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Fila do INSS atinge novo recorde com quase 3 milhões de pedidos em espera

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O contingente de cidadãos que aguardam atendimento aumentou 49% no comparativo anual - Marcelo Camargo/Agência Brasil
O contingente de cidadãos que aguardam atendimento aumentou 49% no comparativo anual
Por Paula Bulka Durães

14/01/2026 | 11h44

São Paulo, 14/01/2025 – A fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu um novo recorde, com 2,95 milhões de pessoas em espera até novembro de 2025.

O contingente de cidadãos que aguardam atendimento aumentou 49% no comparativo anual — em novembro de 2024 havia 1,98 milhão de requerimentos parados.

Leia também: Fraude no INSS: prazo para contestar descontos está acabando

Apesar desse volume, o INSS detém a governabilidade exclusiva de 1,25 milhão de pedidos, o que representa 42% do total. No entanto, o instituto aponta que apenas 98 mil processos estão disponíveis para análise imediata, cerca de 8% desse universo.

As demais solicitações estão distribuídas entre a Perícia Médica Federal (PMF), com 32% dos requerimentos; 13% em ações conjuntas do INSS com a perícia; e outros 12% de pendências dos próprios segurados.

Se considerados todos os serviços — manutenção, recursos, revisões e processos judiciais — o estoque sobe para 7,62 milhões de requerimentos acumulados.

O tempo médio de espera chegou a 45 dias para 46% dos processos parados na primeira fase de análise, enquanto 10% superaram 180 dias. O Nordeste concentra o maior estoque do País, com mais de 1 milhão de pedidos à espera.

Qual área é responsável pelo acúmulo na fila?

O relatório aponta a persistência da fila do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que somava 933 mil requerimentos até novembro do ano passado.

Desse total, 79% estão temporariamente suspensos ou paralisados pela Dataprev, para a implementação do novo cálculo de renda familiar; apenas 11% da fila está disponível para análise direta do INSS. Outros 69 mil processos do BPC aguardam apenas a biometria para avançar.

Os benefícios por incapacidade somavam 1,32 milhão de pedidos parados, mas somente um quarto está sob governabilidade do INSS. A maioria dos requerimentos permanece sob responsabilidade da PMF.

O que o INSS fará para conter o aumento?

O INSS, presidido por Gilberto Waller Júnior, publicou no Diário Oficial da União (DOU) de terça-feira, 13, uma portaria que retoma e revisa o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), suspenso em setembro do ano passado por falta de orçamento, e restabelece o pagamento extraordinário a servidores públicos.

O PGB prevê reduzir a fila do INSS com medidas como o pagamento extra de R$ 68 a servidores do INSS e de R$ 75 a funcionários da PMF por processo concluído. O programa também amplia os horários de atendimento e prioriza casos parados há mais de 45 dias.

A prioridade inicial, de caráter temporário, será a reavaliação de benefícios assistenciais e as avaliações sociais. O segundo foco ficará com a primeira fase da análise de novos pedidos.

De acordo com o documento, serão criadas filas nacionais extraordinárias, que centralizam o combate ao estoque, extinguindo as filas extraordinárias regionais e instituindo filas únicas para os seguintes benefícios:

  • Salário-maternidade urbano;
  • Aposentadoria por idade urbana;
  • Benefícios por incapacidade (pré e pós-perícia);
  • Reavaliação de renda do BPC.

Para o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, as mudanças garantirão maior agilidade. “Transformamos a fila que era regional em fila nacional, possibilitando assim uma maior igualdade, um maior número de pessoas atuando naqueles casos em que a fila é maior", defende.

Para não sobrecarregar os servidores e garantir foco, foram impostos limites diários para as tarefas extras, que geram pagamentos a cada processo concluído por funcionários do INSS e da PMF.

Agora, servidores com mais de 15 tarefas pendentes em seu acervo individual ficam proibidos de acessar novos processos das filas extraordinárias até que limpem seu estoque pessoal.

A retomada do programa ainda determina que as assistentes sociais atuem exclusivamente nas avaliações sociais.

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