Saiba como fazer trilhas com segurança e evitar perrengues da natureza
Explore as trilhas e parques de São Paulo, integrando turismo rural e gastronomia, enquanto respeita os limites do corpo e do meio ambiente
Alessandra Taraborelli/VIVA
O turismo de natureza no Brasil, especialmente em São Paulo, cresce com a busca por atividades ao ar livre, mas a segurança e o planejamento são cruciais para evitar riscos durante as trilhas e esportes de aventura.
O Caminho da Fé, com cerca de 2 mil quilômetros e previsão de 43 mil visitantes em 2023, exemplifica a importância do mapeamento e da infraestrutura, além de destacar a necessidade de entender os próprios limites físicos dos praticantes.
A gestão de risco no turismo de aventura tem avançado com normas técnicas e certificações, sendo essencial verificar a qualificação das agências antes de contratar serviços, enquanto os parques estaduais oferecem diversas opções de trilhas e atividades integradas ao turismo local.
São Paulo - Explorar a natureza, encarar desafios físicos e buscar o bem-estar mental são tendências que não param de crescer. O Brasil oferece um cenário espetacular para isso. Somente o Estado de São Paulo abriga a maior porção preservada de Mata Atlântica do planeta e também possui mais de 300 cavernas.
No entanto, quando a atividade envolve trilhas, caminhadas de curta, média ou longo distância e esportes de aventura, a diferença entre uma viagem inesquecível e um perrengue perigoso depende do planejamento e do foco na segurança.
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Os especialistas e gestores do setor: Camilla Bassi Teixeira, da Rede Brasileira de Trilhas, Daniel Raimondo e Silva, da Fundação Florestal, Luiz Del Vigna, da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) e Ana Cristina Clemente, da Secretaria de Turismo e Viagens de SP) falaram sobre o tema Turismo da Natureza, durante a ABAV Expo 2026, nesta quarta-feira, 30. Eles reuniram orientações para quem deseja explorar o ecoturismo sem correr riscos desnecessários.
Regra dos 3 Ps
No caso de uma trilha de longo percurso, Camila ressaltou a importância de conhecer a infraestrutura do percurso. Ela cita como exemplo o Caminho da Fé, que foi todo mapeado, desde a relação de quilometragem até os serviços oferecidos por todo o percurso. Trata-se de um trajeto de 2 mil quilômetros, que passa por 76 municípios nos Estados de São Paulo e MInas Gerais, e deve receber 43 mil visitantes este ano, um crescimento de 20% a 25% de visitações únicas ante o ano passado.
Em razão desse mapeamento, hoje uma pessoa pode fazer o trajeto de forma autônoma, captando as informações no site do Rede de Trilhas, ou escolher uma das 22 operadoras credenciadas.
Para qualquer atividade ao ar livre, defendem os especialistas, entender o seu próprio limite é o primeiro passo. Na prática de caminhadas de longo curso, isto é ainda mais importante.
Outro ponto essencial é estudar a geografia do trajeto, saber se a atividade será feita a pé ou de bicicleta e testar como seu corpo responde a ritmos pesados, como caminhar de 20 km a 25 km por dia. Avaliar o nível de dificuldade do roteiro evita surpresas desagradáveis no meio do percurso.
É fundamental seguir os 3 Ps: Preparo, Planejamento e Propósito, independentemente de qual seja o objetivo. Observar a questão de segurança, oferta de serviços e infraestrutura é fundamental, e faz diferença."
Camilla Bassi Teixeira, da Rede Brasileira de Trilhas
Ela acrescenta que muitas vezes o operador não sabe o que é gestão de segurança e nem o usuário. Na prática da atividade de longo percurso tem que se considerar o risco, e essas analises precisam ser feitas tanto para quem está prestando o serviço como para quem está fazendo de forma autônoma.
Normas Técnicas
A gestão de risco no turismo de aventura brasileiro evoluiu significativamente nas últimas duas décadas, impulsionada pelo Programa Aventura Segura da Abeta. O País conta com dezenas de normas técnicas que detalham os requisitos de operação e segurança. São Paulo, por exemplo, concentra cerca de 70% das empresas certificadas no setor no Brasil.
Luiz Del Vigna orienta que, na hora de contratar uma agência ou prestador de serviço, é precido verificar se a empresa cumpre essas normas e se possui certificação em gestão de segurança. Consultar a lista de associados e credenciados no site da Abeta ou da Rede de Trilhas garante que a pessoa estará acompanhada por profissionais treinados inclusive em primeiros socorros.
Parques em São Paulo
Com mais de 157 áreas protegidas cobrindo 4 milhões de hectares, a Fundação Florestal administra 35 parques estaduais paulistas totalmente preparados para o público. São mais de 300 trilhas cadastradas, com níveis que vão do fácil ao avançado, além de atrativos como cavernas - incluindo a famosa Caverna do Diabo e, em breve, a reabertura da caverna, em Iporanga -, praias, observação de aves e cicloturismo, entre outros atrativos.
Apesar de muitos parques oferecerem sinalização e boa infraestrutura — cujas informações podem ser acessados diretamente no site do parque, a presença do condutor ou guia local é importante. Além de garantir a navegação segura pelo trajeto, o guia enriquece o passeio com conhecimentos sobre a fauna e a flora regionais.
Conexões
O turismo de natureza não acontece de forma isolada. Rotas como o Caminho da Fé e os parques estaduais conectam as trilhas com o turismo rural, a gastronomia regional e a hotelaria local. A proposta é que o visitante desfrute de uma experiência integrada, valorizando o comércio da região e descobrindo novos atrativos nas cidades do entorno.
Seja para uma caminhada autônoma ou em grupos organizados por operadoras credenciadas, o segredo para ter uma vivência transformadora está em se informar antes de sair de casa, escolher parceiros qualificados e respeitar os limites do próprio corpo e do meio ambiente.
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