Faltam 80 dias para o Enem: Débora Aladim dá dicas de estudo na reta final
Divulgação e Adobe Stock
São Paulo - Faltando 80 dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a reta final de preparação exige foco no que tem maior chance de aparecer na prova. Para candidatos que trabalham, têm outras responsabilidades ou estão retomando os estudos depois dos 50 anos, a orientação é manter uma rotina possível e priorizar a revisão dos conteúdos mais frequentes. A recomendação é da professora de História e criadora de conteúdo educacional Débora Aladim.
Formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ela produz videoaulas há mais de dez anos. Ela falou ao VIVA sobre estratégias para os últimos meses antes do exame.
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Concentre-se nos temas mais frequentes
Para Débora Aladim, um dos erros mais comuns na reta final é tentar aprender conteúdos completamente novos. Ela explica que o candidato deve concentrar esforços nos assuntos que aparecem com frequência no Enem e resolver questões de edições anteriores.
Revise conteúdos que sempre aparecem na prova do Enem, os chamados conteúdos coringa. Em História, por exemplo, vale priorizar a revisão de História do Brasil. Em Matemática, foco em média, mediana, resolução de problemas e formas geométricas.
Refaça provas antigas
Faça provas antigas para praticar o estilo das questões. Há muitos aulões de revisão e conteúdos online que podem ser aproveitados.
"Não deixe para esse momento o aprendizado, do zero, de conteúdos mais difíceis ou que não aparecem com tanta frequência na prova", diz a professora.
Também é importante fazer simulados e resolver questões de exames anteriores. Existem vários estudos estatísticos sobre os assuntos mais frequentes na prova. A recomendação é pegar essa lista e se organizar para revisar esses conteúdos todos os dias, pelo menos um pouco.
Filtre os assuntos que mais caem nos últimos anos. Em Ciências Humanas, por exemplo, escravidão é um tema recorrente. Ditadura Militar, que aparecia com frequência, passou um período sem ser cobrada, inclusive durante a pandemia, mas voltou a aparecer. Grécia Antiga também está há algum tempo sem aparecer com tanta frequência. Pode ser que volte, porque antes era um tema muito comum.
Vale fazer esse refinamento: olhar não só para o que mais caiu historicamente, mas também para os assuntos que foram recorrentes e estão há algum tempo sem aparecer.
Organize a rotina de estudos
Mesmo que seja pouco tempo, o importante é ter constância todos os dias. Durante o deslocamento até o trabalho, por exemplo, dá para ouvir algum conteúdo. Antes de dormir, também é possível reservar um momento para isso.
Sempre que possível, dê pequenas pinceladas no conteúdo. Para pessoas ocupadas, nem sempre será possível passar duas horas sentadas estudando, e está tudo bem. O importante é estudar dentro da sua realidade e não deixar de fazer. A palavra-chave para este momento é revisão, ela reforça.
O lema é: feito é melhor do que perfeito. É melhor estudar, mesmo que pouco e dentro do seu limite, do que deixar de fazer porque você não conseguirá estudar como alguém que tem como profissão ser estudante."
Para a redação, treine uma por semana
A redação é o único momento em que a gente tem uma chance concreta de tirar mil. Ela pode fazer a diferença entre aprovação e reprovação. Por isso, vale focar em pelo menos uma redação por semana para aperfeiçoar essa parte.
Os temas da redação do Enem sempre abordam problemáticas, questões que afetam o Brasil e os brasileiros de alguma forma. Para não cair nessa tentativa incerta de prever o tema, o ideal é estudar por eixos temáticos. Por exemplo, se cair um tema relacionado à educação, o que podemos trabalhar? E se for sobre saúde, tecnologia ou meio ambiente?
Independentemente do tema, mesmo quando é difícil, se você tiver domínio da estrutura da redação, vai conseguir uma nota boa. Das cinco competências avaliadas no Enem, a maioria diz respeito à estrutura do texto. São 200 pontos, por exemplo, relacionados à escrita, como concordância e ortografia. Se você souber escrever corretamente, já garante uma competência.
A competência 4 também envolve o uso de conectivos e a construção dos mecanismos do texto. Se você escrever de acordo com as normas e tiver coesão, garante outra competência. Na proposta de intervenção, há vários elementos que podem ser treinados, como agente, ação e finalidade.
O que varia mais são as competências 2 e 3, respectivamente de compreensão da proposta e argumentação. Das cinco competências avaliadas, três dizem respeito à estrutura do texto.
Se a gente praticar a estrutura e souber escrever um texto coeso, independentemente dos argumentos utilizados, já consegue uma nota boa. Isso ajuda a diminuir o medo do tema da redação."
Estude História do Brasil
Cerca de 80% da prova de História do Enem é sobre História do Brasil. Dentro desse conteúdo, indiscutivelmente, todos os anos caem, no mínimo, duas questões sobre escravidão e história da cultura negra no Brasil. Então, é imprescindível estudar esses temas, recomenda.
História indígena também cai bastante, pelo menos uma questão. Também é muito importante estudar o Brasil República. A Proclamação da República e todo esse processo, além do Brasil Império, principalmente a questão do Segundo Reinado e o governo de Dom Pedro II, são temas importantes. A Era Vargas cai bastante, assim como a Ditadura Militar. Por isso, é muito importante revisar esses assuntos.
Controle sua ansiedade
Outro ponto destacado por Débora é sobre controle da ansiedade nessa reta final. Segundo a professora, o nervosismo é compreensível diante da importância da prova, mas, quando não é bem administrado, pode prejudicar o desempenho dos estudantes.
O nervosismo é natural, mas não pode destruir a sua performance na prova. Então, isso é algo importante de ser observado também", afirma.
É muito importante, nessa reta final, tentar se comparar menos com os outros e, se possível, diminuir o uso das redes sociais. "Elas ficam mostrando pessoas que gostam de postar: ‘Estudei oito horas por dia’, ‘Olha como as minhas notas são maravilhosas’. Muitas vezes, isso não condiz com a realidade. Esse é um problema muito comum no mundo dos cursinhos e dos pré-vestibulares, principalmente entre os alunos mais novos. Afinal, a única obrigação deles é estudar para o Enem", afirma Débora.
Então, reduza a comparação na medida do possível e se cerque da sua rede de apoio. Durma e, no tempo que estiver livre, priorize o descanso e prepare o seu corpo. O Enem não é fácil. São mais de cinco horas sentado, fazendo uma prova que exige concentração. É muito cansativo."
Recado para os candidatos 50+
Não desista justamente porque esse sonho de estudar, de fazer um curso superior, não passa. Não é porque você é mais velho do que as pessoas que estão começando agora que não deve tentar. Eu sempre falo que o Enem e o vestibular têm uma idade mínima, mas não têm idade máxima."
Se agora você consegue correr atrás dos estudos, esse é o momento certo. O momento em que você pode é o melhor para estudar, diz a professora. "Passe esse tempo correndo atrás dos seus sonhos. Isso pode trazer felicidade. Se, depois de 50 anos de vida, você ainda não desistiu do sonho de estudar, não desista agora. Vale a pena correr atrás disso."
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