Vacinação contra VSR reduz hospitalizações em idosos, aponta estudo
Pesquisa internacional mostra que vacina previne 70% das hospitalizações entre adultos 60+ causadas por Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
Por Bianca Bibiano
13/10/2026 | 13h37Envato
Um estudo clínico revela que a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) pode reduzir em até 70,3% as hospitalizações por doenças respiratórias em pessoas acima de 60 anos, destacando a gravidade do VSR na população idosa.
Diferente do quadro em crianças, no qual o vírus costuma provocar sintomas respiratórios agudos e imediatos, nos idosos o VSR pode começar de forma silenciosa, assemelhando-se a um resfriado comum ou a um mal-estar passageiro.
A vacina Abrysvo já está incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação para gestantes e é oferecida pelo SUS, mas o acesso para idosos ainda é restrito à rede privada; empresa farmacêutica afirma que busca ampliar a imunização e colabora com o Instituto Butantan para a produção nacional da vacina.
São Paulo - Um novo estudo clínico mostra que a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) pode reduzir em até 70% os casos de hospitalização por doença respiratória relacionada ao vírus em pessoas acima de 60 anos de idade.
Historicamente, o VRS é associado às infecções respiratórias na infância e às crises de bronquiolite em bebês, mas representa uma ameaça grave e silenciosa para a população idosa.
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O estudo, classificado como um ensaio clínico pragmático, randomizado e aberto, acompanhou mais de 513 mil pessoas na Dinamarca e na região da Galícia, na Espanha, durante duas temporadas de circulação do vírus (2024–2025 e 2025–2026). O grande diferencial dessa metodologia é que ela observa a resposta do imunizante na "vida real", no dia a dia dos pacientes, e não apenas em ambientes laboratoriais rígidos.
No recorte voltado para os adultos mais velhos, com 130.991 participantes com 60 anos ou mais, a vacinação demonstrou uma efetividade combinada de 70,6% contra hospitalizações por doença respiratória relacionada ao VSR ao longo de dois anos. Na primeira temporada, a proteção atingiu 83,3%, mantendo-se em 56,2% na segunda temporada após uma única dose.
"Dentro de toda a evidência clínica, temos as etapas clássicas (fases 1, 2 e 3) e os estudos de fase 4, que observam a vacina no dia a dia", explicou ao VIVA a diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro, que também participou do levantamento. "A beleza desse estudo foi mostrar, em vida real, uma proteção consistente, reforçando que é uma vacina altamente efetiva."
Atualmente, a Abrysvo, vacina utilizada na pesquisa, já está incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação da Gestante, por meio do Programa Nacional de Imunizações, e é ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde dezembro de 2025.
Contudo, para idosos, embora haja indicação de bula, o acesso se dá apenas na rede privada. Em nota, a Pfizer diz que segue comprometida em contribuir para iniciativas que possam ampliar o acesso à imunização no País e afirma que mantêm uma parceria com o Instituto Butantan para a transferência gradual de tecnologia para a produção nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório.
VSR em idosos exige atenção
O VSR é especialmente grave aos idosos devido a imunossenescência. "O sistema imune envelhece conosco e diminui a capacidade de nos defender do vírus sincicial respiratório. Com a vacina, você 'treina' o organismo para que, no momento do contato com o vírus, ele esteja mais preparado para combatê-lo, diminuindo drasticamente os casos graves e as internações", exemplifica Ribeiro.
Diferente do quadro em crianças, no qual o vírus costuma provocar sintomas respiratórios agudos e imediatos, nos idosos o VSR pode começar de forma insidiosa, assemelhando-se a um resfriado comum ou a um mal-estar passageiro. Já em idosos com condições de saúde fragilizadas, a infecção pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória ou sepse.
Além dos danos pulmonares, a infecção por VSR guarda forte relação com a saúde do coração. Pacientes com insuficiência cardíaca, por exemplo, têm taxas de hospitalização por VSR cerca de oito vezes maiores do que adultos sem a condição.
A diretora médica alertou para os principais sinais de gravidade que a família e os cuidadores devem observar:
- Sinais gerais e comportamentais: Cansaço extremo, confusão mental ou alteração do nível de consciência, recusa alimentar, fraqueza intensa e desidratação.
- Sinais respiratórios: Respiração acelerada, chiado no peito, tosse persistente e intensa, falta de ar ou agravamento de doenças de base, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
"Como o tratamento para o VSR uma vez instalado é fundamentalmente de suporte e sintomático, com hidratação e oxigênio, a prevenção via vacinação se consolida como a ferramenta mais eficaz", pontua a médica.
Subdiagnóstico no Brasil
No Brasil, devido às dimensões continentais, o vírus não segue um padrão sazonal rígido. Enquanto a circulação atinge o pico entre março e maio nas Regiões Sul e Sudeste, no Norte ele circula mais intensamente no final do ano.
Além disso, o rastreio do VSR na população adulta ainda enfrenta desafios estruturais. Dados de vigilância epidemiológica indicam que a carga desse vírus em idosos é subestimada no País.
Entre 2013 e 2024, mais de 4,6 mil internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associadas ao VSR em idosos foram registradas, com letalidade hospitalar variando entre 21% e 31%.
De acordo com a médica, o subdiagnóstico ocorre principalmente porque, até recentemente, a testagem para o VSR não era uma prática rotineira na investigação médica de idosos sintomáticos.
"Antes, como não tínhamos a perspectiva da prevenção nem da vacina, o vírus nem passava pela cabeça da maioria dos médicos como uma hipótese diagnóstica principal. A partir do momento em que a ciência avança e surge a possibilidade de prevenir, o diagnóstico e a testagem também evoluem", finaliza.
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