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O brasileiro está falando menos sobre política no WhatsApp

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Pesquisa " Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens" aponta queda de 10% para 6% de pessoas que discutem política em grupos do WhatsApp, desde 2020 - Adobe Stock
Pesquisa " Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens" aponta queda de 10% para 6% de pessoas que discutem política em grupos do WhatsApp, desde 2020
Por Felipe Cavalheiro

15/12/2025 | 13h57

São Paulo, 15/12/2025 - Somente 6% dos brasileiros conversa sobre política pelo WhatsApp. São 4 pontos porcentuais a menos do que em 2020. A informação é do estudo Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, realizado pelo centro de pesquisa InternetLab e pela Rede Conhecimento Social. 
O estudo aponta também que, apesar da grande presença em grupos de família (54%), amigos (53%) e trabalho (38%); os temas políticos recuaram em todos estes grupos.  Em 2021, 34% das pessoas diziam que as mensagens políticas vinham principalmente do grupo da família. Em 2024, apenas 27%. 

Em relação aos grupos de amigos, a proporção caiu de 38% para 24%. Nos de trabalho, de 16% para 11%. Um dos grandes motivadores para este recuo, identificado na pesquisa, é a saturação de informação. Sentindo uma inundação de conteúdo, muitos participantes afirmaram evitar o assunto, a exemplo destas duas paulistanas, de 50 anos, cujos nomes não foram identificados na pesquisa: 

“Para mim, pela minha saúde mental, eu escolho as informações que quero acessar, e não deixar qualquer informação chegar até mim.”
"Acho que são muitos aplicativos, e não gosto muito disso. Gosto de concentrar meus contatos em poucos lugares. Me sinto muito cansada com a quantidade de informações e de coisas que temos que acompanhar para manter contato e informação.”
Outro motivo indicado pelos pesquisadores foi o medo de se posicionar. Mais da  meetade (56%) dos entrevistados disseram sentir medo de emitir opinião sobre política “porque o ambiente está muito agressivo”.
Os dados também mostram que 52% dos entrevistados se policiam cada dia mais sobre o que falam nos grupos, enquanto 50% evitam falar de política no grupo da família para fugir de brigas. Este sentimento levou inclusive a afastamentos, pois 29% já saíram de grupos onde não se sentiam à vontade para expressar opinião. 
Mais um comportamento encontrado foi a passividade nos grupos, onde 26% não leêm as mensagens da maioria dos grupos que participam. Um crescimento em relação aos 20% detectados em 2020. A faixa etária que menos apresentou este comportamento foi dos adultos acima dos 50 anos, com apenas 15% destes respondentes. 

Uso da Inteligência Artificial


A evolução dos Modelos de IA também impactou na percepção: 25% receberam vídeos ou imagens sobre política que com certeza foram gerados por Inteligência Artificial, enquanto 30% receberam conteúdos sobre eleições sem saber se vinham da IA. 

O contato com a IA já é rotineiro, com 50% dos respondentes usando a Inteligência Artificial do WhatsApp. O uso cai, no entanto, quando focado no público 50+, do qual apenas 36% usa a ferramenta. Independentemente do contato, a capacidade da IA Generativa de mimetizar imagens reais gera insegurança, como relatado por este paulista de 47 anos, que também não é identificado na pesquisa: 

“É difícil distinguir o que é feito, às vezes, pela inteligência artificial e o que é por uma pessoa real. Não que eu não tenha recebido alguma coisa, mas eu não percebi algo feito por inteligência artificial, porque eu acho que fica um negócio tão bem feito, que é complicado para nós identificarmos isso."
Estagiário sob supervisão de Marcia Furlan

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