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Como funciona uma escola de samba? Conheça os profissionais envolvidos

Foto:Pixabay

A rotina envolve dezenas de profissionais, tarefas manuais, criação artística e muita organização - Foto:Pixabay
A rotina envolve dezenas de profissionais, tarefas manuais, criação artística e muita organização
Por Claudio Marques

11/02/2026 | 12h06

São Paulo, 11/02/2026 - Há poucas horas do início dos desfiles das escolas de samba de São Paulo, os preparativos seguem em ritmo acelerado nas escolas de samba de várias partes do País. Você sabe como funciona o trabalho por trás do espetáculo? A rotina envolve dezenas de profissionais de diversas especializações, incluindo tarefas manuais, criação artística e muita organização para transformar ideias em desfiles grandiosos.

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Quem são os profissionais do samba

Além dos membros que desfilam na avenida, uma escola de samba também envolve muitas pessoas trabalhando nos bastidores para produzir os figurinos, as alegorias, construtores e produção geral.

Profissionais técnicos e especializados (carnavalesco, escultores, marceneiros, serralheiros e alguns costureiros) tendem a ser contratados e pagos pela escola, enquanto outros trabalhos (como preparação de adereços) pode ser feita por membros da comunidade ou voluntários.

O "esqueleto" básico que define a agremiação, a estrutura e a composição podem variar, dependendo do tamanho da escola, do orçamento e, principalmente, da divisão (grupo) em que ela desfila.

Essas são algumas das principais divisões e profissionais envolvidos:

Criação e Direção 

Pode ser considerado o "cérebro" da escola e onde o enredo ganha forma.

Presidente: liderança máxima, responsável pela administração, estratégias, parcerias e financeiro
Carnavalesco: O diretor artístico que concebe o tema, figurinos e carros alegóricos e também pode escrever o enredo.
Diretor de Carnaval: Coordena a produção geral como cronograma, carros ensaios, logística e a harmonia entre os setores.
Enredista/Pesquisador: Responsável por aprofundar a história do tema e escrever a sinopse.

Produção

Onde as ideias se transformam em realidade física. É um trabalho pesado e artesanal.

Projetista/Engenheiro: Garante a estrutura e segurança dos carros alegóricos (que podem chegar a 15 metros de altura).
Serralheiro/Carpinteiro/Ferreiro/Soldadores/ Laminadores: Constroem o esqueleto das alegorias e dos carros.
Escultor: Modela as figuras em isopor, fibra de vidro ou argila.
Pintor de arte: Seu trabalho se dá após as esculturas de isopor ou fibra de vidro serem revestidas com papel ou tecido; ele é o responsável pelos "truques visuais" para dar vida ao enredo
Aderecista:
 O "mago" dos detalhes, que decora carros e fantasias com brilhos, penas e tecidos.
Iluminador/Eletricista: Responsável pelos efeitos de luz nos carros alegóricos.

Ateliê e Costura

Responsáveis pela produção em massa de milhares de fantasias.

Figurinista: Adapta os desenhos do carnavalesco para moldes reais.
Costureira e Alfaiate: Executam a confecção das roupas.
Bordadeira: Trabalha manualmente com pedrarias e acabamentos finos.
Sapateiro: Cria calçados específicos que aguentem o impacto do asfalto.

Setor Musical e Performance

Mestre de Bateria: O "maestro" que comanda as centenas de ritmistas.
Puxador (Intérprete): A voz principal que conduz o samba-enredo.
Compositores: Criam a letra e a melodia do samba.
Coreógrafo: Trabalha especialmente com a Comissão de Frente e os casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira.
Músicos de Cordas: Tocam violão de 7 cordas e cavaquinho no carro de som.

Gestão e Apoio

Harmonia: Profissionais que garantem o alinhamento das alas e o tempo de desfile.
Assessoria de Comunicação: Gerencia a comunicação e imagem da escola.
Segurança e Brigadista: Essenciais para a integridade física de todos os envolvidos.

Componetes do desfile

Bateria: é o coração rítmico do desfile, tocada por percursionistas
Rainha de bateria: figura de destaque que lidera a bateria na avenida (uma celebridade ou pessoa da comunidade)
Comissão de frente: grupo que abre a escola, introduz o tema ao público com performance coreografada
Mestre-sala e porta-bandeira: casal responsável por levar e apresentar a bandeira da escola 
Passistas: dançarinos principais que representam a coreografia de samba ao longo da avenida
Baianas: ala com mulheres em trajes típicos, considerada um símbolo da identidade cultural da escola
Alegorias e fantasias: equipes e artistas que produzem carros, adereços, fantasias e cenários gigantes.

A porta-bandeira e o mestre-sala têm papel central no desfile. O casal vale até cinquenta pontos e exige ensaios constantes, já que são avaliados e, assim como comissão de frente e bateria, precisam de disciplina e sintonia.

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Sistema de pontos e julgamento

As escolas são avaliadas por jurados, de acordo com critérios técnicos, visuais e artísticos. Os jurados observam a escola ao longo do desfile e o sistema costuma ter 9 a 10 categorias de pontuação,  depender da liga ou regulamento, com vários jurados por categoria. Exemplos de categorias (no Rio):

  • Samba-enredo (a música tema da escola)
  • Bateria (ritmo e execução)
  • Harmonia (sincronia entre canto e ritmo)
  • Evolução (movimento ao longo da avenida)
  • Fantasias
  • Alegorias e adereços
  • Comissão de frente
  • Mestre-sala e porta-bandeira
  • Conjunto e outros critérios visuais e técnicos

Cada jurado dá uma nota, que são somadas para determinar a posição final. Quem soma mais pontos é a campeã do Carnaval naquele ano.

Claro, existem penalizações e perda de pontos para as escolas que não cumprirem obrigações ou quebrarem regras, o que pode ser decisivo na competição. Exemplos de penalizações comuns:

  • Não cumprir o tempo mínimo ou máximo do desfile;
  • Número incorreto de participantes em uma ala;
  • Problemas com fantasias ou alegorias fora de regulamentação;
  • Comportamento inadequado de dirigentes ou componentes;
  • Fazer merchandising comercial durante o desfile (o que é proibido).

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Carnavalesco

O carnavalesco cria o enredo, as fantasias e as alegorias. Muitos têm formação em artes plásticas, teatro, dança ou artes cênicas. A profissão mudou ao longo do tempo, o que transformou um carnavalesco em um líder de equipe. Ele deve delegar tarefas aos melhores escultores, pintores e artesãos.

Para começar na área, paixão e dedicação são essenciais, já que o trabalho ocupa fins de semana e feriados. Dom artístico também é necessário, com olhar atento para estética e temas atuais.

Curso para quem quer ser carnavalesco

Existem cursos voltados à formação de carnavalescos e aderecistas.Elas unem arte, cultura popular e gestão da produção carnavalesca. 

A formação trabalha conceitos básicos do carnaval, além de ensinar planejamento, organização de equipes e execução de projetos. O conteúdo inclui história do carnaval, cultura popular, aulas práticas e noções de gestão da produção artística.

Destacam-se as formações da Universidade Zumbi dos Palmares, com cursos técnicos de 1 ano e meio, a Faculdade Censupeg, com foco em Gestão e Design, e a Escola Técnica de Carnaval (EFCP), que oferece workshops. 

(Com Guynever Maropo)

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