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Brasil cobra recursos para envelhecimento saudável em congresso da OMS

Linkedin/3rd World Congress of Age Friendly Cities and Communities

Envelhecimento no Brasil e América Latina é mais acelerada que nas nações europeias - Linkedin/3rd World Congress of Age Friendly Cities and Communities
Envelhecimento no Brasil e América Latina é mais acelerada que nas nações europeias
Por Paula Bulka Durães

18/06/2026 | 11h02

São Paulo - O mundo está envelhecendo de forma desigual. A velocidade, o orçamento disponível e a criação de políticas para lidar com essa realidade ainda são mais desafiadores, alertou a delegação brasileira durante o 3º Congresso Mundial de Cidades e Comunidades Amigas da Pessoa Idosa, evento da Organização Mundial da Saúde (OMS) sediado em San Sebastián, na Espanha.

Com o tema "Transformando Juntos! Um Mundo Conectado, Equitativo e Sustentável", o encontro evidenciou que a adaptação estrutural das cidades é apenas uma parte da equação: sem políticas públicas financiadas e inclusão social, as legislações municipais, estaduais e federais tornam-se vazias.

A transição demográfica no Brasil e em outros países latino-americanos é mais acelerada se comparada à das nações europeias, conforme explicou ao VIVA a consultora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Cristina Hoffmann. "Temos muitos desafios, porque o processo de envelhecimento nas Américas é muito rápido e intenso."

Foi nesse contexto que a representação brasileira assumiu a condução da Plenária 4, apresentada na tarde de quarta-feira, 17, focada no fortalecimento da colaboração entre os países. O painel foi presidido pelo secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Brasil, Alexandre da Silva.

O secretário enfatizou que o envelhecimento é uma conquista social, mas exigiu um olhar para quem está à margem. "Antes de qualquer adaptação nas cidades, é necessário considerar quais direitos ainda não estão assegurados para essa pessoa idosa. Essa perspectiva exige o enfrentamento de múltiplas formas de discriminação e desigualdade", afirmou.

Silva destacou marcadores como raça, gênero, território e classe social, que caracterizam as chamadas múltiplas velhices.

Exemplo paranaense

As ações em prol do envelhecimento saudável no Brasil ganharam evidência com o pronunciamento da deputada federal Leandre Dal Ponte (PSD-PR). Ela detalhou os avanços do Paraná, que em 2025 se tornou o primeiro estado da América do Sul certificado pela OMS como "Amigo da Pessoa Idosa".

A parlamentar relatou que a iniciativa estadual instituiu fundos municipais que já receberam mais de US$ 50 milhões em investimentos nos últimos quatro anos para promover infraestrutura inclusiva à população idosa. Em uma das intervenções mais aplaudidas do painel, ela resumiu o desafio global dos marcos regulatórios.

As leis transformam direitos em garantias. Os investimentos transformam políticas em realidades, e o cuidado transforma as nossas vidas. Um direito sem investimento é apenas uma promessa."

Escuta ativa

A cooperação internacional se consolidou com a troca de experiências práticas entre representantes de diversas nações, que expuseram soluções locais para o desafio da longevidade:

  • México: a presidente do Sistema para o Desenvolvimento Integral da Família (DIF) do município de Zapopan, Michelle Greicha Frangin, apresentou os 86 clubes comunitários da cidade e defendeu que a gestão não pode ocorrer apenas nos gabinetes. "Se quisermos realmente ser uma cidade amiga da pessoa idosa, temos que sentar e ouvir os idosos. Eles são nossos olhos e ouvidos no município."
  • Espanha: a deputada de políticas sociais de Gipuzkoa, Maite Peña Lopez, relatou uma transformação local focada na inovação. Em sintonia com o Brasil, ela alertou que leis garantem direitos, mas não são suficientes sem uma estrutura de suporte real.
  • Irlanda: a gerente de programa regional da Age Friendly Ireland, Dara McGuigan, detalhou o sucesso da organização, que integra diversos governos locais do país em uma rede única de apoio.
  • Austrália: a pesquisadora na Escola de Saúde Rural de La Trobe, Kathleen Brasher, mostrou de que forma as mudanças climáticas – que geram efeitos drásticos, como grandes incêndios e inundações – impactam o envelhecimento em áreas rurais isoladas.

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