‘Caso ela diga não’: AGU pede investigação da PF sobre trend misógina
Reprodução/TikTok
São Paulo – Uma trend no TikTok e em outras redes sociais tem chamado a atenção em meio às altas nos casos de feminicídio no País: o “treinando caso ela diga não”. O viral consiste em gravar um vídeo que simula a reação à resposta negativa a um pedido de casamento, com chutes, socos, facas e armas de fogo.
A atitude despertou a atenção das autoridades que, em um primeiro momento, derrubaram parte dos perfis envolvidos, alguns com milhares de seguidores. Agora, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou a abertura de inquérito à Polícia Federal (PF) para apurar a procedência e os autores dos vídeos.
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O documento, assinado pelo procurador nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), Raphael Ramos, identifica ao menos quatro perfis ligados à trend. O procurador justificou o pedido, ainda que não haja uma vítima específica apontada pelas publicações.
A vítima, nesse contexto, é a coletividade feminina, atingida em sua condição de sujeito de direitos fundamentais, sobretudo quando o conteúdo divulgado assume a forma de incitação à prática de crimes."
O pedido foi protocolado no domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e integra o Pacto Brasil entre os três Poderes para o enfrentamento do feminicídio, firmado em fevereiro de 2026.
Feminicídio recorde
Em 2025, o número de feminicídios no Brasil bateu o recorde de 1.470 casos, o que equivale a quatro mulheres assassinadas por dia, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde a tipificação do crime, em 2015, houve uma alta de 316%.
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No entanto, o número pode ser ainda mais alarmante. Dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), mostram que houve 6,9 mil vítimas de casos consumados e tentativas de feminicídio em 2025, um aumento de 34% em relação ao ano anterior.
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