Projeto cria proteção extra para idosos contra golpes bancários
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São Paulo – Os idosos poderão ganhar uma camada extra de proteção contra golpes financeiros caso um projeto em análise na Câmara dos Deputados seja aprovado. A proposta determina que bancos e outras instituições financeiras ofereçam gratuitamente um sistema de autenticação em dois fatores assistida para clientes com 60 anos ou mais.
Na prática, o cliente poderá cadastrar um familiar ou outra pessoa de confiança para confirmar determinadas operações antes que elas sejam concluídas. A adesão será opcional, e o próprio idoso decidirá quais transações exigirão essa confirmação adicional, como transferências, pagamentos ou outras movimentações financeiras.
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Como funcionará a proteção contra golpes?
O Projeto de Lei 1453/26 prevê que a pessoa de confiança receberá um pedido de confirmação antes da conclusão das operações definidas pelo cliente. A intenção é criar uma barreira extra para dificultar a ação de golpistas, principalmente nos casos em que a vítima é induzida a realizar uma transferência ou pagamento.
A proposta também busca preservar a privacidade do idoso. A pessoa indicada não terá acesso ao saldo, ao extrato nem ao histórico da conta. Sua participação ficará restrita a aprovar ou rejeitar as transações previamente selecionadas pelo cliente.
Ao justificar o projeto, o deputado Lucas Abrahao (Rede-AP), autor da proposta, afirmou à Agência Câmara que o crescimento dos serviços financeiros digitais aumentou a exposição da população a fraudes, especialmente entre os idosos.
O ambiente digital ampliou a exposição a fraudes, golpes e práticas abusivas, fenômeno que atinge com especial gravidade a pessoa idosa".
Quais os tipos de golpes mais comuns?
A iniciativa surge em meio ao aumento dos golpes virtuais contra pessoas com 60 anos ou mais.
Levantamento da Fundação Seade realizado entre julho e setembro de 2025 mostra que 82% dos idosos paulistas já foram alvo de tentativas de golpes por mensagens, e-mails ou ligações fraudulentas.
Segundo o analista de pesquisas da Fundação Seade, Irineu Barreto, a digitalização ampliou os riscos para toda a população, mas os idosos enfrentam vulnerabilidades específicas, principalmente em crimes que envolvem o uso indevido de dados pessoais.
Quando a fraude é consumada, as perdas financeiras podem ser significativas. De acordo com o levantamento, 12% das pessoas com 60 anos ou mais relataram que criminosos abriram contas bancárias ou contrataram empréstimos em seus nomes — o maior percentual entre todas as faixas etárias pesquisadas.
O Projeto de Lei 1453/26 será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado na Câmara, ainda precisará passar pelo Senado antes de seguir para sanção presidencial.
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