Tempo de socorro pode elevar sobrevivência ao infarto para até 90%
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São Paulo - O tempo entre os primeiros sintomas e o atendimento médico pode ser determinante para a sobrevivência após um infarto. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que, quando o socorro ocorre em até duas horas, as chances de sobreviver podem chegar a 80% ou 90%, além de possibilidade de retomar a rotina mais rapidamente.
No final de fevereiro, por exemplo, o ator Herson Capri se submeteu a um cateterismo e permaneceu três dias internado no Rio de Janeiro após infartar em casa. O ator afirmou que recebeu atendimento hospitalar em menos de duas horas após os sintomas. Agora, recuperado, ele volta ao palco em São Paulo com a peça 'A Sabedoria do Pais' e dirigida por Miguel Falabella.
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Segundo Luiz Antônio Machado César, membro da SBC, esse tipo de rapidez no atendimento reduz significativamente os danos ao músculo cardíaco. "Se o atendimento for rápido, os danos ao funcionamento do coração podem ser mínimos e o impacto na vida da pessoa será quase inexistente".
Como o coração se recupera de um infarto?
Segundo a SBC, o infarto significa morte celular provocada pela falta de oxigênio, que chega às células por meio da circulação sanguínea. Quanto mais tempo durar a interrupção do fluxo, maior será o dano ao coração. Parte do músculo cardíaco pode deixar de funcionar durante o ataque.
"O atendimento e a aplicação do tratamento, envolvendo a desobstrução das artérias por cateterismo, devem ser aplicados o mais rápido possível para evitar desfechos de insuficiência cardíaca", explica o médico. A intervenção rápida pode permitir a recuperação do órgão, ainda que com alguma limitação funcional.
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Quando o dano é extenso, a área afetada do músculo cardíaco se transforma em cicatriz e perde a capacidade de contração. O restante do coração passa, então, por um processo de readaptação. Esse processo é chamado de remodelamento, explica a SBC.
Com isso, o coração se dilata para tentar manter a função de bombeamento, mas pode perder eficiência, favorecendo insuficiência cardíaca, arritmias, formação de aneurismas e aumentando o risco de morte súbita.
O maior impacto na rotina costuma aparecer nas atividades que exigem esforço físico. "A pessoa pode notar mais dificuldade para fazer o que estava acostumada com relação ao esforço físico. Ficar mais ofegante para caminhar, subir escadas ou trabalhar, se a função é mais braçal, por exemplo", diz César.
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Risco de recorrência
Ter sofrido um infarto aumenta de forma significativa o risco de um novo evento cardíaco. Para reduzir essa probabilidade, os pacientes recebem medicamentos que ajudam a controlar a obstrução das artérias, a pressão arterial e a função do coração.
Ainda assim, a possibilidade de recorrência não é totalmente eliminada, explica o cardiologista.
Em um período de 20 a 30 anos, a maioria dos pacientes provavelmente terá um novo evento, que pode ou não ser fatal."
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Recomendações para evitar infarto
De acordo com César, o infarto marca um "novo episódio" na vida do paciente, que exige mudanças consistentes. Além do tratamento medicamentoso, sempre com orientação médica, ele destaca três recomendações principais, confira:
Reeducação alimentar
Buscar avaliação de um nutricionista para ajustar a alimentação às necessidades individuais. Em geral, recomenda-se evitar alimentos gordurosos, reduzir carboidratos de rápida absorção, como açúcar, controlar o consumo de sódio e acompanhar níveis de colesterol e glicemia.
Atividade física
A aumentar a prática de exercícios é fundamental. De 20 a 30 minutos diários já contribuem para reduzir o risco de um segundo infarto e de outras doenças cardiovasculares, como hipertensão e AVC.
Atenção aos sintomas
Dor no peito, abdômen, braços ou costas, desconforto ao realizar esforço físico e despertar durante a noite com dor incomum que desaparece rapidamente são avisos para buscar atendimento.
Além das mudanças de hábito, as consultas periódicas são essenciais para monitorar a saúde do coração após o infarto.
A maioria das pessoas só descobre que tem doença coronária depois de um infarto pela falta de hábito de ir ao médico."
Manter as visitas ao consultório é essencial para evitar eventos cardíacos graves, conclui o médico.
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