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Smartwatch como aliado da saúde para 50+; veja como usar no dia a dia

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Smartwatches se tornam aliados da longevidade quando usados com orientação profissional - Banco de Imagens / Freepik
Smartwatches se tornam aliados da longevidade quando usados com orientação profissional
Por Bárbara Ferreira

28/02/2026 | 08h02

São Paulo, 27/02/2026 - Os smartwatches se tornaram ferramentas importantes de promoção da saúde, especialmente entre pessoas acima dos 50 anos, segundo a educadora física Talita Cezareti, titulada em gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Para ela, o relógio inteligente pode ser um grande aliado no dia a dia, desde que usado com orientação adequada.

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No campo da atividade física, o principal benefício está no monitoramento. O smartwatch ajuda o usuário a entender zonas de intensidade, controlar o volume de treino e acompanhar a regularidade da prática. “Ele contribui diretamente para a constância”, explica Talita sobre o dispositivo favorecer o automonitoramento.

Entre pessoas idosas, por exemplo, acompanhar o número de passos pode estimular mais movimento ao longo do dia e os alertas de movimento podem interromper longos períodos sentado. Isso ajuda a reduzir o comportamento sedentário, segundo a Cezareti, condição associada ao aumento do risco de mortalidade. 

A especialista relata já ter acompanhado um caso em que um paciente idoso identificou uma alteração cardíaca pelo relógio. O dado foi enviado ao médico, que orientou a ida imediata à emergência, o que interviu em um episódio de arritmia. Para Talita, o smartwatch não substitui o profissional de saúde, mas pode funcionar como ponte entre o usuário e o cuidado médico.

Quando usado com critério, ele empodera o paciente, estimula o movimento e amplia a segurança. A tecnologia, sozinha, não faz milagres, mas pode ser uma excelente aliada da longevidade ativa”, disse.

Especificações técnicas do relógio

Segundo a especialista, o relógio pode ajudar a moldar comportamentos e incentivar modificações sustentáveis no estilo de vida. Para que se torne um aliado eficiente, alguns cuidados técnicos são importantes:

  • Escolher dispositivos com validação científica;
  • Configurar corretamente dados como idade, peso e altura;
  • Utilizar o relógio sempre no mesmo braço e na posição adequada;
  • Usar por tempo suficiente ao longo das 24 horas para gerar dados consistentes.

Leia também: Smartwatches: 5 motivos para usar um relógio inteligente após os 50 anos

ECG de pulso e arritmias

Muitos modelos oferecem eletrocardiograma (ECG) de pulso e monitoramento contínuo da frequência cardíaca, prometendo detectar arritmias como a fibrilação atrial. De acordo com Cezareti, esses recursos são úteis como ferramentas de triagem, mas exigem cautela, especialmente em pessoas mais velhas.

Grande parte dos algoritmos foi desenvolvida com base em populações mais jovens, o que pode reduzir a precisão em idosos”, alerta.

Ela reforça que os dados nunca substituem avaliação médica formal. O risco de sobrediagnóstico e medicalização excessiva devem ser considerado. O ideal é utilizar as informações como complemento, compartilhando qualquer alteração com o médico que já acompanha o paciente.

Detecção de quedas

Entre as funções mais celebradas está a detecção automática de quedas. Na avaliação de Cezareti, trata-se de um dos recursos mais promissores para idosos que moram sozinhos.

O principal benefício é reduzir o tempo de imobilização após um acidente doméstico. Ao acionar contatos de emergência automaticamente, o relógio diminui o risco de complicações associadas a horas de espera no chão, melhora o prognóstico e pode até reduzir internações. 

Oxigenação e doenças respiratórias

O monitoramento da oxigenação do sangue (SpO2) pelo smartwatch ganhou popularidade durante a pandemia. Para pessoas com doenças respiratórias crônicas, o acompanhamento pode ajudar a identificar precocemente descompensações e facilitar a comunicação com o médico.

No entanto, Cezareti destaca que o diferencial é usar o relógio para incentivar variedade de movimentos, como caminhar, subir escadas, remar, e musculação, o que ajuda no controle de doenças respiratórias. “O verdadeiro benefício não é apenas vigiar a oxigenação, mas garantir uma rotina ativa, segura e variada”, afirma.

Relatórios de sono

Os relatórios de sono que dividem a noite em fases leve, profunda e REM também exigem análise cuidadosa, segundo a especialista. Os dispositivos tendem a superestimar o tempo total e a eficiência do sono, além de subestimar o tempo acordado durante a noite.

Isso pode gerar um descompasso entre o dado apresentado e a percepção do paciente. Em alguns casos, o monitoramento excessivo pode até piorar a insônia, ao aumentar a preocupação com métricas. Portanto, a recomendação é que a interpretação seja feita com orientação profissional, especialmente quando há queixas persistentes.

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