Engenharia de IA: conheça habilidades da profissão mais cobiçada de 2026
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São Paulo - A tecnologia e a rápida evolução da inteligência artificial têm impulsionado o surgimento de novas carreiras. Uma delas, e mais recente, é a de engenheiro de IA. Ela ocupa o topo do ranking Empregos em Alta em 2026, produzido pelo Linkedin, e está sendo cada vez mais demandada pelas empresas.
A professora Ana Paula Serra, pró-reitora de Graduação do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), diz que, com mais dados disponíveis e tecnologias mais robustas, técnicas de inteligência artificial passaram a ser aplicadas de forma mais ampla e eficiente.
Nesse contexto, o mercado passou a criar nomenclaturas específicas para diferenciar funções, que há cerca de 10 anos eram exercidas mais genericamente por profissionais de ciências da computação.
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Especialização crescente
Cargos como cientista de dados, engenheiro de dados e engenheiro de IA refletem essa especialização crescente, especialmente no desenvolvimento de softwares baseados em inteligência artificial, segundo a professora.
O professor Adriano Carezzato, do curso "Dominando a IA: Ferramentas e Aplicações para Negócios", da Fundação Vanzolini, cita uma analogia comum com o início da internet, quando existia o chamado “webmaster” – profissional responsável por todas as etapas de um site, da interface ao banco de dados.
Com o tempo, essa função foi desmembrada em diversas especializações, como desenvolvedores front-end, back-end, designers de experiência do usuário e administradores de banco de dados.
O mesmo processo ocorreu no universo de dados e inteligência artificial, segundo ele. O que antes era concentrado em poucos profissionais passou a ser dividido em funções como analista de dados, cientista de dados, engenheiro de dados e engenheiro de machine learning.
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Carezzato lembra que a popularização da inteligência artificial ganhou força a partir de 2017, com avanços em pesquisas, e explodiu em 2022, com o lançamento de ferramentas de uso massivo como o ChatGPT.
Nesse cenário, o engenheiro de IA surge como um profissional voltado à aplicação prática desses modelos mais modernos — especialmente os chamados modelos generativos, capazes de produzir textos, imagens, vídeos e outros conteúdos.
Mas o que faz um engenheiro de IA?
Exercendo essa atividade em uma startup de monitoramento e segurança, o doutor em engenharia elétrica Gabriel Chaves diz que sua rotina combina desenvolvimento técnico, pesquisa aplicada e resolução de problemas complexos.
Segundo ele, a principal responsabilidade do cargo é criar e integrar sistemas inteligentes capazes de automatizar processos e gerar resultados a partir de dados.
Em vez de seguir apenas comandos pré-definidos, segundo Serra, esses sistemas utilizam técnicas como machine learning, redes neurais e processamento de linguagem natural para simular aspectos da inteligência humana.
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O engenheiro de IA, portanto, atua justamente nesse processo: desenvolve e treina modelos que aprendem com dados e são capazes de fazer previsões ou automatizar decisões.
Quanto maior a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis, mais eficiente tende a ser o desempenho desses sistemas.
O trabalho do engenheiro de IA é, essencialmente, resolver problemas. Desenvolvemos ou combinamos diferentes modelos de inteligência artificial para chegar a uma solução”, diz Chaves.
Na prática, isso envolve desde a coleta e tratamento de dados até a implementação de modelos capazes de identificar padrões — como comportamentos suspeitos em vídeos da área de segurança.
A pesquisa é parte fundamental da rotina, de acordo com Chaves. Antes de desenvolver uma solução, é necessário analisar o que já existe no mercado e na literatura científica.
“Nós pesquisamos modelos, entendemos as técnicas utilizadas e adaptamos para a nossa realidade. Não adianta só funcionar no papel, precisa ser viável e ter custo adequado”, diz Chaves, que atua como engenheiro de IA desde 2023.
Essa necessidade de adaptação constante reflete um dos principais desafios da área: a velocidade das mudanças. Com novos modelos e ferramentas surgindo frequentemente, manter-se atualizado é essencial.
“Você não pode se apegar muito a uma tecnologia, porque ela pode ficar obsoleta rapidamente”, ressalta.
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Formação e habilidades buscadas
Não há uma formação específica ou única para se tornar engenheiro de IA. Serra diz que apesar do título ‘engenheiro”, a profissão não está atrelada a uma formação específica na área de engenharia.
Chaves, porém, considera essencial que o profissional tenha base sólida em matemática, estatística e machine learning.
Além do conhecimento técnico, habilidades como capacidade de adaptação, leitura constante e pensamento crítico são indispensáveis. “Não basta usar ferramentas como uma ‘caixa preta’. É preciso entender o que está por trás delas”, afirma.
De acordo com Guilherme Odri, editor-chefe do LinkedIn News Brasil, entre as competências mais requisitadas para engenheiros de IA na plataforma estão conhecimentos em linguagens como Python, modelagem de dados e técnicas de machine learning.
No entanto, o levantamento destaca que habilidades técnicas, por si só, não são suficientes.
Empresas buscam profissionais capazes de conectar conhecimento técnico a contextos reais de negócio, segundo o Linkedin. Isso inclui pensamento analítico, capacidade de resolver problemas complexos e aplicação prática das ferramentas disponíveis.
Escassez e perspectivas
Essa combinação de competências técnicas e comportamentais reflete um desafio maior do mercado: a escassez de profissionais qualificados.
Estudo do Linkedin aponta que 84% dos recrutadores no Brasil têm dificuldade em encontrar candidatos com o perfil adequado.
Apesar de ser frequentemente associada a uma “moda”, a carreira de engenheiro de IA deve continuar em alta nos próximos anos.
Carezzato lembra que a adoção da inteligência artificial ainda está em estágios iniciais na maioria das organizações.
Esse quadro indica amplo espaço para crescimento, uma vez que as organizações tendem a integrar a IA a seus processos, buscando mais eficiência, automação e capacidade de prever problemas.
Como consequência, deve crescer a demanda por profissionais capazes de aplicar essas tecnologias de maneira estratégica.
Dados globais da plataforma indicam que, desde 2023, foram criadas mais de 1,3 milhão de vagas relacionadas à inteligência artificial no mundo. O número evidencia não apenas o crescimento da área, mas também a criação de novas funções e especializações.
No Brasil, cidades como São Paulo, Florianópolis e Recife aparecem como polos relevantes de concentração das vagas específicas para engenheiros de IA, de acordo com Odri.
As peculiaridades de cada carreira
Como a atividade de engenheiro de IA é recente, há dúvidas com relação ao que ela faz na comparação com outras profissões. Veja as especificidades de algumas delas, de acordo com Carezzato.
Engenheiro de IA - Atua na aplicação de modelos de IA em sistemas, Integra APIs de modelos (linguagem de grande escala, multimodais), cria aplicações com IA, define arquitetura (ex: RAG, agentes). Usa IA generativa e modelos prontos
É mais próximo de desenvolvedor + arquiteto, não cria modelos do zero.
Engenheiro de Machine Learning - Atua na construção de modelos, desenvolve, treina e otimiza modelos de machine learning. Atua diretamente na criação da IA
Difere porque o en engenheiro de IA consome modelos prontos, não cria.
Cientista de Dados - Faz análise e gera insights. Cria hipóteses, analisa dados, faz previsões e recomenda ações de negócio. Usa modelos (próprios ou de machine learning engeneer). Foco em negócio e análise, não em construir sistemas com IA.
Engenheiro de Dados - Atua na infraestrutura de dados. Constrói pipelines, organiza bancos e garante qualidade dos dados. Prepara dados para IA e análise.
Não trabalha com IA diretamente, mas viabiliza tudo.
Analista de Dados - Cria dashboards, relatórios e interpreta dados. Pode usar modelos prontos, É mais focado em descrever o que aconteceu, não prever ou construir IA.
Engenheiro de Prompt - Atua na interação com modelos. Escreve prompts e define contexto para melhorar respostas. Trabalha na camada de uso da IA, de forma mais superficial, sem arquitetura ou sistemas complexos.
Desenvolvedor de Software - Atua na construção de sistemas, desenvolve aplicações, APIs e interfaces. Pode ou não usar IA.
Arquiteto de Soluções - Atua na estrutura sistemas. Define a arquitetura técnica e integra sistemas. Pode incluir IA.
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