Chuvas intensas de verão: de quem é a responsabilidade pela drenagem urbana?
Créditos: Paulo Pinto/Agência Brasil
Por Guynever Maropo
redacao@viva.com.brSão Paulo, 20/01/2026 - Todo ano as cidades brasileiras são atingidas por fortes chuvas que causam transtornos para a população, como ruas alagadas, trânsito parado e casas invadidas pela água. Esses problemas mostram a importância de um bom sistema de drenagem urbana, responsável por escoar a água da chuva e evitar prejuízos.
Leia também: Tempestade de verão: veja como se abrigar quando a chuva cai de surpresa
Quando a drenagem não funciona corretamente, a água não encontra caminho para seguir. Com isso, acumula nas ruas, invade residências e coloca em risco a segurança das pessoas. A situação se agrava em áreas com muito asfalto, pouco verde e bueiros entupidos.
Dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil apontam que, entre 1991 e 2023, o país registrou quase 26 mil eventos relacionados a enchentes e outros problemas causados pela água da chuva.
Nos últimos 15 anos, cerca de 74% desses casos tiveram relação direta com chuvas intensas. Nesse período, mais de 3.400 pessoas morreram, e os prejuízos passaram de R$ 151 bilhões.
Leia também: O que é um ciclone? Entenda como se forma e como se proteger
Um estudo do Instituto Trata Brasil sobre saneamento mostram que um dos principais problemas está na falta de planejamento das cidades. Muitas regiões cresceram sem estrutura adequada para receber grandes volumes de água, o que aumenta o risco de alagamentos.
Afinal, de quem é a responsabilidade pela drenagem?
No Brasil, a drenagem urbana é, em sua maioria, responsabilidade das prefeituras. Diferente do abastecimento de água e do esgoto, que muitas vezes contam com empresas estaduais ou privadas, o cuidado com a água da chuva costuma ficar diretamente com os municípios.
Levantamento nacional mostra que quase todas as cidades que informaram seus dados afirmaram que a própria administração municipal cuida da drenagem. Não há registros de cidades que entregaram esse serviço totalmente à iniciativa privada.
Leia também: Formação de ciclone extratropical deixa o Sul do País em alerta vermelho
Especialistas apontam que melhorar a drenagem exige planejamento conjunto com outras áreas do saneamento, como ruas, redes de esgoto e ocupação do solo.
Para diminuir os riscos de alagamento é necessária uma integração entre ruas e saneamentos. Dessa forma esses serviços funcionam juntos, a água da chuva escoa melhor e causa menos prejuízos a população.
Com as mudanças no clima e o aumento das chuvas fortes, investir em drenagem eficiente se tornou uma necessidade. Sem planejamento, as cidades ficam mais vulneráveis e a população sofre com enchentes e transtornos.
Leia também: Cantareira opera em nível crítico; saiba como é monitorada e o que pode ocorrer
Como funciona a drenagem urbana em São Paulo
Em São Paulo a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), é responsável pela drenagem urbana e criar ações que ajudam a controlar a água da chuva. Esse sistema coleta água, conduz para locais adequados e evita que ela se acumule nas ruas e nas casas.
Além disso, a agência também divulgou que criou um guia para orientar os municípios na organização desse serviço. O material explica que a drenagem não depende apenas de tubos e galerias. O uso de áreas verdes, pisos que absorvem a água e espaços preparados para infiltração também faz parte da solução.
Leia também: Aneel encaminha ao governo relatório detalhado sobre fiscalização na Enel-SP
O objetivo é que essas medidas reduzem a quantidade de água parada nas vias e ajudam as cidades a enfrentar chuvas mais fortes. A Arsesp atua como apoio técnico para que os municípios melhorem o planejamento, a manutenção e o funcionamento da drenagem urbana em todo o estado de São Paulo. Para fazer uma denúncia ou solicitar fiscalização, é possível acessar a Arsesp por diferentes canais, como telefone, e-mail ou no próprio site. Confira.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
