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85% dos recém-formados estão trabalhando, aponta pesquisa; veja salários

Análise revela disparidades salariais entre gêneros e raças dos egressos, com homens ganhando em média R$ 1.874 a mais que mulheres

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

22/09/2026 | 14h45

Envato

Medicina, Engenharia, Negócios, Administração e Agricultura possuem maiores taxas de empregabilidade - Envato
Medicina, Engenharia, Negócios, Administração e Agricultura possuem maiores taxas de empregabilidade
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Cerca de 85,2% dos egressos da educação superior estão empregados 15 meses após a formatura, com 67,2% atuando na área de formação, refletindo um aumento significativo na taxa de empregabilidade em relação a anos anteriores.

A pesquisa, que ouviu mais de 10 mil graduados, revelou que a renda média dos egressos cresceu 81,9%, passando de R$ 3.129 para R$ 5.693, com áreas como Medicina e Engenharia apresentando as maiores taxas de empregabilidade.

As instituições de ensino estão utilizando esses dados para entender melhor o mercado de trabalho e direcionar estratégias de carreira, enquanto a diferença de renda e empregabilidade entre gêneros e raças destaca desigualdades persistentes no setor.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Cerca de 15 meses após a formatura, 85,2% dos egressos da educação superior estão trabalhando e 67,2% atuam na área em que se formaram. Entre os que informaram a renda nos dois momentos, o valor declarado é 81,9% maior do que na época da matrícula: passa de R$ 3.129 para R$ 5.693, em valores nominais.

Os dados integram o Indicador ABMES/Symplicity de Empregabilidade (IASE 2026), levantamento realizado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e pela Symplicity. Em sua quinta edição, a pesquisa ouviu 10.317 egressos de 99 instituições de educação superior de todo o País.

Taxa de empregabilidade aumentou

A taxa de empregabilidade analisada passou de 68,6%, em 2022, para 85,2%, em 2026, totalizando um avanço de 16,6 pontos porcentuais. O indicador cresceu de forma contínua até 2025, quando atingiu 85,5%, e permaneceu praticamente estável este ano.

Os resultados mostram que o diploma continua fazendo diferença concreta na trajetória profissional. Não estamos falando apenas de conseguir uma ocupação, mas de avançar na carreira, ampliar a renda e encontrar espaço para atuar na área escolhida."
Janguiê Diniz, diretor-presidente da ABMES

Áreas de maior empregabilidade 

Entre os egressos do ensino superior, o curso de Medicina é o que apresenta a maior taxa de empregabilidade entre recém-graduados. Segundo o estudo, porém, essa área possui uma dinâmica própria, o que eleva a taxa no segmento. Em seguida na lista, aparece a área de Engenharia e correlatos. Veja lista:

  • Medicina = 95,3%
  • Engenharia, Produção e Construção = 89,4%
  • Negócios e Administração = 86,0%
  • Agricultura, Silvicultura, Pesca e Veterinária = 85,6%
  • Saúde e Bem-Estar = 85,1%
  • Ciências Sociais, Comunicação e Informação = 84,5%
  • Direito = 83,9%
  • Computação e TIC = 83,2%
  • Educação = 81,7%
  • Ciências Naturais, Matemática e Estatística = 81,6%
  • Artes e Humanidades = 75,0%
  • Serviços = 72,5%

Renda média em cada área de formação

  • Medicina = R$ 11.071
  • Engenharia, Produção e Construção = R$ 6.639
  • Computação e TIC = R$ 6.226
  • Negócios e Administração = R$ 6.043
  • Agricultura, Silvicultura, Pesca e Veterinária = R$ 5.707
  • Direito = R$ 4.902
  • Ciências Sociais, Comunicação e Informação = R$ 4.761
  • Ciências Naturais, Matemática e Estatística = R$ 4.527
  • Saúde e Bem-Estar = R$ 4.398
  • Educação = R$ 4.124
  • Artes e Humanidades = R$ 4.094
  • Serviços = R$ 3.271 

Renda e empregabilidade variam por gênero e raça

Embora os dados apontem aumento da renda média após a graduação, o levantamento identifica diferenças quando os resultados são observados por gênero e raça/cor.

Entre os homens, a renda média é de R$ 6.580, entre as mulheres, é de R$ 4.706, uma diferença de R$ 1.874. A taxa de empregabilidade também varia de acordo com o gênero: 87,4% entre os homens e 84,0% entre as mulheres. 

No recorte por raça/cor, considerando os três grupos com maior presença na amostra, egressos brancos registram renda média de R$ 5.792. Entre pardos, o valor é de R$ 5.006 e, entre pretos, de R$ 4.710. As taxas de empregabilidade são de 87,4% entre os brancos, 82,6% entre os pardos e 81,3% entre os pretos.

Atuação na área de formação

Os resultados também mostram uma mudança na relação entre formação e posição de trabalho. Entre os que informaram sua situação na matrícula, 25,1% atuavam, durante a graduação, na área em que estavam se qualificando.

Concluído o curso superior, esse porcentual saltou para 67,6%. Entre os entrevistados, outros 9,4% atuam profissionalmente em outro segmento por escolha própria. A atuação na área de formação passou de 65,8% na edição anterior para 67,2% em 2026. 

Somados os profissionais que trabalham na área de formação e aqueles que escolheram seguir carreira em outro segmento, 76,6% dos participantes apresentam uma trajetória profissional alinhada à escolha de atuação.

“Esse detalhamento ajuda as instituições a compreenderem melhor os diferentes mercados profissionais, acompanhar seus resultados e direcionar ações de carreira de forma mais estratégica”, afirma Gabriel Custódio, gerente nacional da Symplicity.

Presencial e EAD atendem perfis diferentes

O formato da oferta também foi analisado pelo IASE 2026. Entre os egressos de cursos presenciais, a taxa de empregabilidade é de 86,6%. Entre os formados em cursos a distância, o porcentual é de 79,7%.

No quesito renda, porém, os resultados são próximos. Os egressos da EAD registram renda média de R$ 5.776, enquanto entre os formados em cursos presenciais o valor é de R$ 5.444, uma diferença de R$ 332.

A base analisada reúne 8.278 egressos do ensino presencial e 2.025 da educação a distância. No que diz respeito ao perfil dos participantes, 69,6% dos egressos da EAD têm mais de 30 anos, contra 26,0% no presencial. O relatório diz que os resultados "refletem o perfil dos participantes de cada formato e não estabelecem, isoladamente, uma relação de causa e efeito entre formato, empregabilidade e renda".

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