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Não se Meta: entidades organizam protesto na sede da Meta esta segunda (19)

Ato reúne organizações de direitos digitais e liberdade de expressão contra interferência da empresa Meta no processo eleitoral brasileiro

Felipe Cavalheiro

Por Felipe Cavalheiro

19/10/2026 | 08h00

Divulgação - Não se Meta

As entidades se uniram em protesto à empresa nas redes sociais - Divulgação - Não se Meta
As entidades se uniram em protesto à empresa nas redes sociais
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Organizações da sociedade civil realizam um ato em frente à sede da Meta, exigindo maior transparência em seus algoritmos e o fim da interferência em conteúdos políticos, em resposta a denúncias de bloqueios em massa de perfis durante as eleições.

As entidades apontam falhas na distribuição de conteúdo e problemas com a Inteligência Artificial da empresa, além de exigir ações corretivas e reparações por danos causados durante o processo eleitoral.

A Meta, por sua vez, nega as acusações de interferência e atribui os problemas a erros técnicos, enquanto se compromete a colaborar com o Tribunal Superior Eleitoral, mas enfrenta críticas por não cumprir totalmente os compromissos assumidos para as eleições.

São Paulo - Organizações da sociedade civil e movimentos sociais convocam ato público em frente à sede da Meta, – empresa dona do Facebook, WhatsApp e Instagram – pedindo por maior transparência do algoritmo e fim da interferência em conteúdos políticos nesta segunda-feira (19).

As principais denúncias são relacionadas ao bloqueio em massa de perfis durante o período eleitoral, falhas na distribuição de conteúdo em suas redes e respostas da Inteligência Artificial da empresa.

O ato, chamado de “Meta, não se meta na nossa eleição”, foi articulado pelas entidades CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil.

A data coincide com com o prazo para que a Meta responda à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF sobre uma investigação aberta após denúncia das mesmas entidades. Estas também entregaram uma notificação extrajudicial a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil, com uma lista de exigências.

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Confira as dez exigências do movimento

  1. Pedido de desculpas no topo do Instagram: Exibir um aviso em destaque para todos os usuários brasileiros admitindo que falhas da empresa esconderam postagens nas eleições de 2026. 
  2. Bloqueio e devolução de dinheiro de anúncios ilegais: Barrar imediatamente propagandas eleitorais pagas fora do Brasil e devolver todo o dinheiro ganho com anúncios irregulares, divulgando o valor total e para onde esse recurso será enviado.
  3. Painel aberto de punições em tempo real: Criar uma página pública, atualizada na hora, que mostre quantas contas foram bloqueadas, quantas postagens foram apagadas e quantos anúncios foram aceitos ou recusados.
  4. Atendimento por pessoas reais e devolução de contas: Colocar funcionários (e não robôs) para revisar punições rapidamente durante a eleição e devolver na hora os perfis bloqueados e os posts políticos apagados por engano.
  5. Fim da queda escondida de alcance: Parar de diminuir a entrega de postagens sem que o dono do perfil saiba; qualquer limite de visualização precisa ser avisado ao usuário, com o motivo exato e um canal para recorrer.
  6. Fiscalização externa do sistema de entrega: Permitir que especialistas independentes façam uma vistoria completa nas regras automáticas da rede que decidem quais conteúdos aparecem ou não na tela das pessoas.
  7. Fim dos bloqueios em massa sem defesa: Encerrar a prática de apagar várias contas e publicações de uma só vez sem dar chance de o usuário reclamar ou se defender.
  8. Proteção para imprensa e entidades: Criar garantias extras para evitar bloqueios indevidos contra perfis de jornalistas, jornais, movimentos sociais e ONGs.
  9. Guarda do histórico para a Justiça fiscalizar: Salvar todos os registros internos de postagens apagadas, contas punidas e alcance de publicações para que o TSE, o Ministério Público e entidades civis possam auditar os dados.
  10. Punição e demissão dos culpados pelas falhas: Abrir uma investigação interna para identificar quem causou os erros, divulgar o resultado ao público e punir ou afastar do cargo os responsáveis pelos casos graves.

A cofundadora da organização Código Não Binário, Veronyka "Travahacker" Gimenes, critica as falhas técnicas da empresa e julga seus compromissos insuficientes.

Queremos respostas efetivas sobre os problemas que aconteceram mas também reparação imediata e que se apurem os responsáveis".
Veronyka "Travahacker" Gimenes, do Código Não Binário

Interferência nas eleições?

A Código Não Binário e Sleeping Giants Brasil criaram também a plataforma De Olho na Meta, que reúne notícias, documentos e respostas sobre a Meta, suas plataformas e suas relações com as eleições no Brasil.

Até o momento, o site já registra 465 manchetes de mais de 200 veículos. Dessas, 97 apontam interferência e 46 desinformação. 

45Registros de falhas técnicas e decisões  
contra a Meta já confirmados

A página também monitora os 10 compromissos assinados pela Meta perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições, e afirma que nenhum deles está sendo totalmente cumprido.

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O que diz a Meta

Até o momento, a posição oficial da empresa mais recente ocorreu em sua sala de imprensa oficial, em uma publicação intitulada “A Meta não está interferindo nas eleições brasileiras. Estes são os fatos”. A empresa atribui as denúncias a erros técnicos isolados, declara colaboração com o TSE e nega favorecimento de partidos ou candidatos. 

A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político. Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos”. 

Desde o início do período eleitoral, a marca já foi procurada pela imprensa e respondeu às diversas acusações citadas. Em resumo, a Meta reconhece: 

  • Conta de anúncios do candidato Lula (PT) desativada por engano, por cerca de 1 hora (23/09).
  • Contador de views de Reels travado por cerca de 5 horas (07/10).
  • Falha global na criação de anúncios a partir de posts do Instagram (09/10).
  • Lacuna no Meta AI com nome e número de candidato (14/10), corrigida no dia.

Por outro lado, a Meta nega:

  • Tomar partido ou favorecer candidato.
  • Classificar ou distribuir conteúdo por ideologia.
  • Que os incidentes revelem manipulação da distribuição.

*Estagiário sob supervisão de Luana Pavani

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