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Por Bianca Bibiano
[email protected]Um levantamento realizado pela empresa de pesquisa QualiBest revelou que profissionais com mais de 50 anos apresentam maior nível de satisfação e bem-estar no ambiente de trabalho em comparação a faixas etárias mais jovens. Entre aqueles que estão empregados atualmente, 74% declararam estar felizes ou muito felizes com o emprego atual, enquanto entre os mais jovens esse percentual cai para 68%. O recorte etário da pesquisa foi realizado a pedido do Viva.
Elder Munhoz, líder de estudos qualitativos na QualiBest, avalia que a maior satisfação entre os profissionais 50+ pode estar ligada à menor exposição à volatilidade do mercado e à construção de uma carreira mais estável. "Esse grupo já atravessou diferentes ciclos profissionais e, em muitos casos, alcançou uma posição mais segura, o que reflete diretamente em um maior conforto emocional", explica.
A psicóloga especialista em gerontologia Laura Machado, membro do conselho do Centro Internacional de Longevidade no Brasil, reforça que a satisfação profissional está diretamente ligada à maturidade e à experiência acumulada.
"Aos 50 anos, a pessoa tem mais autoconhecimento e percorreu diferentes etapas da carreira. Se está trabalhando, por vezes já encontra satisfação no que faz. Já entre os mais jovens, há maior índice de insegurança e inadequação ao mercado”, explica.
Contudo, a psicóloga pondera que com a crescente expectativa de vida e dificuldade de renda entre aposentados, cada vez mais profissionais precisarão se manter ou se inserir no mercado na maturidade. Com isso, ela alerta que a discriminação por idade pode aumentar e afetar ainda mais a saúde mental desses trabalhadores, que já enfrentam dificuldades nesse sentido.
"Se o jovem sente a pressão do imediatismo, o profissional mais velho tem a angústia do futuro".
Apesar do alto nível de satisfação, a preocupação com a saúde mental no ambiente profissional ainda é marcante. O estudo apontou que 87% dos entrevistados nessa faixa etária acreditam que o mercado de trabalho contribui para o surgimento de doenças emocionais, seja em si próprios ou em colegas.
Entre os fatores apontados como mais prejudiciais à saúde mental no ambiente de trabalho, Munhoz destaca que 41% dos entrevistados mencionaram a sobrecarga de tarefas, 37% destacaram a baixa remuneração, 34% citaram a falta de empatia dos empregadores diante de problemas pessoais e 28% indicaram a falta de perspectiva de crescimento profissional.
Quando questionados sobre quais benefícios poderiam contribuir para uma melhor saúde mental, 53% dos profissionais acima de 50 anos destacaram a boa remuneração, 36% mencionaram investimentos em capacitação e especialização e 32% apontaram o apoio psicológico fornecido pela empresa. Segundo Munhoz, esse último ponto é mais frequentemente citado por trabalhadores mais jovens.
"Para profissionais maduros, a saúde mental sempre foi vista como uma responsabilidade mais pessoal. Apenas recentemente surgiu a demanda para que as empresas se envolvam ativamente nessa questão."
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