83% defendem que educação esteja entre as três prioridades dos governadores
Envato
São Paulo - Um estudo encomendado por seis institutos e fundações ligados ao setor educacional mostra que a atuação dos governos na educação pode pesar nas urnas em 2026. Para 83% dos entrevistados, o tema deveria estar entre as três prioridades dos governadores nos próximos quatro anos, enquanto 71% afirmam que ações do governo na área influenciam o voto.
O levantamento, nomeado “O que a população pensa sobre a educação - 2026”, foi compilado pelo Instituto IDEIA e reúne resultados de 20 mil entrevistas telefônicas feitas em todos os Estados entre maio e julho deste ano. Dentre os entrevistados, 46% têm acima de 45 anos de idade.
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Em linhas gerais, a pesquisa mostra que 45% avaliam como ótima ou boa a qualidade das escolas públicas de seus Estados. Essa percepção, contudo, varia: Santa Catarina (60%) e Ceará (59%) registram as avaliações mais positivas. No outro extremo, São Paulo (38%), Rio de Janeiro (31%), Rio Grande do Norte (36%) e Roraima (36%) apresentam os menores percentuais de avaliação positiva.
Quando perguntados sobre a evolução recente, 49% dos brasileiros afirmam que a qualidade das escolas públicas de seus estados melhorou nos últimos quatro anos. O Nordeste apresenta a percepção mais positiva, com 56%, enquanto no Sudeste são 43%.
Entre os Estados, Alagoas (66%), Ceará (65%) e Sergipe (65%) registram as maiores proporções de pessoas que percebem melhora, enquanto São Paulo (33%), Rio de Janeiro (38%) e Distrito Federal (39%) apresentam os menores percentuais.
A qualidade da educação
Em coletiva de imprensa, representantes da Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos pela Educação, que encomendaram a pesquisa, ressaltaram como positiva especialmente a percepção dos entrevistados em relação à qualidade do ensino, com destaque para a valorização e formação dos professores.
De acordo com 17,8%, uma "escola de qualidade" pode ser definida por ter "qualidade de ensino", enquanto a ênfase em "professores motivados/de qualidade" foi dada por 13,1% das pessoas. Temas como infraestrutura e segurança foram citados por 4,2% e 2,9% dos entrevistados, respectivamente.
Já assuntos considerados mais polêmicos, como a ausência de temas ligados à política e ideologias nas escolas (citado por 1,2% dos entrevistados) e escolas cívico militares (-0,5%) também figuraram entre as respostas, ainda que em menor número. Em todos esses quesitos, a pesquisa filtrou respostas espontâneas.
Quando analisadas as prioridades para a educação nos próximos quatro anos, 53% apontam também a melhoria dos salários e das condições de trabalho dos professores e 37% a melhoria da formação.
Alfabetização e ensino técnico como prioridades
Para além das agendas relacionadas aos professores, os temas alfabetização e ensino técnico apareceram como as duas prioridades mais citadas nos próximos anos: 48% apontam a ampliação dos cursos técnicos e 47% a alfabetização das crianças até os 8 anos de idade (ao final do 2º ano do ensino fundamental).
O relatório mostra que apoio às duas agendas aparece ainda mais forte quando avaliadas individualmente. Do total, 83% defendem que a alfabetização seja prioridade dos candidatos nas próximas eleições e 80% apoiam a ampliação do ensino técnico para gerar mais oportunidades aos jovens.
Em contrapartida, apenas 25% concordam que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado, e 27% consideram que a escola pública prepara bem os jovens para o mercado de trabalho.
De acordo com o relatório da pesquisa, "os resultados sugerem que a população não apenas identifica fragilidades nessas duas agendas, mas também reconhece a necessidade de uma resposta mais efetiva dos próximos governantes".
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