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Em 1ª diretriz para obesidade, OMS veta caneta emagrecedora para crianças

Tratamento para ambas as faixas etárias deve sempre começar com mudanças no estilo de vida, segundo recomendações da organização

Estadão Conteúdo

Por Estadão Conteúdo

08/10/2026 | 08h00

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Obesidade atinge pelo menos 170 milhões de crianças e adolescentes - Adobe Stock
Obesidade atinge pelo menos 170 milhões de crianças e adolescentes
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou diretrizes globais para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes, enfatizando que o tratamento deve iniciar com mudanças no estilo de vida, evitando intervenções como medicamentos e cirurgias em crianças menores de 10 anos.

Cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos sofrem de obesidade, com a prevalência quadruplicando desde 1990, e no Brasil, aproximadamente 6,6 milhões de crianças e 9,9 milhões de adolescentes enfrentam essa condição.

As diretrizes recomendam a participação dos pais e intervenções adaptadas à idade e contexto cultural, além de sugerir políticas públicas que promovam ambientes saudáveis e acesso a cuidados de qualidade, visando uma abordagem multissetorial no combate à obesidade.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou ontem as primeiras diretrizes globais para o tratamento da obesidade na infância e na adolescência. São dois guias: um voltado para crianças menores de 10 anos e outro para adolescentes de 10 a 19 anos. O tratamento para ambas as faixas etárias deve sempre começar com mudanças no estilo de vida. Antes dos 10 anos, deve-se evitar canetas e adoção de bariátricas.

Segundo a OMS, 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade em 2024. Nessa faixa etária, a prevalência da doença quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%. No Brasil, de acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026, cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos convivem com a obesidade. Entre o público de 10 a 19 anos, cerca de 9,9 milhões convivem com a doença.

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As recomendações incluem estratégias comportamentais, de reorganização alimentar e atividade física. A OMS destaca que a participação dos pais e outros responsáveis é fundamental e as intervenções devem ser adaptadas à idade e também ao gênero, ao contexto cultural e aos interesses do jovem. A organização estabelece que esse acompanhamento deve ser mantido por pelo menos seis meses antes de se avaliar qualquer outra alternativa de tratamento.

Canetas emagrecedoras

A OMS não recomenda o uso de medicamentos análogos de GLP-1, as famosas canetas para obesidade, para crianças menores de 10 anos. A organização entende que existe uma escassez de evidências sobre os benefícios da medicação para essa faixa etária. Também faltam dados sobre possíveis efeitos adversos e consequências no crescimento, no desenvolvimento físico, nos parâmetros fisiológicos e na saúde mental.

"É importante lembrar que já existem estudos com crianças de 6 a 11 anos com obesidade sendo tratadas com liraglutida (um dos análogos de GLP-1). Recentemente, tivemos, nessa mesma faixa etária, estudo com semaglutida (outro análogo)", cita a endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora do Departamento de Advocacy da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

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"Então, já existe certo respaldo para que a gente prescreva com mais segurança. Mas a segurança total e a indicação formal só ocorrem quando a agência regulatória, no nosso caso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprova o tratamento", adiciona a médica, que também é integrante da Comissão de Relações Institucionais e Políticas Públicas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

No caso de adolescentes entre 10 e 19 anos, o uso pode ser considerado quando há complicações de saúde (como diabetes tipo 2) e os pacientes não responderam a mudanças no estilo de vida após seis meses.

Cirurgia bariátrica

Abaixo dos 10 anos, a OMS também não recomenda a cirurgia bariátrica nem o uso de outros dispositivos para perda de peso. A organização entende que as operações podem trazer prejuízos para o desenvolvimento.

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"A cirurgia é mais complexa nas crianças abaixo de 10 anos. Os níveis de evidência são muito baixos e trata-se de um procedimento que é irreversível e passível de complicações", pontua Maria Edna.

Para os adolescentes, a cirurgia é tratada como uma medida de última linha. Ela pode ser considerada em casos de obesidade grave e quando os outros métodos de tratamento não funcionaram.

Embora não seja o foco dos documentos, a saúde mental aparece como preocupação e deve ser abordada juntamente com a obesidade. "Ansiedade, depressão, baixa autoestima e desregulação emocional podem contribuir para comportamentos alimentares não saudáveis, inatividade física e isolamento social, e crianças e adolescentes com obesidade podem sofrer estigma e bullying, que prejudicam seu bem-estar emocional", diz a OMS.

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A organização orienta os profissionais de saúde a abordar tanto a obesidade quanto os problemas de saúde mental precocemente e em conjunto, utilizando estratégias que envolvam a família e sejam adequadas ao desenvolvimento.

Políticas públicas

A OMS enfatiza que o combate à obesidade não se restringe a escolhas individuais. Por isso, incentiva os países a criarem políticas públicas. "A base do tratamento da obesidade em crianças e adolescentes não está em medicamentos ou cirurgias, mas sim no acesso a um suporte abrangente que possibilite uma alimentação saudável, atividade física e mudanças comportamentais sustentáveis", afirma Luz María De Regil, diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS.

"Nossa prioridade deve ser garantir que toda criança e todo adolescente tenham acesso a cuidados de qualidade e ambientes acolhedores desde a infância, ajudando-os a alcançar e manter um peso saudável e lançando as bases para uma vida inteira de saúde e bem-estar", acrescenta Luz María.

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A organização indica uma abordagem multissetorial, que envolva áreas do governo além da saúde. As diretrizes também orientam o fortalecimento da atenção primária e da cobertura universal, a criação de espaços ativos (como ciclovias e praças para recreação) e a promoção da educação em saúde (como a alfabetização nutricional).

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