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Quer ser palestrante? Veja o que é necessário para ter sucesso na profissão

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Para ser palestrante, profissional precisa ter autoridade sobre um tema e saber como transmitir o conhecimento - Adobe Stock
Para ser palestrante, profissional precisa ter autoridade sobre um tema e saber como transmitir o conhecimento
Por Claudio Marques

16/03/2026 | 09h17

São Paulo - A ideia de se tornar um palestrante profissional entra no radar de muitas pessoas rumo à aposentadoria, que vêem na atividade uma possibilidade de transição de carreira. Mas o sucesso sob os holofotes é apenas a ponta de um iceberg composto por muito estudo, técnica, um posicionamento estratégico de mercado, presença de palco e muita preparação antes de uma apresentação.

Se há alguns anos a moda era virar "coach", hoje o desejo de ocupar os palcos corporativos parece ter tomado conta de profissionais das mais diversas áreas, segundo a avaliação da sócia da Flow Palestras, Paula Vialta. Ela ressalta que o foco deve estar na autoridade técnica e na capacidade de transmitir conhecimento com propriedade.

Leia também: Disciplina, foco e resiliência são atributos do profissional de alta performance

O que separa um entusiasta de um palestrante de alta performance vai muito além de uma boa história de superação ou de um número expressivo de seguidores nas redes sociais.

O sucesso exige 99% de preparo, e a mensagem é mais importante do que o mensageiro. E a realidade do trabalho como palestrante é bem diferente do glamour percebido”, diz.

Não existem números oficiais sobre o número de palestrantes profissionais que atuam no País, uma vez que a profissão não é regulamentada e nem possui um conselho de classe que exija registro. Mas pesquisas feitas com o uso de inteligência artificial apontam um mercado de 5 mil a 20 mil palestrantes no Brasil, considerando-se pessoas que possuem o ato de palestrar como uma atividade comercial recorrente, mesmo que não exclusiva.

Palestra como oportunidade de reivenção

Um deles é Marc Tawil, de 52 anos, palestrante profissional no Brasil e no exterior, com 700 apresentações já realizadas. Ele desmistifica a ideia de que ser palestrante é um "plano de aposentadoria fácil” para executivos em fim de carreira. 

“Saber muito sobre um assunto não significa saber repassá-lo ou ter audiência para ser contratado”, afirma ele, que também é Nº 1 LinkedIn Brasil Top Voices (desde 2016), creator e Instrutor Oficial do LinkedIn Learning com 200 mil alunos na plataforma.

Em 2020, com a pandemia, Tawil decidiu apostar tudo na sua marca pessoal, após 17 anos em grandes grupos de mídia – Globo, Estadão, Band, Jovem Pan – e mais 10 anos como empreendedor à frente de uma agência de comunicação.

Marc Tawil fazendo uma palestra aparece de pé, com o microfone na mão de direita em frente a um painel azul
Marc Tawil diz que a preparação para uma palestra consome até 20 horas - Divulgação

As palestras começaram como experimento em 2018 e 2019, mas logo se tornaram um modelo de negócio sólido. Em março de 2020, durante uma viagem à França, Tawil e sua família contraíram covid-19. O maior impacto, porém, veio na volta ao Brasil: a perda do pai para a doença, enquanto sua agência entrava em crise com a paralisação das atividades presenciais.

O ponto de virada veio em abril daquele ano, quando gravou para a escola de negócios Conquer um depoimento sobre a perda do pai e os impactos da pandemia.

O vídeo integrou um curso gratuito de inteligência emocional e alcançou cerca de 500 mil pessoas. A repercussão o levou a se dedicar definitivamente às palestras.

5 dicas para preparar palestras:

1. Trabalhar a voz

Assim como outros profissionais que buscam se tornar palestrante, Tawil recorreu à fonoaudiologia para aprimorar dicção, projeção de voz e ritmo; estudou oratória e storytelling

“A modulação da voz é essencial para manter a atenção do público. Alterar ritmo, entonação e ênfase ajuda a guiar o raciocínio do ouvinte”, diz Nelise Cardoso, fundadora da Salamarela, agência especializada em comunicação estratégica, storytelling e apresentações de impacto.

Quando a fala é monótona, a tendência é que o público se desconecte; por outro lado, quando a pessoa fala rápido demais, o cérebro do ouvinte pode ter dificuldade para acompanhar”, explica.

Tawil, por exemplo, conta que precisou aprender a desacelerar. “Quem vem do ritmo de redação e rádio tende a falar rápido demais. Aprendi a usar o silêncio como ferramenta. Sabe, uma pausa pode valer mais do que dez palavras”, conta. Ele brinca que sua maior escola foi o próprio microfone. "Você aprende a palestrar palestrando. Cada palestra é um laboratório”.

2. Linguagem corporal

Elementos da linguagem corporal, como postura, gestos e movimentação no espaço também fazem parte da comunicação – é preciso dar atenção a eles. Segundo Cardoso,movimentos repetitivos ou involuntários podem distrair o público.

A postura também influencia a percepção de credibilidade e energia transmitida pelo orador. Uma maneira de conhecer sua performance antes de chegar aos palcos é fazer apresentações teste, gravá-las em vídeo e depois assistir.

3. Conteúdo alinhado e treinado

O conhecimento e como ele será apresentado ao público é fundamental. O comunicador precisa saber exatamente o que quer transmitir e de que forma aquela mensagem pode contribuir para quem está ouvindo. "Não falo de conceitos abstratos”, declara Tawil.

“Estruturo o conteúdo, escrevo os pontos centrais, ensaio em voz alta sozinho, por vezes na frente do espelho, no banho, ou ensaio para pessoas próximas”, diz o palestrante. “Você só descobre se uma frase funciona, quando a pronuncia em voz alta e interpreta, não quando a lê”, acrescenta. 

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Para uma palestra de 60 minutos, ele diz que dedica de 15 a 20 horas de preparação,  ou seja, para elaborar, criar, treinar, revisar, alinhar e apresentar. “Esse é o custo invisível que o contratante não vê", explica.

Segundo ele, a ideia é que as pessoas saiam das palestras com algo concreto para aplicar e também empolgadas. "Elas saem tendo sentido algo, não somente aprendido”, afirma.

Ele ressalta a necessidade de pesquisar o público a fundo. Se ele for formado por  engenheiros, por exemplo, ele leva dados; se for outro perfil, ajusta o tom. E no caso de estar diante de uma plateia hostil ou desafiadora, sua arma é fazer perguntas, provocar  o diálogo e convidar a discordância para dentro da conversa. 

4. Atualização constante

Para Tawil, o segredo da longevidade no mercado de palestras é a atualização constante. Ele dá quatro conselhos para quem pensa em se tornar palestrante. 

Primeiro: Tenha algo real e transformador a ensinar. Não comece pela forma; comece pelo conteúdo. 
Segundo: Suba ao palco antes de se sentir pronto, porque você nunca vai se sentir pronto o suficiente. 
Terceiro: Estude os grandes comunicadores, mas encontre sua própria voz.
Quarto: Trate cada palestra como se fosse a mais importante da sua carreira, porque, para alguém na plateia, ela pode ser.

5. Como evitar "dar branco"

Um receio comum dos palestrantes é o “branco” – aquele momento em que se “perde o fio da meada” e parece durar uma eternidade. Quando isso ocorre, uma saída usada pelos profissionais é fazer uma pausa, como beber água, ou recorrer ao uso de cartões previamente preparados com palavras-chave sobre o tema.

Tawil diz que sua técnica para enfrentar esses momentos é simples. “Respiro, repito a última ideia com outras palavras, e sigo.

O pânico é o maior inimigo e a calma é uma escolha que a gente treina. Não significa que é fácil, mas tudo é treino”.

Quanto cobrar por uma palestra?

Paula Vialta de óculos e blusa preta, usa um pequeno colar
Paula Vialta diz que IA e saúde mental estão entre os temas mais procurados para palestra - Reprodução Instagram

Em relação aos valores cobrados eles podem começar de R$ 3 mil, para profissionais ainda construindo portfólio e presença digital, e chegar a até R$ 100 mil no caso de nomes consolidados.

“Valores acima de R$ 30 mil geralmente dependem do nível de reconhecimento e autoridade que o mercado atribui à pessoa”, diz Vilalta. 

De acordo com ela, atualmente, os temas mais procurados para palestras incluem inteligência artificial, saúde mental, empreendedorismo e marketing digital.

Os principais contratantes de palestras são o mercado corporativo, entidades de classe como Sebrae e o Sistema S, e eventos e treinamentos.

Ela chama a atenção para a necessidade de o palestrante estar presente nas redes sociais, apresentando conteúdos relevntesde suas palestras, com a exposição de uma ideia e solução, capazes de reforçar sua imagem, e não apenas vídeos com fundo musical ou fotos. Isso contribui para reforçar sua autoridade e reputação.

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