Profissionais 50+ voltam a estudar para dar novo impulso à carreira
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São Paulo - A busca pelo envelhecimento ativo da população não se restringe a práticas saudáveis de alimentação e modos de vida, mas também passa por requalificação educacional e mudança de rumo profissional. E o ensino a distância tem contribuído para esse quadro. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) mosttram que a presença de alunos 60+ passou de 5.107 em 2013 para 39.448 em 2023 na modalidade EaD.
O público sênior, portanto, está superando adversidades e barreiras para se dedicar ao ensino superior, como fizeram o empresário Sérgio Rodrigues Vieira, de 76 anos, o ex-jornalista João Amaral, prestes a completar 59 anos, e a costureira Eliane Misael, 51.
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Eles formam um quadro que já transparece em números. Estudo realizado pela rede de ensino virtual Vitru mostra que os estudantes na faixa etária de 50 a 59 anos representam 10% dos alunos ativos, enquanto os alunos com 60 anos ou mais são 3% do total. Ou seja, os 50+ ew 60+ representam 13% dos alunos da instituição.
O estudo da Vitru, controladora das marcas Uniasselvi e UniCesumar, ouviu 8.445 alunos ativos com margem de erro de 1,05% e também aponta que 53% deles estão na faixa etária de 30 a 49 anos, enquanto o público de 30 a 39 anos representam 29% dos ativos. Em um outro recorte, o grupo de 40 a 49 anos represente 24% dos matriculados.
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De acordo com a vice-presidente Acadêmica da Vitru, Sara Pedrini Martins, os estudantes na faixa dos 50 anos encaram a graduação como alavanca profissional e também como projeto de realização pessoal. Nessa fase, a tendência é a busca por uma segunda carreira, alinhada a verdadeiras vocações ou projetos de empreendedorismo.
Os estudantes com mais de 60 anos, por sua vez, expõem a força do aprendizado contínuo, o lifelong learning, segundo a executiva. Segundo dados do Censo da Educação Superior (INEP), a presença de alunos com mais de 60 anos na modalidade EaD cresceu mais de 670% em uma década, passando de 5.107 em 2013 para 39.448 em 2023.
Dos números para o Direito
Após uma sólida carreira em Administração de Empresas e Ciências Contábeis, Sérgio Rodrigues Vieira retornou à universidade para cursar Direito e acaba de conquistar, aos 76 anos, a graduação e a aprovação no 46º Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A decisão de iniciar uma terceira graduação após os 70 anos, em 2020, na Faculdade Anguera, em Pirassununga, exigiu dedicação, disciplina e disposição para enfrentar a rotina universitária, com aulas, provas, trabalhos e toda a exigência acadêmica de um curso de Direito.
Uma escolha movida, segundo ele, não pela necessidade, mas pelo sonho. "Sempre tive gosto pelo Direito. Comecei algumas vezes, mas tive que parar por diferentes motivos. Mas acumulei alguns créditos que foram muito úteis", conta.
Direito deveria ser a minha primeira graduação. Aos 17 anos, eu trabalhei em um escritório de advocacia. Mas na época era grande a demanda por contadores em virtude da chegada de multinacionais ao Brasil e meus professores aconselharam o curso de contabilidade."
Segundo Vieira, com a inscrição na OAB abre-se um leque de opções na área de Direito. "Há muito trabalho aí que pode ser feito."
Agressões e deslocamento exaustivo
Determinação semelhante guiou a paraibana Eliane Misael, de 51 anos, residente no Rio de Janeiro. Nascida em uma família humilde e tendo trabalhado na roça na infância – só começou a estudar aos 11 anos – , a costureira concluiu, em janeiro de 2026, a graduação em Design de Moda pela UniCesumar. A afinidade com a costura, porém, vem de longe: aos 12 anos fez o próprio uniforme.
A virada em sua vida ocorreu há nove anos, após o fim de um casamento de 23 anos marcado por agressões. Mãe de quatro filhos, voltou a estudar, fazendo o Encceja para obter o diploma do ensino médio em 2020 e, posteriormente, ingressou na faculdade.
Eu pensei: vou fazer tudo o que eu tinha vontade, o que eu não pude fazer por alguns empecilhos da vida."
Na graduação, inicialmente frequentou aulas presenciais, mas o deslocamento exaustivo entre o trabalho e a faculdade tornou a rotina insustentável. Para solucionar o problema, migrou para a modalidade de ensino à distância (EAD) na Unicesumar, uma escolha que, segundo conta, exigiu alto nível de disciplina e organização para cumprir as demandas do curso.
Misael conta que enfrentou dificuldades pontuais com ferramentas digitais, mas teve o suporte fundamental dos filhos, para superar os obstáculos. Atualmente, administra o atendimento a cerca de 30 consumidores recorrentes. No momento, dedica-se à produção de um lote de 330 itens destinados ao Rock in Rio.
Pandemia impusionou vontade de estudar
No Rio Grande do Sul, João Amaral, prestes a completar 59 anos, decidiu mudar radicalmente de rumo após mais de 20 anos dedicados à comunicação. Morador de Tapes, ele viu a manutenção de sua empresa de comunicação se inviabilizar pelo impacto econômico da pandemia e pelo tenso cenário político.
O gatilho para a transformação veio dos debates em torno da ciência. O negacionismo e as discussões sobre a vacina despertaram nele o sonho de estudar biologia. Em 2021, matriculou-se em um curso de ensino a distância em licenciatura em Ciências Biológicas pela Uniasselvi.
Esse debate sobre a vacina foi o que me deu a virada de chave. A necessidade de ir para uma sala de aula explicar quem somos nós, enquanto organismos que fazem parte de uma comunidade", destaca.
A jornada, no entanto, impôs desafios severos. Em 2023, uma catarata precoce e agressiva comprometeu drasticamente sua visão, impedindo-o de ler ou usar o computador. Apoiado por funcionários da faculdade, que liam as provas para ele, ele persistiu até conseguir realizar a cirurgia de catarata elo Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente no oitavo semestre e realizando estágios em escolas do ensino fundamental e médio, ele já planeja uma pós-graduação em sustentabilidade e educação ambiental.
"Eu vou para uma sala de aula, porque todo dia vai ser diferente, eu não quero ficar enferrujado dentro de um laboratório!", diz, explicando sua preferência por lecionar. A proposta é levar as pessoas a entenderem os processos da vida através da ciência biológica", diz, explicando porque escolheu licenciatura em vez de bacharelado.
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