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Eleições 2026: público 60+ é o mais vulnerável a deepfakes, aponta estudo

Paulo Pinto/Agencia Brasil

Levantamento do Projeto Brief aponta que idosos são mais vulneráveis a vídeos políticos feitos por IA - Paulo Pinto/Agencia Brasil
Levantamento do Projeto Brief aponta que idosos são mais vulneráveis a vídeos políticos feitos por IA
Por Alexandre Barreto

29/05/2026 | 13h15

São Paulo - Idosos são mais vulneráveis a vídeos políticos feitos por IA, aponta novo levantamento do Projeto Brief. Segundo o estudo, 47% das pessoas com 61 anos ou mais acreditaram que um vídeo político criado por inteligência artificial era verdadeiro.

O Projeto Brief tem como principal objetivo compartilhar inteligência em comunicação, monitorar o ecossistema digital e democratizar o acesso a pesquisas avançadas em psicologia social e comunicação.

A pesquisa, que tem foco em mostrar como o avanço da tecnologia nas eleições já afeta o consumo de informação política brasileira, revela um recorte geracional importante sobre a capacidade de identificar conteúdos sintéticos.

Entre jovens de 18 a 29 anos, 58,2% reconheceram corretamente um vídeo manipulado por inteligência artificial. Já entre pessoas acima de 61 anos, esse índice cai para apenas 20,9%.

O levantamento aponta que idosos estão mais expostos à desinformação envolvendo deepfakes, vozes clonadas e imagens falsas de figuras públicas. O risco aumenta quando o conteúdo circula em ambientes de confiança, como grupos de família no WhatsApp.

Deepfakes políticos crescem

Nos últimos anos, ferramentas de IA deixaram de ser restritas ao setor de tecnologia e passaram a fazer parte do cotidiano dos brasileiros. Hoje, aplicativos conseguem criar vídeos falsos realistas em poucos minutos, simulando falas e imagens de políticos.

Além da circulação de conteúdos manipulados, a IA também passou a influenciar a busca por informação política.

Em vez de pesquisar notícias em sites ou veículos jornalísticos, parte dos eleitores consulta diretamente assistentes virtuais e plataformas automatizadas.

O problema, segundo o estudo, é que essas respostas podem apresentar erros, informações desatualizadas ou falta de contexto, mesmo quando aparentam neutralidade.

Esse é um risco já presente no cotidiano, em cada vídeo que o eleitor não sabe se é real, em cada resposta de assistente que parece neutra mas não é. O efeito acumulado é a perda da confiança de que estamos todos olhando para o mesmo País", diz a pesquisa.

IA para pesquisar candidatos

O levantamento indica que a inteligência artificial já ocupa espaço relevante na formação de opinião política. Afinal, 62,9% dos entrevistados consideram consultar ferramentas de IA para obter informações sobre candidatos nas eleições.

Além disso, 43,7% usam IA para buscar notícias e informações e 38,1% recorrem à tecnologia para verificar se algo é verdadeiro. A inteligência artificial chegou à política mais rápido do que a sociedade conseguiu se preparar e, em 2026, parte do que decidirá o voto vai depender de como a IA mostrará a realidade para cada pessoa", escreveu o estudo.

A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres sobre o controle da inteligência artificial. Entre as mulheres, 73,6% defendem a regulação da IA. Entre os homens, o índice é de 64,7%.

Quase metade dos participantes, 49,3%, defende avisos e selos obrigatórios para identificar conteúdos criados por IA. Apenas 6,7% disseram que esses vídeos deveriam circular sem qualquer sinalização.

A pesquisa do Projeto Brief ouviu 2.483 pessoas de todo o País.

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