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Perder 15% da força muscular já pode comprometer mobilidade na velhice

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Redução da velocidade ao caminhar está associada a maiores riscos de quedas - Envato
Redução da velocidade ao caminhar está associada a maiores riscos de quedas
Por Pedro Marques

25/08/2026 | 11h28

São Paulo - Uma queda de 15% na força muscular pode ser suficiente para antecipar problemas de mobilidade na velhice, mesmo quando a pessoa ainda apresenta níveis de força considerados dentro da normalidade. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London, no Reino Unido.

A redução da velocidade ao caminhar é considerada um importante sinal de alerta. Ela está associada a maiores riscos de quedas, internações e perda de autonomia para realizar atividades do dia a dia.

Com apoio da Fapesp, a pesquisa acompanhou, durante 12 anos, 4.541 pessoas com 60 anos ou mais. Os participantes fazem parte do ELSA (Estudo Longitudinal Inglês do Envelhecimento), um dos maiores levantamentos sobre envelhecimento do mundo. Os pesquisadores analisaram, ao longo desse período, a força do aperto de mão e a velocidade da caminhada. Os resultados foram publicados em março na revista GeroScience.

A principal conclusão é que, para preservar a mobilidade na terceira idade, não basta olhar apenas para um valor isolado de força muscular. A trajetória dessa força e a velocidade com que ela diminui também podem trazer informações importantes.

Como medir a força muscular

Para medir a força muscular, um dos testes mais usados pelos cientistas é o da preensão manual, ou seja, a força do aperto de mão. Como o envelhecimento e a perda de massa muscular afetam diferentes partes do corpo, esse indicador funciona como uma espécie de termômetro da condição muscular geral. Um aperto de mão cada vez mais fraco pode sinalizar que músculos importantes, como os das pernas e do tronco, também estão perdendo força.

Além de simples e rápido, o teste tem baixo custo e pode oferecer pistas relevantes sobre a capacidade física da pessoa.

Tradicionalmente, a fraqueza muscular é identificada quando os resultados ficam abaixo de limites previamente definidos: menos de 27 quilos de força manual para homens e menos de 16 quilos para mulheres.

“Mas nesse estudo observamos que, mesmo os indivíduos que se mantiveram acima do limite mínimo, com a perda de 15% da força entraram num processo que culminou na lentidão da caminhada”, disse Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e coordenador do estudo, em entrevista à Agência Fapesp.

O pesquisador ressalta que os parâmetros tradicionais continuam importantes na prática clínica, especialmente para identificar pessoas que já apresentam fraqueza muscular. A novidade, segundo ele, está em uma avaliação mais individualizada, comparando a força atual com aquela que a própria pessoa apresentava no passado.

Esse acompanhamento pode revelar sinais de risco antes que os níveis de força caiam abaixo dos valores considerados mínimos. A perda de mobilidade é um dos principais indicadores de fragilidade, condição relacionada ao aumento do risco de quedas, hospitalizações e morte na velhice.

Sinal de alerta

Os dados mostraram que os participantes que perderam entre 15% e 20% da força muscular durante os 12 anos tiveram uma redução média de 0,007 metro por segundo (m/s) na velocidade da caminhada a cada ano. No período total, a perda acumulada chegou a 0,189 m/s.

“Parece pouca coisa, mas, do ponto de vista clínico, trata-se de uma queda expressiva da velocidade de caminhada. Para se ter uma ideia, ela representa cerca de um quarto do valor que temos como referência [0,8 m/s]. Velocidades abaixo de 0,8 m/s já são consideradas lentidão de caminhada e um importante sinal de alerta para a saúde do idoso”, explicou o pesquisador.

Entre aqueles que perderam mais de 20% da força, a velocidade de caminhada caiu 0,004 m/s por ano, totalizando uma redução de 0,144 m/s ao longo do acompanhamento. Nos dois grupos, a perda foi maior do que a observada entre os idosos que mantiveram a força relativamente estável, com variação de até 5%.

Segundo Alexandre, a força muscular é um dos elementos centrais para manter a mobilidade. Equilíbrio, flexibilidade, ausência de dor e capacidade cardiorrespiratória também fazem diferença, mas o corpo precisa de uma reserva mínima de força para executar movimentos básicos, como levantar, caminhar e permanecer em pé com estabilidade.

Quadro pode ser revertido

Para os autores, a redução superior a 15% pode servir para identificar mais cedo idosos com maior risco de piora da mobilidade. “Quanto mais cedo o risco de lentidão de caminhada for identificado, mais fácil será reverter esse quadro a partir da prática de musculação e alimentação adequada”, diz Alexandre.

O pesquisador também lembra que envelhecer é um processo natural, mas o ritmo das mudanças precisa ser observado. Alterações fisiológicas esperadas para a idade fazem parte desse processo. O alerta surge quando mudanças na força, no peso ou no comportamento acontecem de forma muito acelerada. “Nessas situações, é preciso investigar imediatamente as possíveis causas”, alerta.

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