Benevides é a única cidade amazônica amiga da pessoa idosa
Paula Bulka Durães/VIVA
Belém - O município de Benevides (PA) desponta como referência de qualidade de vida e respeito à longevidade no Brasil. A cidade celebrou o marco histórico de ser a única de toda a região amazônica a receber o certificado internacional e integrar a rede mundial de comunidades e cidades amigas da pessoa idosa, da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A conquista foi celebrada na palestra da especialista em gerontologia e ex-gestora pública Sandra Regina Gomes, durante o último dia do Congresso Norte/Nordeste de Geriatria e Gerontologia (CoNNeGG 2026).
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Para Gomes, a realidade exitosa do município paraense representa um ideal a ser almejado por todo o País, em forte contraste com os retrocessos registrados em grandes metrópoles.
Esse é o desejo de todos nós, é de termos uma cidade, um espaço, uma comunidade, um bairro amigável. Amigável com a pessoa idosa, sim, e amigável desta forma a todas as pessoas."
A "Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas da Pessoa Idosa" é uma iniciativa impulsionada desde 2010 pela OMS, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O objetivo é transformar os territórios para garantir inclusão, equidade e respeito à diversidade, por meio de ações que englobam desde a adaptação de transportes e habitação até a inclusão cívica.
Aos congressistas, a pesquisadora explicou que a obtenção da certificação exige método, planejamento e, sobretudo, vontade política. O ciclo completo de adaptação e certificação leva, em média, três anos e exige as seguintes etapas:
- Compromisso formal: a autoridade local deve elaborar uma carta de adesão, em concordância com os valores e as metas da OMS;
- Comitê intersetorial: a prefeitura precisa definir um ponto focal e criar um comitê, garantindo que o trabalho integre diferentes áreas do governo e a sociedade civil;
- Escuta ativa: é obrigatório realizar um levantamento para entender onde e como vivem as pessoas idosas.
- Plano de ação: após compreender as reais necessidades por meio da escuta, o município elabora, implementa e monitora as adaptações físicas e sociais.
O idadismo paulistano
Em oposição ao avanço de Benevides, São Paulo, a maior metrópole do País, foi apresentada no congresso como um local de retrocessos. "Nós estamos com péssimos exemplos de cidades cometendo um idadismo estrutural", desabafou.
Na véspera de Natal de 2020, em plena pandemia da covid-19, a prefeitura e o governo estadual retiraram repentinamente a gratuidade do transporte coletivo para a faixa etária de 60 a 65 anos. A medida limitou o direito de ir e vir de pessoas que, na época, dependiam dos ônibus até para buscar máscaras nas unidades de saúde.
A intolerância chegou ao bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo, local em que moradores tentam expulsar, ativamente, cerca de 40 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) da região.
A justificativa para as ações de repúdio é a desvalorização imobiliária e a presença, relatada como constante, de carros funerários. Em um episódio registrado pelo jornal Folha de S.Paulo, vizinhos instalam caixas de som em volume alto, viradas para as janelas das instituições, ao som de ACDC.
A administração municipal chegou a solicitar o cancelamento do funcionamento de algumas dessas entidades. "Angustiante você perceber a postura dos moradores, dos vizinhos. Isso é idadismo e não tem explicação, não se justifica", cravou.
A cidade é um espaço vivo tecido por memórias, histórias e experiências que moldam a vida coletiva. Isso, quando é bom para a pessoa idosa, é para todas as pessoas."
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