas comunidades ribeirinhas da porção insular de Belém supera a média global.

Os resultados cruzam vulnerabilidade social, saúde neurológica e alta exposição a inseticidas domésticos na Amazônia.

Apresentado pela pesquisadora e profissional de educação física Juliana Duarte no último dia do Congresso Norte/Nordeste de Geriatria e Gerontologia (CoNNeGG 2026), o levantamento destacou a realidade de idosos residentes nas ilhas de Cotijuba, Mosqueiro, Outeiro e Combu.

Para viabilizar a pesquisa presencial em regiões de acesso remoto, o estudo foi financiado pela Michael J. Fox Foundation for Parkinson Research. O aporte internacional permitiu o envio de equipes de saúde para triar mais de 1,1 mil pessoas com 60 anos ou mais.

O trabalho de campo ocorreu de forma estritamente presencial, e as equipes precisavam se deslocar em barcos por até 40 minutos e caminhar até a casa de cada morador nas ilhas.

Devido à extensa população idosa ribeirinha da região, a metodologia foi estruturada por meio de amostras populacionais, para identificar sinais de alerta.

Os diagnósticos finais apontaram uma prevalência de Parkinson de 1,55% nessa amostra populacional — índice superior à média mundial de 1% observada em indivíduos acima de 60 anos.

"A nossa prevalência tende a ficar mais alta do que o normal", destacou a pesquisadora durante a apresentação sobre a magnitude do dado.

Uso de inseticidas

O Brasil é considerado o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, substâncias que figuram como um dos principais fatores de risco ambientais para o desenvolvimento do Parkinson.

A investigação sobre o perfil da comunidade ribeirinha revelou números alarmantes sobre a exposição química:

  • 77,8% dos idosos relataram o uso de inseticidas domésticos;
  • 59% utilizam esses produtos de maneira frequente;
  • 25,8% relataram o uso irregular de esbiotrina — componente químico piretroide utilizado em produtos fumegantes.

A comercialização informal e o uso indiscriminado de repelentes de baixo custo acenderam um sinal de alerta sobre a correlação ambiental. A pesquisadora ilustrou o problema ao citar produtos extremamente populares na região metropolitana de Belém.

Na verdade, é aquele incenso que o pessoal compra de três caixas por R$ 10 nas esquinas dos portos e utiliza de forma frequente."

A cientista enfatizou a preocupação do grupo de pesquisa com o possível impacto desse hábito a longo prazo. "Até então, a gente não sabe o quanto isso pode influenciar futuramente no desenvolvimento de outras doenças ou na geração de intoxicação, mas tem sido um dos grandes fatores que nos deixam em alerta para observar se há efeito de causalidade com a doença de Parkinson."

Para a pesquisadora, os resultados do estudo reforçam a urgência de integrar o controle de substâncias químicas e a conscientização ambiental às políticas públicas de saúde, especialmente em territórios ribeirinhos que já sofrem com barreiras históricas de acesso à assistência médica.

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