Brasileiro diz saber reconhecer fraude, mas 70% foram vítimas de golpes
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São Paulo - Um dado alarmante revela um descompasso preocupante no cenário digital do País: 75% dos adultos no Brasil se sentem confiantes em sua capacidade de reconhecer um golpe, mas, contraditoriamente, 70% afirmam ter sido vítimas de pelo menos uma fraude nos últimos 12 meses.
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Essa lacuna escancara uma tendência perigosa evidenciada pelo relatório "State of Scams in Brazil 2025" conduzido pela Global Anti-Scam Alliance (GASA) em parceria com a agência de pesquisa estratégica Opinium.
O levantamento faz parte de um estudo global mais amplo que entrevistou mais de 40.000 respondentes em 42 países. No Brasil, foram entrevistadas mil pessoas acima dos 18 anos.
A pesquisa aponta que a percepção de segurança do brasileiro não se traduz em proteção real, deixando a população altamente vulnerável aos ataques. Em média, cada vítima brasileira cai em 1,9 golpes.
O estudo indica que a resposta está na extrema eficácia das abordagens. Entre as vítimas, 21% confessam que foram atraídas por uma oferta irresistível, 20% relatam que o golpe era muito realista e crível, e 16% admitem ter agido rápido demais e não notaram os sinais de fraude.
Nesse contexto, os criminosos exploram a urgência e o desejo, derrubando até mesmo as defesas de quem se considera atento.
Cenário brasileiro
O assédio dos golpistas é incessante. A pesquisa mostra que 81% da população adulta já se deparou com tentativas de fraude, sendo abordada, em média, uma vez a cada um dia e meio, o que totaliza impressionantes 252 abordagens por pessoa ao ano
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As consequências financeiras e emocionais são diversas:
- Prejuízo bilionário: 38% dos brasileiros perderam dinheiro para golpistas no último ano. O prejuízo estimado atinge a cifra de R$ 99 bilhões, com uma média de perda de R$ 1.713,96 por indivíduo;
- Canais e plataformas: as abordagens se concentram em plataformas de mensagens diretas, com o WhatsApp no topo do ranking (77%), seguido por ligações telefônicas (65%), SMS (55%) e e-mails como o Gmail (43%);
- Tipo de golpe: o crime mais comum no País é o golpe de compras online – quando o consumidor paga por produtos ou serviços (incluindo assinaturas) que nunca são entregues ou que se revelam ser uma fraude – responsável por vitimar 60% das pessoas afetadas.
Evolução das táticas de golpes
O estudo aponta duas evoluções táticas fundamentais que explicam a facilidade de os golpistas enganarem a população e as instituições:
- Contas laranja: os fraudadores abandonaram o uso de identidades puramente falsas. Hoje, as chamadas contas laranjas são abertas utilizando dados reais, o que lhes permite passar ilesas pelas rigorosas verificações de Conhecimento do Cliente (KYC) dos bancos. O caráter criminoso da conta só se torna evidente quando a primeira vítima denuncia, o que significa que o sistema financeiro tem um "ponto cego". Por isso, o relatório destaca que as vítimas precisam ser vistas como aliadas; suas denúncias conjuntas são a inteligência necessária para derrubar essas redes ocultas;
- Alvos corporativos: ao migrarem suas operações para contas empresariais (CNPJ), os golpistas aproveitam o fato de que as instituições financeiras demoram mais para intervir. O medo dos bancos de bloquear erroneamente uma empresa legítima e interferir em uma disputa comercial dá aos criminosos a janela de tempo necessária para esvaziar as contas e desaparecer com o dinheiro das vítimas.
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