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Mães desistem de vagas por falta de conciliação entre carreira e maternidade

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Cerca de 35% das mães afirmam que ser mãe reduz suas chances de avançar em etapas de processos seletivos - Envato
Cerca de 35% das mães afirmam que ser mãe reduz suas chances de avançar em etapas de processos seletivos
Por Alexandre Barreto

10/05/2026 | 11h11

São Paulo - A falta de condições para conciliar carreira e maternidade tem levado candidatas a desistirem de vagas de emprego, segundo pesquisa da Gupy, que ouviu mais de 1.300 mulheres, das quais cerca de 75% são mães.

O estudo mostra que 50% das mães já deixaram de se candidatar a oportunidades por ausência de benefícios considerados essenciais, e cerca de 35% das mães afirmam que ser mãe reduz suas chances de avançar em etapas de processos seletivos, conseguir entrevistas e receber propostas compatíveis com a experiência.

A percepção está associada a critérios pouco estruturados, que abrem espaço para vieses durante a avaliação.

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Um dos fatores decisivos é a oferta de benefícios. Entre os mais citados estão trabalho remoto, horários flexíveis, plano de saúde familiar, auxílio-creche e jornada reduzida sem corte salarial. Além das mães, 54% das mulheres entrevistadas, incluindo as que não têm filhos, dizem priorizar vagas com políticas de apoio à parentalidade.

O levantamento indica que esses itens deixaram de ser diferenciais e passaram a ser critérios relevantes na escolha de uma vaga.

Efeitos na progressão profissional

Embora 19% das mães tenham relatado impacto positivo da maternidade na carreira, 40% já recusaram promoções, vagas ou oportunidades de crescimento por dificuldade em equilibrar trabalho e cuidados com os filhos.

As respostas sobre condições para liderança mostram avaliações divididas, com concentração tanto em notas altas quanto baixas. O resultado sugere experiências distintas entre empresas e aponta diferenças entre políticas anunciadas e práticas adotadas no ambiente corporativo.

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Entre os casos citados estão profissionais que ouviram que precisariam escolher entre carreira e maternidade, além de mães que passaram a buscar apenas vagas com trabalho remoto ou que perceberam desaceleração na trajetória após terem filhos.

Para a Gupy, a adoção de processos seletivos estruturados e uso de tecnologia podem reduzir vieses e ampliar a diversidade. Dados da plataforma indicam que ferramentas voltadas à inclusão aumentam em cerca de 60% as contratações de grupos minorizados.

"O mercado ainda trata a maternidade como um risco. A profissional que aprendeu a tomar decisões sob pressão extrema, que desenvolveu empatia e capacidade de gestão em contextos onde não há manual, está sendo filtrada para fora. Mas a maternidade forma líderes. Enquanto as empresas não entenderem isso, continuarão descartando talentos formados por uma das escolas mais exigentes que existem”, comenta Luana Horchuliki, Diretora de Gente e Gestão da Gupy.

A empresa também destaca a importância de acompanhar indicadores de progressão e permanência para identificar desigualdades. O tema ganha relevância com a atualização da NR-1, que reforça a responsabilidade das empresas na prevenção de riscos psicossociais, como sobrecarga e jornadas excessivas, fatores frequentemente mencionados pelas mães.

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"A transformação exige ação em dois momentos: na seleção e na jornada de desenvolvimento. Políticas de parentalidade e lideranças preparadas para gerir com equidade são o que separa discurso de prática. As empresas que construírem isso de forma consistente vão sair na frente, especialmente em um mercado cada vez mais atento à coerência entre o que as organizações prometem e o que entregam", finaliza Luana.

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