INSS suspende empréstimos consignados do C6 Bank
INSS suspende empréstimos consignados do C6 Bank após auditoria da CGU identificar 320 mil contratos com indícios de cobrança de custos adicionais
Por Marcel Naves
17/03/2026 | 09h02 ● Atualizado | 17h49Adobe Stock
São Paulo - O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS suspendeu nesta terça-feira (17), novos empréstimos consignados do banco C6. A medida foi adotada após auditoria feita pela Controladoria Geral da União - CGU identificar cerca de 320 mil contratos com indícios de cobrança de custos adicionais referentes a seguros e pacotes de serviços.
De acordo com o INSS a cobrança adicional resultava na redução do valor líquido efetivamente disponibilizado aos beneficiários. A conduta foi considerada de "elevada gravidade".
O instituto afirmou que a suspensão será válida até que os valores cobrados indevidamente sejam restituídos e corrigidos. O órgão quer que o banco devolva a segurados aproximadamente R$ 300 milhões.
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Em nota encaminhada ao Portal VIVA o INSS reforça a ilegalidade deste tipo de cobrança.
"O INSS reforça que é proibida a inclusão de custos extras, como taxas administrativas, prêmios de seguros ou quaisquer encargos estranhos à operação de crédito consignado. A regra existe para preservar a integridade da margem consignável e proteger a renda alimentar dos beneficiários".
Entre os achados, auditores entenderam que o banco embutiu indevidamente um seguro de R$ 500 em meio ao contrato de consignados. O serviço é fornecido por uma seguradora em meio aos empréstimos do banco, que tem como acionista o JP Morgan.
Dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação pelo Estadão mostram que, entre 2020 e 2025, o C6 faturou R$ 20 bilhões com créditos consignados. No primeiro ano, quando entrou para esse mercado criando o C6 Consig, tinha 514 clientes. Em 2025, já tinha uma carteira de 3,3 milhões de consignados.
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Posicionamento do C6
Em nota à imprensa, o C6 disse discordar integralmente da interpretação do INSS e que vai buscar seu direito de defesa na esfera judicial "porque não praticou nenhuma irregularidade e seguiu rigorosamente todas as normas vigentes".
O banco ressaltou ainda que a contratação do consignado nunca esteve condicionada à compra de nenhum outro produto e que não desconta parcelas mensais referentes à contratação de pacote de benefícios.
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