Finlândia explora tecnologia transmitida pelo ar e sem cabos; entenda
Foto: Evanto Elements
Por Joyce Canele
redacao@viva.com.brSão Paulo, 26/01/2026 - Pesquisadores finlandeses vêm conduzindo, nos últimos anos, experimentos tecnológicos para transmitir eletricidade sem fios e sem tomadas, usando ondas eletromagnéticas.
Desenvolvida principalmente em universidades do país, a tecnologia ainda é limitada, mas ajuda a entender como a energia sem cabos pode complementar sistemas tradicionais no futuro.
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Os estudos ganharam força na última década, especialmente em centros acadêmicos como as universidades de Aalto e Helsinque.
Segundo publicado pelo The Times Of India, o objetivo não é substituir as redes elétricas convencionais, mas explorar alternativas viáveis para situações em que o uso de fios é inviável ou pouco eficiente, como sensores industriais, dispositivos médicos e pequenos equipamentos eletrônicos.
Como funciona a eletricidade transmitida pelo ar?
A base da tecnologia está nos campos eletromagnéticos, os mesmos princípios físicos que permitem a comunicação via rádio e Wi-Fi. No caso da energia sem fio, a diferença é que, em vez de dados, o que se transmite é carga elétrica.
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Os pesquisadores finlandeses concentram seus esforços em dois métodos principais. Um deles é a indução magnética, já conhecida em carregadores sem fio usados em celulares.
O outro é o acoplamento ressonante, que permite transferir energia entre dois sistemas ajustados exatamente à mesma frequência, aumentando a eficiência em curtas distâncias.
Grande parte do desafio está em reduzir as perdas e perdas durante a transmissão. Por isso, os estudos se dedicam a entender como o formato das antenas, a distância entre transmissor e receptor e o ambiente ao redor influenciam o desempenho do sistema.
Do laboratório e testes realistas
Pesquisas conduzidas na Universidade de Helsinque mostraram que antenas de laço magnético conseguem transmitir energia com eficiência relativamente alta em distâncias limitadas.
Esses resultados ajudaram a aperfeiçoar projetos de transmissores e receptores e abriram caminho para experimentos fora de condições estritamente controladas.
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Nos últimos anos, equipes finlandesas demonstraram pequenos dispositivos eletrônicos sendo alimentados pelo ar, sem contato físico com a fonte de energia.
Embora sejam testes de baixa potência, eles indicam que a tecnologia já ultrapassou a fase de prova de conceito básica e começa a se aproximar de aplicações práticas.
Ainda assim, os próprios pesquisadores reconhecem as limitações, a eficiência cai rapidamente à medida que a distância aumenta, e os sistemas exigem alinhamento preciso de frequência para funcionar de forma confiável.
Aplicações possíveis
Atualmente, a transmissão de eletricidade sem fio funciona melhor para alimentar dispositivos pequenos e de baixo consumo, como sensores, equipamentos robóticos e aparelhos eletrônicos usados em ambientes controlados.
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Cientistas finlandeses estudam como o corpo humano reage aos campos magnéticos usados no carregamento sem fio, uma etapa essencial para o desenvolvimento de implantes e outros dispositivos que poderiam ser recarregados sem cirurgia.
Apesar dos avanços, não há expectativa de que a eletricidade transmitida pelo ar substitua as redes elétricas tradicionais. A transmissão de grandes volumes de energia ainda depende de cabos e infraestrutura física, e deve continuar assim por muitos anos.
Larga escala da energia sem fio
Especialistas do setor avaliam que a adoção em larga escala da energia sem fio, em casas, veículos ou cidades inteiras, exigiria décadas de pesquisa adicional, além de avanços regulatórios e tecnológicos.
Na prática, o maior valor da tecnologia está em aplicações específicas, onde passar cabos é caro, arriscado ou simplesmente impossível.
A experiência da Finlândia mostra que a eletricidade sem fios não é uma promessa futurista distante, mas também não representa uma ruptura iminente.
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Trata-se de uma tecnologia em um campo em desenvolvimento, que pode complementar os sistemas atuais e abrir novas possibilidades em áreas especializadas.
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