Goleiro Bruno solto: veja qual foi condenação total e quanto tempo ele realmente ficou recluso
Wikimedia Commons
Por Larissa Crippa
redacao@viva.com.brSão Paulo, 08/01/2026 - Em 2013, o atleta conhecido como “goleiro Bruno” foi condenado por assassinar, esquartejar e ocultar o corpo de Eliza Samúdio, com quem mantinha um envolvimento amoroso. Samúdio, amante de Bruno, deu à luz a um filho do casal na propriedade do goleiro em 2010 e nunca mais foi vista.
Apesar da condenação por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, sentenciada com 22 anos e três meses de prisão, Bruno recebeu o primeiro habeas corpus em fevereiro de 2017.
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Dois meses depois ele voltou à prisão após decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, onde permaneceu apenas até julho de 2019, quando obteve o direito à progressão ao regime semiaberto. Desde janeiro de 2023 Bruno está em liberdade condicional, atuando em times menores, atualmente no Capixaba Sport Club.
A punição do crime rendeu, efetivamente, apenas 9 anos de consequências. Não muito mais do que um terço da idade que Eliza tinha quando foi morta, aos 25 anos. E o caso não é exceção no País.
Por que presos por crimes hediondos cumprem menos tempo mesmo com penas longas?
No Brasil, não há uma permanência média fixa para condenações superiores a 20 anos. A legislação permite a progressão de regime após o cumprimento de frações da pena, que variam conforme o tipo de crime e o perfil do condenado. Mesmo em crimes hediondos, o acesso ao semiaberto pode ocorrer após o cumprimento de parte da condenação, desde que atendidos os requisitos legais.
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Este cenário preocupa porque dados do Governo Federal indicam que a violência segue em alta no País, principalmente a de gênero, como no caso de Eliza.
De acordo com o Observatório da Mulher Contra a Violência, vinculado ao Senado Federal, 718 feminicídios foram registrados em todo o país entre janeiro e junho de 2025 — uma média de cerca de 4 mulheres mortas por dia por razões de gênero.
Foram contabilizados 33.999 estupros contra mulheres no mesmo período, o que dá uma média de aproximadamente 187 casos por dia. Ambos os crimes estão enquadrados como hediondos ou equiparados.
No sistema prisional, aproximadamente quatro em cada dez pessoas privadas de liberdade no Brasil cumprem pena por esse tipo de crime.
Lei contra feminicídio
Uma lei sancionada pelo presidente Lula em 9 de outubro de 2024 pode mudar um pouco este cenário. A Lei 14.994/2024 (conhecida como Pacote Anti feminicídio) trouxe o endurecimento penal mais significativo das últimas décadas para crimes contra a mulher.
A principal mudança é que o feminicídio deixou de ser apenas um "tipo" de homicídio qualificado para se tornar um crime autônomo (Art. 121-A do Código Penal), com a maior pena máxima do Brasil: o tempo de reclusão, que era de 12 a 30 anos, subiu para 20 a 40 anos.
Além de aumentar o tempo de cadeia, a nova legislação torna a saída da prisão muito mais difícil, exigindo que o condenado cumpra pelo menos 55% da pena para ter direito à progressão de regime (antes era 50%), proíbe a liberdade condicional e veda visitas íntimas, garantindo que o criminoso permaneça efetivamente em regime fechado por um período muito superior ao que ocorria anteriormente.
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Como combater o feminicídio?
Como explicam especialistas do Conselho Nacional do Ministério Público, "combater a violência contra a mulher exige mais que leis: é preciso estrutura, escuta e articulação". Lutar contra o feminicídio exige que a população cobre do Estado não apenas punições severas, mas uma rede de proteção integrada e humanizada, com atendimento acolhedor, ampliação de casas-abrigo e uma articulação entre polícia, prefeituras e judiciário. A maioria das vítimas morre sem nem chegar a ver as devidas medidas protetivas.
Além das cobranças governamentais, o artigo reforça que a luta contra o feminicídio depende de uma mudança na escuta e no acolhimento social. A sociedade deve estar atenta aos sinais precoces de abuso no ambiente doméstico, visando romper o ciclo de violência. O canal oficial Ligue 180 é uma central para registro de denúncias e orientação às vítimas, de forma gratuita e sigilosa.
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