O que faz um taquígrafo? Veja cursos, habilidades e como entrar na profissão
Adobe Stock
São Paulo - Você sabe o que faz um taquígrafo? O profissional responsável por registrar, em tempo real, discursos e falas com alta fidelidade, usando um sistema de escrita abreviada baseado em sons. Embora muitas vezes invisibilizados, o profissional está presente em órgãos públicos como câmaras, assembleias e tribunais, esse trabalho garante o registro oficial de debates e decisões, com impacto direto na transparência e na documentação pública.
Leia também: Ex-taquígrafa da Câmara dos Deputados vira escritora após aposentadoria
A atividade exige domínio da língua portuguesa, rapidez de raciocínio e prática constante. Mesmo com o avanço da tecnologia de inteligência artificial (IA), a profissão segue ativa e com demanda, principalmente por meio de concursos públicos.
O que é taquigrafia?
A taquigrafia é um sistema de escrita rápida que utiliza sinais para representar fonemas. Diferente da escrita convencional, ela é fonética, o que permite acompanhar a velocidade da fala humana.
“O taquígrafo transforma a linguagem falada na linguagem escrita. Ou seja, taquí é velocidade, grafia, escrita. A gente escreve não em letras, mas em fonemas. E por isso a gente consegue escrever rápido”, explica a ex-taquígrafa da Câmara dos Deputados, Geane Nascimento.
Esse método permite registrar entre 100 e 120 palavras por minuto, o que é essencial em ambientes como sessões legislativas e julgamentos.
“Vivemos em época de fake news e a presença do taquígrafo no plenário tem fé pública. A palavra final é a palavra do taquígrafo”, complementa a profissional.
O que faz um taquígrafo?
O taquígrafo atua principalmente no setor público, registrando discursos, debates e audiências. O trabalho envolve três etapas principais:
- Apanhamento taquigráfico durante a fala;
- Transcrição do conteúdo para o formato escrito;
- Revisão do texto final para publicação oficial.
Esses profissionais participam de sessões plenárias, comissões parlamentares e audiências públicas, garantindo que tudo o que foi dito seja documentado com precisão.
Nos tribunais, por exemplo, pode-se prender ou absorver um cidadão. Na Câmara há vários processos que são definidos a partir do registro taquigráfico”, afirma Geane.
Leia também: USP abre vagas em curso gratuito sobre ciência 60+; saiba como se inscrever
Quais cursos fazer para ser taquígrafo?
Não é obrigatório ter ensino superior específico, mas a formação técnica em taquigrafia é fundamental. O processo de aprendizagem inclui:
- Estudo de métodos da taquigrafia;
- Treinamento de sinais taquigráficos;
- Prática intensiva para ganho de velocidade.
Os cursos podem durar de 6 meses a mais de um ano, embora também existam opções mais rápidas. Além disso, é comum investir em cursos preparatórios para concursos públicos, já que a maior parte das vagas está em órgãos governamentais.
Veja opções de cursos online:
- WR Educacional oferece cursos de até 10 horas, com certificado digital e opção de versão impressa;
- CF Cursos também disponibiliza formação com certificação;
- Taquigrafia em Foco, organizado pelo professor Waldir Cury;
- Elevify conta com cursos com certificado;
- Learncafe reúne diferentes opções de capacitação;
- Além dessas plataformas, também há diversas videoaulas disponíveis no YouTube.
Leia também: Programa oferece 280 vagas gratuitas em cursos profissionalizantes para 60+
Habilidades necessárias para ser um taquígrafo
A carreira de taquígrafo segue ativa no Brasil, com oportunidades em níveis federal, estadual e municipal. Para atuar na área, algumas competências são indispensáveis:
- Domínio avançado da língua portuguesa;
- Boa digitação e revisão de textos;
- Conhecimento de temas jurídicos ou legislativos;
- Concentração e agilidade mental;
“O trabalho exige muito conhecimento da língua portuguesa, conhecimentos gerais e, no caso da Câmara, entendimento do regimento interno”, explica Geane.
Ver essa foto no Instagram
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
