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Em tempos de IA, life skills são diferenciais de profissionais 50+

Em tempos de IA, 'life skills' são diferenciais de profissionais 50+; competências acumuladas ao longo da vida se tornam potencial de trabalho

Redação Viva

Por Redação Viva

17/09/2026 | 08h29

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Mediação de conflitos e leitura de contextos são exemplos de 'life skills' - Adobe Stock
Mediação de conflitos e leitura de contextos são exemplos de 'life skills'
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A especialista em trabalhabilidade, Cris Sabbag, destaca que as life skills, habilidades adquiridas ao longo da vida, são cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho, especialmente para profissionais com mais de 50 anos, que trazem experiências valiosas em um cenário de crescente automação e inteligência artificial.

Estudos indicam que habilidades integradas, como as life skills, têm menor risco de serem substituídas por automação, enquanto competências isoladas enfrentam maior obsolescência, o que torna a experiência de vida um diferencial competitivo.

Para aproveitar essas habilidades, especialistas recomendam que profissionais 50+ façam um inventário de suas competências, evitem exageros em currículos e que as empresas promovam uma cultura que valorize as soft skills, capacitando lideranças para reconhecer e integrar essas habilidades no ambiente de trabalho.

Resumo gerado por IA

São Paulo - “Não existe começar de novo aos 50”. A fala da especialista em trabalhabilidade e colunista do VIVA Cris Sabbag em primeiro momento pode assustar, mas, na verdade, representa uma boa notícia. As life skills são as habilidades aprendidas durante a vida.

Na carreira, essas habilidades podem se tornar diferenciais competitivos cada vez mais procurados, ainda mais em um cenário de avanço da inteligência artificial (IA).

Eu acredito mais em continuar a trajetória que a pessoa já vem fazendo, com novas conexões entre aquilo que já foi construído e aquilo que o mercado passou a demandar”
Cris Sabbag

Diferente das soft skills, as life skills não podem ser desenvolvidas em um treinamento de um dia para o outro. Quem tem essas habilidades mais desenvolvidas são naturalmente as pessoas que viveram mais tempo, através de erros, de acertos e das experiências vividas, explica a gerente de educação da Maturi, Marcia Tavares. "Essas competências são especialmente presentes em pessoas com mais de 50 anos, afinal, já passaram por diversos desafios e aprendizados", diz.

Essa construção em etapas foi mapeada pelo estudo “Skill dependencies uncover nested human capital”, da revista Nature Human Behaviour. A partir de uma base de 20 milhões de currículos e 70 milhões de transições de trabalho, o levantamento demonstra que habilidades avançadas sempre se apoiam em competências de vida, a exemplo da capacidade de articular ideias antes de fechar acordos ou da dedução lógica antes de programar.

Foco na IA

Embora cada vez mais empresas estejam investindo em ferramentas de IA para reduzir custos, Marcia Tavares avalia que a disseminação da tecnologia trouxe como efeito colateral “o risco de produzir soluções em massa, extremamente parecidas”. Segundo a especialista, profissionais capazes de gerenciar essas tecnologias se tornam cada vez mais desejados no mercado.

As pessoas de 50 anos ou mais têm mais repertório, então são mais capazes de verificar as entregas das inteligências artificiais e questionar pelo pensamento crítico. E aí a gente consegue também diminuir os erros”, destaca.
Marcia Tavares

Outro ponto é que como muitas tarefas operacionais estão sendo transferidas para essas ferramentas, o potencial humano de gestão, mediação de conflitos, leituras de contextos e cenários, ou seja, as life skills, deverão ser ainda mais valorizadas. “Quando a gente tem habilidades que são extremamente humanas e a gente usa essas habilidades em parceria com suporte da inteligência artificial, a gente potencializa o trabalho”, ressalta a especialista.

Essa dimensão humana diante da tecnologia é sentida na prática pela diretora do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR), Ana Paula Prevaite. Ao lidar com as angústias e a insegurança da comunidade escolar, ela relata que a estabilidade emocional e o acolhimento superam qualquer suporte técnico. “Você passa essa tranquilidade para eles que só o repertório de vida dos 50+ consegue. A IA não vai conseguir isso”, conta.

O estudo calculou ainda o risco de automação para diferentes tipos de competências e concluiu que habilidades integradas, como as life skills, possuem um risco reduzido de substituição por automação. Em contrapartida, funções focadas em competências isoladas correm maior risco de obsolescência tecnológica.

Como traduzir suas life skills em oportunidades

Diante de algoritmos de recrutamento e seleções automatizadas, profissionais 50+ precisam comunicar sua bagagem com assertividade estratégica, orientam as especialistas.

Faça o inventário de carreira

Cris Sabbag orienta que todo profissional 50+ avalie periodicamente três fatores: o que faz com excelência, o que o mercado precisa hoje e o que ainda precisa aprender para fazer essa conexão.

Reconheça a própria trajetória

Márcia Tavares destaca que o autoconhecimento é o primeiro passo para não se perder em transições de carreira: “Nós não somos a nossa profissão, somos as nossas habilidades. Um profissional de 50 anos nunca começa do zero, ele pega o repertório acumulado e aplica em novos contextos ou até em novos segmentos.”

Fuja do excesso de palavras-chave genéricas

No LinkedIn e no currículo, evite listar dezenas de atribuições abstratas. Segundo Cris Sabbag, algoritmos de triagem tendem a descartar candidatos com perfis excessivamente inflados. É mais eficiente eleger três ou quatro competências comprovadas e demonstrar como elas geram resultado financeiro e operacional concreto para as organizações.

O que as empresas precisam mudar

Apesar dos benefícios evidentes, especialistas apontam contradições na cultura corporativa. Para que as life skills saiam do discurso e cheguem à prática, Marcia Tavares diz que a mudança deve começar pela capacitação das lideranças para perceberem habilidades para além das técnicas (hard skills).

O processo passa também por desenhar processos de acolhimento inclusivos, oferecer estações de trabalho ergonomicamente adequadas e estruturar benefícios alinhados à saúde física e mental da faixa etária. “Não só para desenvolver o olhar de perceber a potência dos profissionais 50+, mas também para saber lidar com essa potência para saber como trazer esses profissionais”, enfatiza.

(Por Marya Marcondes, especial para o VIVA)

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