CONFIRA
Eleições 2026

MPF abre investigação sobre bloqueios em massa da Meta e do X na eleição

Procedimento foi aberto após entidades reunirem relatos de restrições arbitrárias; plataformas têm cinco dias para apresentar explicações

Marcel Naves

Por Marcel Naves

14/10/2026 | 20h33

Cleia Viana/Secom/TSE

MPF irá investigar a Meta e o X por bloqueios de contas políticas e de imprensa - Cleia Viana/Secom/TSE
MPF irá investigar a Meta e o X por bloqueios de contas políticas e de imprensa
Ouvir texto 2:27 1x

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, órgão ligado ao Ministério Público Federal (MPF), iniciou uma investigação sobre as práticas de moderação de conteúdo da Meta e da rede social X durante as eleições de 2026.

Organizações sociais apresentaram mais de mil relatos de contas suspensas e conteúdos removidos sem critérios claros.

A PFDC exigiu que Meta e X apresentem justificativas detalhadas em cinco dias, esclarecendo se as exclusões foram resultado de ordens judiciais ou filtragens automatizadas.

O órgão reforçou que as plataformas devem respeitar a liberdade de expressão e garantir o direito de defesa dos usuários.

São Paulo – A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão ligado ao Ministério Público Federal (MPF), instaurou nesta quarta-feira, 14, um procedimento administrativo para apurar as práticas de moderação de conteúdo adotadas pela Meta — dona do Instagram, Facebook e WhatsApp — e pela rede social X durante as eleições de 2026. O objetivo é investigar a legalidade de bloqueios em massa ocorridos no período.

A investigação teve início a partir de uma representação formalizada por organizações como Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z. O grupo reuniu mais de mil relatos de contas suspensas e conteúdos removidos sem transparência sobre quais critérios teriam sido utilizados pelos algoritmos das plataformas.

Publicidade

Segundo o documento enviado ao MPF, essas medidas arbitrárias atingiram comunicadores, jornalistas, veículos de mídia independente, coletivos culturais, entidades estudantis e cidadãos comuns. Entre os casos de destaque estão intervenções contra a página da Mídia Ninja — rede brasileira de comunicação alternativa — e o projeto "Revelando Brasil", apresentado pelo ator e humorista Fábio Porchat. Diante disso, as entidades denunciantes afirmam que discursos políticos legítimos acabaram suprimidos justamente no auge do debate eleitoral.

Prazos para explicações

Para entender a origem das punições, a PFDC enviou um ofício às gigantes de tecnologia fixando um prazo de cinco dias para justificativas detalhadas. Meta e X deverão esclarecer, por exemplo, se as exclusões resultaram do cumprimento de ordens judiciais ou apenas de filtragens automatizadas (robôs) de suas próprias redes. Além disso, o órgão ministerial exige a comprovação de que os usuários afetados foram devidamente notificados e tiveram canais efetivos para recorrer.

Segundo o MPF, a cobrança se baseia na Constituição, que garante a liberdade de expressão e o livre fluxo de informação, além do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) e do Código de Defesa do Consumidor.

Publicidade

No entendimento do MPF, essas leis estabelecem que as redes sociais não podem derrubar perfis ou postagens de forma arbitrária. Em sintonia com decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), o órgão reforça que as plataformas são obrigadas a avaliar o contexto de cada publicação antes de aplicar sanções automáticas, devendo sempre apresentar motivos claros que garantam ao usuário o direito de defesa.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.