Brasil registra 157 vítimas de feminicídio com mais de 55 anos em 2025
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
São Paulo - Em 2025, o Brasil registrou 1,56 mil casos de feminicídio. Desse total, 157 vítimas eram mulheres com mais de 55 anos. Os dados foram compilados e divulgados na última semana pela recém-lançada plataforma "Mulher Segura", do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
O levantamento reúne informações de boletins de ocorrência encaminhados pelas Secretarias de Segurança Pública das 27 unidades federativas do País, registrados entre janeiro e dezembro de 2025.
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Nessa faixa etária específica, a média de idade das mulheres assassinadas foi de 64,9 anos. Diferente do cenário geral do País, a cor e a raça dessas vítimas apresentaram um equilíbrio estatístico:
- Mulheres negras: 40,8%
- Mulheres brancas: 40,1%
Regionalmente, os Estados que concentraram a maior parte desses crimes foram São Paulo (19,7%) e Minas Gerais (13,4%). Os meses mais letais para essas mulheres foram março e outubro, com 17 feminicídios registrados em cada.
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Ameaça dentro de casa
O lar continua sendo o ambiente de maior vulnerabilidade para as mulheres mais velhas, servindo de cenário para 36,9% dos crimes. O principal meio utilizado para os assassinatos foi a arma branca ou arma imprópria.
Assim como ocorre na média geral, o companheiro é o principal agressor, em 32 casos. No entanto, entre as vítimas com mais de 55 anos é alta a incidência de assassinos dentro do próprio núcleo familiar. Logo após os companheiros, aparecem:
- Parentes: 9 casos;
- Filhos e enteados: 7 casos;
- Pai ou padrasto: 5 casos.
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O cenário geral do feminicídio
Quando o levantamento do MJSP considera todas as faixas etárias, o perfil das vítimas sofre alterações significativas. A média de idade cai para 36,8 anos e a disparidade racial se acentua de forma drástica, evidenciando a vulnerabilidade das mulheres negras.
No quadro geral das 1,56 mil vítimas em 2025:
- 51,4% eram mulheres negras;
- 29,0% eram mulheres brancas.
A violência letal praticada por parceiros é ainda mais concentrada no cenário geral: o companheiro, 418, e o ex-companheiro, 70 casos, lideram como os principais agressores.
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