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Sobre a coluna

Embaixador do Stanford Center on Longevity, atua na interseção entre longevidade, trabalho e inclusão. Ex-executivo global na Microsoft e Apple, é também conselheiro de startups.


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Como modernizar o Ensino Superior para a vida além dos 100 Anos

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A premissa de que educação superior é para jovens em formação está se fragmentando - Envato
A premissa de que educação superior é para jovens em formação está se fragmentando

Palo Alto (California) - Por décadas, a educação superior foi uma experiência concentrada no início da vida, com duração de quatro anos e voltada quase exclusivamente a jovens adultos que ingressam no mercado de trabalho.  Hoje, essa premissa está se fragmentando sob o peso das mudanças demográficas.

A longevidade humana está remodelando carreiras, a aposentadoria e o ritmo da vida adulta. As universidades, é claro, também são impactadas."

O modelo linear tradicional é fundamentalmente desalinhado com trajetórias profissionais de 60 anos e com as múltiplas fases da vida adulta, como  transições de carreira, responsabilidades de cuidado familiar, demandas de reingresso no mercado de trabalho e mudanças pessoais que exigem novas etapas de aprendizagem.

Declínio demográfico e mudança de valor

A urgência por trás da modernização institucional decorre da convergência de duas realidades demográficas e econômicas. Nos Estados Unidos, por exemplo, as matrículas na graduação caíram 15% desde 2010, em um contexto de redução de 20% na taxa de natalidade desde 2007.

Nos próximos 15 anos, o número de estudantes que concluem o ensino médio deve diminuir em 13%. Ao cenário demográfico soma-se a queda da confiança nos diplomas universitários, provocada pelo aumento dos custos e pelas dúvidas quanto ao retorno do investimento.

Do outro lado dessa transição reside uma imensa e subaproveitada oportunidade de crescimento: milhões de adultos na meia-idade e na terceira idade buscam novas carreiras, empreendedorismo e propósito. Para as universidades, atrair esse público — responsável por US$ 8,3 trilhões da economia americana — combina impacto social e sustentabilidade financeira.


Conheça programas universitários pioneiros

Adaptar-se às expectativas de vida de um século é um imperativo para garantir a longevidade das próprias universidades."

Algumas instituições pioneiras e redes acadêmicas já estão testando modelos escaláveis que combinam aprendizagem ao longo da vida, engajamento residencial e cocriação intergeracional. Conheça alguns deles:

Programas e redes de transição para a meia-idade:

Pioneiros em iniciativas como o Stanford Distinguished Careers Institute, o Harvard Advanced Leadership Initiative, o UChicago Leadership & Society Initiative e o UT Austin Tower Fellows, esses programas oferecem experiências imersivas e estruturadas, com duração de um ano, para profissionais consolidados que buscam sua próxima etapa de impacto social.

Formada em 2020, a Nexel Collaborative reúne hoje uma aliança global de mais de 25 instituições que escalam essas estruturas focadas em propósito por meio de quatro pilares principais de design: EU (ME), Comunidade, Mundo e Impacto. Os formatos variam de programas de alto impacto e atendimento personalizado em grandes universidades de pesquisa a cursos locais e não residenciais mais acessíveis.

Comunidades de Aposentadoria Vinculadas a Universidades (UBRCs)

Com mais de 85 comunidades afiliadas a campi em todo o território norte-americano, as UBRCs redefinem o conceito de moradia na aposentadoria ao integrar idosos diretamente à vida universitária.

Seguindo modelos estabelecidos do setor baseados em cinco critérios, as UBRCs certificadas mantêm proximidade física com os campi parceiros, oferecem uma linha completa de cuidados de saúde, formalizam o acesso às estruturas universitárias e garantem que pelo menos 10% dos residentes sejam ex-alunos, professores ou funcionários.

No Mirabella at ASU, uma comunidade vertical localizada diretamente no campus de Tempe da Arizona State University, os residentes possuem cartão de identificação universitário, frequentam disciplinas acadêmicas ao lado de estudantes tradicionais de graduação, utilizam as instalações recreativas do campus e participam ativamente de programas artísticos e de pesquisa científica da universidade.

Salas de aula intergeracionais e cogeração aplicada

Com 124 institutos operando em todos os 50 estados norte-americanos, a rede Osher Lifelong Learning Institute (OLLI) atende a mais de 130.000 estudantes com 50 anos ou mais em cursos livres. Cada vez mais, as instituições estão aproveitando esse público para promover o engajamento intergeracional de forma estruturada.

Na George Mason University, alunos de graduação em marketing trabalham com membros do OLLI, que atuam como clientes reais em campanhas estratégicas semestrais. A Arizona State University promove aulas conjuntas para debater estereótipos geracionais e temas atuais, enquanto a Johns Hopkins University envolve membros do programa Osher para conduzir simulações de entrevistas e cenários de dilemas éticos com estudantes de negócios.

Desafios de design para a longevidade

Criado em 2013 pelo Stanford Center on Longevity, o Longevity Design Challenge engaja estudantes de diversas disciplinas em todo o mundo para desenvolver produtos, serviços e políticas escaláveis que otimizem a expectativa de vida saudável e apoiem transições positivas em todas as idades.

Ao alinhar as propostas anuais de design aos princípios do New Map of Life (Novo Mapa da Vida), a iniciativa prepara a próxima geração de líderes para enxergar a longevidade como um motor de inovação social, e não como um fardo.

Uma vida além dos 100 anos não é um futuro distante ou especulativo. As instituições que abraçarem com coragem a diversidade etária, a aprendizagem multigeracional e o propósito ao longo de toda a vida estarão protegidas contra as pressões demográficas."

Ao fazerem isso, restabelecerão a confiança pública e servirão como plataformas vitais e duradouras para o potencial humano em todas as fases da vida.

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