Eventos climáticos forçaram deslocamento de 24% dos brasileiros, diz estudo
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São Paulo - Um levantamento do Instituto Talanoa, realizado pela Ipsos, mostra que 24% dos brasileiros já precisaram se deslocar, ao menos temporariamente, devido a eventos climáticos extremos, como tempestades e incêndios.
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A pesquisa, feita com mil pessoas, indica ainda que 75% defendem que obras públicas incluam adaptações às mudanças climáticas, mesmo com aumento de custos. O estudo foi realizado de forma online e abrangeu entrevistados das classes A, B e C, que representam mais de 70% da população.
Segundo os dados, 70% dos entrevistados acreditam que eventos climáticos extremos estão aumentando. Além disso, 24% afirmam que esses fenômenos já impactaram diretamente suas famílias, enquanto 26% relatam efeitos em suas cidades ou regiões. Apenas 12% consideram que a mudança climática afeta mais outros países.
O levantamento também avaliou a percepção sobre a atuação do poder público. O Governo Federal foi apontado por 18% como o que mais atua em adaptação climática, seguido por respostas como nenhum desses, com 16%, e não sabe, com 15%.
As organizações da sociedade civil somam 11%, enquanto prefeituras e defesas civis municipais registram 10% cada.
"A sociedade brasileira entende que seguir padrões de adaptação nas obras públicas é investimento e proteção, não custo. O que falta para isso ser norma é vontade política, não apoio popular”, diz Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa.
A preocupação ambiental cresceu no Brasil ao longo dos últimos anos. Dados da Ipsos mostram que o tema passou de 1% em 2016 para 18% em 2026, atingindo o maior nível da série histórica.
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Entre os setores mais afetados pela crise climática, a saúde aparece em primeiro lugar, com 40% das respostas, seguida por alimentação e energia elétrica, ambas com 37%. A moradia registra 29% e mobilidade, 25%.
Além disso, a percepção de eventos varia entre as regiões do País. No Norte, 28% disseram ter sido afetados por fumaça ou incêndio, acima da taxa nacional de 15%. No Nordeste, 28% relataram doenças transmitidas por mosquitos na família ou na vizinhança, ante 23% no Brasil.
No Sul, 56% lembraram de tempestades fortes, bem acima dos 35% registrados nacionalmente. No Sudeste, 47% citaram falta de energia elétrica, frente a 42% no País.
Os dados indicam que as mudanças climáticas vêm se consolidando como uma das principais preocupações do eleitorado nas eleições deste ano. O levantamento aponta alta disposição de voto em candidatos com propostas claras: 35% afirmam que com certeza votariam em alguém com um plano objetivo sobre o tema, e 40% dizem que provavelmente votariam.
Segundo o Instituto Talanoa, a pauta climática tende a gerar mais adesão quando é apresentada em conjunto com agendas tradicionais, como emprego e renda, saúde, educação e segurança pública, que seguem centrais para ampliar a maioria eleitoral.
"A disposição a votar em candidatos com propostas de adaptação climática é elevada no conjunto do eleitorado e se intensifica entre a Geração Z, mulheres e a classe AB, indicando maior ressonância em segmentos mais escolarizados e engajados", destaca o Instituto.
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A pesquisa ainda aponta que o conceito de adaptação climática já foi ouvido falar por 81% dos brasileiros, mas ainda é pouco compreendido e apenas 13% entendem "muito bem", mas se torna mais claro para a população quando associado a medidas concretas, como obras de contenção de enchentes.
Metodologia da pesquisa
Na pesquisa do Instituto Talanoa e Ipsos sobre adaptação climática, foram 1.000 entrevistas por meio de painel online, de 19 a 29 de dezembro de 2025, com amostragem nacional representativa por gênero, faixa etária, região das classes A, B e C. Os resultados representam 65% da população brasileira. Para conferir o levantamento completo, acesse aqui.
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