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Quitter’s Day: data simbólica marca desistência de metas de ano novo

Foto: Divulgação

Ao aprender com o comportamento do usuário, a IA reduz a pressão por constância absoluta - Foto: Divulgação
Ao aprender com o comportamento do usuário, a IA reduz a pressão por constância absoluta

Por Joyce Canele

redacao@viva.com.br
09/01/2026 | 15h31

São Paulo, 09/01/2026 - Quitter’s Day, segundo o Strava, é a data simbólica em que grande parte das pessoas abandona as promessas feitas na virada do ano. Analistas de dados da rede social de atletas Strava identificaram esse padrão, prevendo o dia com base em milhões de atividades registradas. 

O fenômeno, recorrente nas primeiras semanas de janeiro, ajuda a explicar por que metas ligadas a saúde, produtividade e bem-estar raramente sobrevivem ao primeiro trimestre.

Agora, a combinação entre inteligência artificial e neurociência começa a ganhar espaço como alternativa prática à lógica da força de vontade, tradicionalmente associada à mudança de comportamento.

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Levantamentos recentes indicam que o entusiasmo inicial costuma durar pouco: cerca de 80% das pessoas desistem de seus objetivos ainda nas primeiras semanas do ano, e menos de 10% conseguem manter as metas por mais de três meses.

A repetição desse padrão transformou o Quitter’s Day em um retrato simbólico da dificuldade humana de sustentar mudanças ao longo do tempo.

Especialistas apontam que muitas metas fracassam porque são construídas a partir de expectativas genéricas, pouco conectadas à rotina real.

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Fatores como carga mental, atenção e cansaço cognitivo costumam ser ignorados. Na prática, o cérebro responde mal a mudanças bruscas e à exigência de constância rígida, aumentando a frustração e favorece a desistência, especialmente em hábitos que exigem repetição diária.

Como IA pode mudar isso?

Nesse contexto, soluções baseadas em inteligência artificial e neurociência ganham espaço ao substituir a cobrança por ajustes personalizados.

A partir de dados cognitivos e comportamentais, sensores e modelos de aprendizado de máquina identificam padrões de foco, fadiga e dispersão, permitindo adaptar tarefas e estímulos ao momento mais adequado.

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Segundo o engenheiro da computação Gabriel Rodrigues, líder técnico da Autonomic, a construção de hábitos costuma falhar por desconsiderar limites individuais.

A tecnologia permite sair da lógica do tente mais e entrar na lógica do ajuste melhor, usando dados para orientar pequenas mudanças no momento certo”, afirma.

Ao aprender com o comportamento do usuário, a IA reduz a pressão por constância absoluta e ajusta o ritmo conforme o desempenho, diminuindo a sensação de fracasso.

Ao personalizar estímulos cognitivos e reorganizar tarefas de acordo com sinais reais de sobrecarga ou queda de atenção, a tecnologia contribui para decisões mais sustentáveis ao longo do tempo”, diz Rodrigues.

O avanço dessas soluções acompanha o fortalecimento da tecnologia como aliada do cuidado em saúde mental. Ainda assim, Rodrigues alerta que a IA não substitui o conhecimento clínico. A IA funciona como ferramenta de apoio aos especialistas, como:

  • Potencializando diagnósticos;
  • Acompanhamento; e
  • Ajustes finos.

O diferencial da abordagem está no foco em mudanças graduais, orientadas por dados e monitoramento contínuo.

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Rodrigues afirma que a principal mudança está na aplicação da lógica de monitoramento contínuo, comum aos sistemas tecnológicos, ao desempenho humano.

Segundo ele, quando a tecnologia consegue identificar sinais precoces de desgaste, aumenta significativamente a probabilidade de que uma meta estabelecida em dezembro seja mantida ao longo dos meses seguintes, chegando viva a março ou até ao fim do ano.

Além da IA, estratégias mentais ajudam a sustentar metas ao longo do ano

Além das soluções tecnológicas, abordagens baseadas em Programação Neurolinguística (PNL) também aparecem como alternativa para quem busca manter o foco ao longo do ano.

A PNL parte do princípio de que pensamentos, linguagem e comportamento estão diretamente conectados e que como uma meta é representada mentalmente influencia sua capacidade de se sustentar no tempo.

Segundo o especialista em PNL e neurociência Kleiton Franciscatto, a perda de foco costuma ocorrer quando o objetivo não gera envolvimento emocional suficiente ou não está estruturado claramente.

“Quando a meta não tem significado emocional para o cérebro, ela perde prioridade e é facilmente substituída por estímulos imediatos”, afirma.

Para evitar esse processo, a PNL propõe técnicas de clareza de objetivos, fracionamento de metas e gestão do estado emocional.

De acordo com Franciscatto, o treinamento da mente permite reduzir a dependência da motivação momentânea e criar constância por meio de estratégias cognitivas.

A proposta é transformar intenção em comportamento repetido, sustentando disciplina e foco mesmo diante de imprevistos e da rotina ao longo dos meses. 

Como manter o foco e cumprir metas ao longo do ano

Confira algumas dicas da Programação Neurolinguística:

1. Definir metas claras e específicas com prazos bem estabelecidos;

2. Fracionar grandes metas em etapas menores;

3. Gerenciar o estado emocional, evitando que ansiedade, estresse ou frustração comprometam a disciplina;

4. Cuidar da linguagem interna, substituindo pensamentos autossabotadores por comandos mentais alinhados às metas;

5. Alinhar objetivos aos valores pessoais; e

6. Celebrar pequenas conquistas.

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Assim, o Quitter’s Day evidencia a dificuldade recorrente de sustentar metas de Ano Novo e ocorre em um momento de expansão de ferramentas baseadas em inteligência artificial e neurociência.

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