Empresas ganham produtividade com inclusão do público 50+, dizem executivos
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São Paulo, 04/03/2026 - Profissionais com 50 anos ou mais formam o grupo mais fiel, estável e satisfeito no mercado de trabalho, com apenas 1% buscando novas oportunidades, conforme levantamento da Fundação Instituto de Administração (FIA).
A pesquisa, que abrangeu mais de 200 mil funcionários de 293 empresas, revelou que esses profissionais ocupam 13% dos cargos de liderança. Eles também dão notas mais altas a critérios como remuneração, autonomia, inovação e qualidade de vida no trabalho.
O alinhamento com os valores corporativos é apontado por 20% dos profissionais com 50 anos ou mais como um fator decisivo para permanecerem na empresa.
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Profissional 50+ está em uma nova fase produtiva
Marcos Ferreira, especialista em longevidade, destaca que esses dados indicam uma mudança estrutural na percepção de talento e estratégias de retenção.
O profissional 50+ combina experiência, resiliência, tem menor propensão à rotatividade e consolidou sua vivência estratégica. Em um cenário de escassez de talentos e altos custos de reposição, isso se torna uma vantagem competitiva”, afirma.
Segundo Ferreira, cofundador da Silver Hub, aceleradora de startups voltada para a economia prateada, a permanência dos profissionais no mercado se deve à estabilidade financeira e a uma relação madura com o trabalho. Esse público, explica ele, tende a buscar coerência entre carreira e projeto de vida. Propósito, valores e ambiente saudável pesam tanto quanto a remuneração. "Empresas que entendem isso conseguem formar equipes mais consistentes e produtivas”, diz
O executivo afirma que é crucial implementar práticas como gestão intergeracional, desenvolvimento contínuo e flexibilidade de carreira para integrar esse público no mercado de trabalho. Na sua opinião, o profissional 50+ não está em transição para sair do mercado, ele está em uma nova fase produtiva.
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Empresas ganham mais com a diversidade etária
Cristiane Nogueira, diretora-executiva da Punto Brasil, diz que as empresas ganham quando olham para a diversidade, incluindo a idade como um marcador importante. “Devemos parar de reduzir as pessoas a um simples número e valorizar suas contribuições. A idade não define a capacidade”, afirma.
Com mais de 25 anos de experiência no setor financeiro, Nogueira pontua que a melhor cultura corporativa é aquela que reconhece que vivemos em uma sociedade diversa e complexa. “Diferenças de opinião, formação, idade, raça, gênero e orientação sexual não são um tema lateral. São parte da realidade”, afirma.
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A executiva afirma que o valor da experiência acumulada ao longo da carreira traz competências que não são adquiridas de forma rápida, como visão sistêmica, capacidade de leitura de cenários complexos e gestão de risco mais madura.
Esses profissionais já vivenciaram ciclos econômicos, crises, transformações tecnológicas, pandemias e mudanças de mercado e isso amplia a qualidade das decisões”, explica.
Cristiane utiliza a sua própria trajetória profissional como base e ressalta a importância de se manter em constante aprendizado e que a liderança exige atualização permanente.
“Busquei formação contínua, entre cursos de graduação, MBA e especialização internacional, porque aprender sempre foi uma forma de ampliar repertório, abrir novas portas e manter relevância.”
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Para a profissional, a maturidade proporciona uma visão mais clara das prioridades na vida profissional.
Isso permite que o trabalhador direcione sua energia de maneira mais eficaz, exercendo liderança com foco.
“Empresas maduras entendem que profissionais experientes impulsionam resultados e equilibram decisões estratégicas”, disse.
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