Substância de preenchimento PMMA que causa infecções está proibida pelo CFM
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São Paulo - O Conselho Federa de Medicina (CFM) expandiu as restrições de uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância de preenchimento de pele e proibiu seu uso por médicos, seja para finalidade estética ou reparadora, em todo o País. A medida passa a valer a partir desta terça-feira, 2.
A decisão do conselho veio após uma revisão científica extensa. Levando em consideração o uso do PMMA como preenchedor injetável, a literatura aponta que a substância apresenta características específicas que levam a complicações relevantes que, por sua vez, favorecem o aparecimento de:
- Reações inflamatórias tardias;
- Formação de granulomas;
- Infecções persistentes;
- Necroses;
- Hipercalcemia (concentração de cálcio acima do normal no sangue);
- Insuficiência renal;
- Sequelas estéticas ou funcionais irreversíveis.
A conselheira federal Graziela Bonin, relatora da resolução, reforça que muitas dessas complicações podem aparecer após anos da aplicação inicial, mesmo sendo feita por profissionais habilitados e dentro dos parâmetros do procedimento - alertando que os problemas estão relacionados com a característica do produto.
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“A prática clínica e evidências científicas sólidas revelam problemas complexos decorrentes do uso de PMMA em preenchimentos cutâneos e de partes moles por ser um material não reabsorvível e permanente. O tratamento dessas complicações frequentemente exige o uso prolongado de medicamentos imunossupressores e, em muitos casos, procedimentos cirúrgicos complexos para retirada do material, nem sempre capazes de restaurar plenamente os danos causados”, ressalta a relatora.
O Brasil ainda estava entre os poucos países em que o PMMA continuava sendo usado de forma disseminada para preenchimentos estéticos. Países como Estados Unidos e Canadá têm apenas uma marca registrada para aplicação do produto que pode ser usado apenas em preenchimentos específicos, como tratamento de cicatriz de acne.
Única excessão para o uso
Agora, o único uso aprovado do PMMA pelo CFM é para o tratamento da lipodistrofia (alteração da distribuição de gordura no corpo) em pacientes com HIV/Aids no Sistema Único de Saúde, em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.
O CFM reforça que a medida de continuação do uso nesse tipo de paciente acontece enquanto não são consolidadas outras alternativas terapêuticas com melhor perfil de segurança. "A medida busca evitar prejuízos aos pacientes atualmente acompanhados nos serviços especializados habilitados pelo Ministério da Saúde", diz o conselho.
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