CONFIRA

Epidemia de obesidade: entenda a doença e veja recomendações atuais

A obesidade é descrita atualmente como uma doença crônica e que precisa de acompanhamento por toda a vida, assim como diabetes e pressão alta

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

11/10/2026 | 11h00

AdobeStock

Diagnóstico deve ser feito com base em uma análise ampla de cada pessoa, não apenas o IMC - AdobeStock
Diagnóstico deve ser feito com base em uma análise ampla de cada pessoa, não apenas o IMC
Ouvir texto 2:27 1x

A obesidade, reconhecida pela OMS como uma doença crônica, tem aumentado drasticamente no Brasil, com a taxa de adultos passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, o que representa um sério problema de saúde pública.

O aumento da obesidade está associado a um maior risco de doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos, impactando negativamente a qualidade de vida e a expectativa de vida da população.

Especialistas recomendam um tratamento multidisciplinar que inclua acompanhamento nutricional e atividade física, além de medicações antiobesidade, e enfatizam a importância de hábitos saudáveis desde a infância para a prevenção da doença.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A obesidade é uma doença crônica, assim como diabetes e hipertensão, definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo. O Ministério da Saúde afirma que a prevalência tem aumentado de maneira epidêmica em todas as faixas etárias nas últimas quatro décadas e representa um grande problema de saúde pública não só no Brasil, mas no mundo.

Conforme dados do sistema de vigilância do governo federal, a proporção de adultos com esse quadro nas capitais brasileiras e no Distrito Federal mais que dobrou em menos de duas décadas, passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Já entre as mulheres, o porcentual chegou a 26,7%. O cenário ajuda a ampliar a discussão proposta pelo Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, decretado por lei federal em 2008 e celebrado neste domingo, 11.

Publicidade

As campanhas relacionadas a essa data destacam que a obesidade está relacionada ao aumento do risco para outras doenças como as do coração, diabetes, hipertensão arterial sistêmica, doença do fígado e diversos tipos de câncer, problemas renais, asma, agravamento da covid, dores nas articulações, entre outras, reduzindo a qualidade e a expectativa de vida.

"A obesidade é uma doença crônica, da mesma forma que diabetes, hipertensão, asma ou câncer. Não adianta a gente pensar que seja falta de força de vontade ou, popularmente dizendo, vergonha na cara, porque não é isso", pontua o endocrinologista Ronaldo Wieselberg, presidente da ADJ Diabetes e um dos autores da Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade da Abeso 2026.

Ele defende a busca por tratamento farmacológico com medicações desde o início da obesidade e manter o tratamento em longo prazo. "Isso não tira a importância de acompanhamento multidisciplinar com nutrição, com atividade física, porque são peças fundamentais para o manejo, mas tudo isso tem que ser feito em conjunto."

Publicidade

Prevenção em todas as idades

Para orientar a prevenção em crianças, Wieselberg afirma que é muito importante que, desde o início, haja nas famílias o estímulo à alimentação saudável, rica em frutas, vegetais, alimentos in natura. "O famoso 'desembalar menos e descascar mais'", exemplifica, ressaltando que é necessário também estimular que a criança pratique bastante atividade física, com benefícios prolongados para vida adulta.

Já entre os 60+, ele reforça a busca por uma rotina que favoreça a atividade física, essencialmente porque é uma população mais propensa a perder a funcionalidade de massa muscular. "Qualquer atividade física na terceira idade é essencial para que a gente previna também o aparecimento de obesidade", defende.

Sobrepeso ou obesidade?

Para Fernanda Lopes, nutricionista e responsável técnica da Six Clínic, estar acima do peso nem sempre significa ter obesidade. “O sobrepeso é a faixa que vem antes da doença. A obesidade começa quando o IMC chega a 30 e é dividida nos graus I, II e III. Conforme essa classificação aumenta, os riscos também podem crescer, mas o número não deve ser analisado sozinho. Exames, medida da cintura, composição corporal e histórico clínico ajudam a compreender a situação de cada paciente”, explica. 

Publicidade
Homem obeso sentado numa cama olhando para a fora
Cerca de 31% da população adulta no Brasil vive com obesidade, o que equivale a aproximadamente 1 em cada 3 brasileiros. Adobe Stock

A análise do Índice de Massa Corporal (IMC), porém, já não é o único meio indicado. Fatores como aumento da circunferência abdominal, perda de massa muscular e alterações metabólicas já justificam uma avaliação médica, assim como alterações nos níveis de glicemia, triglicérides, pressão arterial e outros marcadores.

Prevenção à obesidade: 7 atitudes positivas

Evitar a obesidade é um problema que deve ser visto de forma coletiva, ainda assim, algumas mudanças de comportamento podem ajudar tanto na prevenção quanto para pessoas que já estão em processo de tratamento, conforme indicações do médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN):

  1. Não siga a dieta do vizinho ou da internet: Uma alimentação equilibrada deve priorizar alimentos in natura, fibras, proteínas, minerais e vitaminas, além de reduzir ultraprocessados e açúcares adicionados. Informações sobre dietas e emagrecimento nas redes sociais nem sempre têm respaldo científico.
  2. Fuja do sofá: A prática regular de exercícios contribui para o controle do peso. Caminhar, subir escadas, realizar tarefas domésticas e interromper períodos prolongados sentado também aumentam o movimento ao longo do dia. A constância é fundamental.
  3. Peça ajuda: Ansiedade, estresse, compulsão e outros transtornos alimentares podem interferir no ganho de peso. O acompanhamento psicológico pode ajudar no controle desses fatores e na relação com a alimentação.
  4. Valorize seu sono: Dormir pouco ou ter um sono de baixa qualidade pode interferir nos mecanismos de fome e saciedade, alterar o comportamento alimentar e favorecer a escolha de alimentos mais calóricos.
  5. Não despreze a genética e os fatores biológicos: A genética não determina necessariamente a obesidade, mas pode aumentar a predisposição para a doença e influenciar metabolismo, fome, saciedade e armazenamento de energia. Por isso, pessoas em condições semelhantes podem apresentar respostas diferentes em relação ao peso.
  6. Atenção à rotina de medicamentos: Alguns fármacos podem favorecer o ganho de peso como efeito adverso, enquanto determinadas condições de saúde também podem interferir no metabolismo e no controle do peso. Nem sempre o ganho de peso está relacionado apenas à alimentação ou à falta de exercício.
  7. Onde você vive faz diferença: A ampla oferta de ultraprocessados, a publicidade de alimentos calóricos, porções maiores, o fast food, a redução da necessidade de caminhar e o excesso de tempo diante das telas fazem parte de um ambiente que pode favorecer o ganho de peso e influenciar as escolhas individuais.

“Esses fatores sinalizam que há caminhos para prevenir a obesidade e que isso não significa apenas controlar o peso na balança. A prevenção vai além e é fundamental o acompanhamento de um especialista para monitorar os progressos ou fragilidades ao longo do tratamento”, resume o presidente da ABRAN.

Publicidade

Vale lembrar que para quem já vive com a doença, prevenção e mudança de hábitos continuam importantes, mas não resumem o tratamento. Caso já enfrente sobrepeso ou tenha sido diagnosticado com obesidade, procure acompanhamento médico.

Além disso, segundo a Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade da Abeso, embora as estratégias dietéticas com acompanhamento nutricional continuado e a prática regular de atividade física sejam um pilar fundamental do seu tratamento, elas não são, por si só, capazes de promover perdas de peso sustentadas a longo prazo na maioria dos pacientes, o que valida a importância de um acompanhamento mais estratégico com especialistas e remédios.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.