Intolerância religiosa segue recorrente no País; 50+ são 14% das vítimas
Fernando Frazão/Agência Brasil
22/01/2026 | 10h48
São Paulo, 22/01/2026 – A intolerância religiosa manteve-se, em 2025, como violação recorrente no Brasil, sem grandes variações. No ano passado, foram registradas 2,7 mil denúncias no Disque 100, 12,5% a mais que em 2024, quando o País teve 2,4 mil casos de violência contra crença ou religião.
As violações foram ainda mais expressivas, chegando a 4,4 mil ocorrências em 2025 – o que sugere que uma mesma pessoa possa ter sofrido mais de um tipo de violência na mesma situação. Em janeiro de 2026 já foram registradas 51 denúncias até o momento.
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Neste cenário, as pessoas com mais de 50 anos representaram 14,4% das vítimas de intolerância religiosa no ano passado, com 392 denúncias e 565 violações.
De acordo com dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), as tradições de matriz africana concentraram o maior número de denúncias entre janeiro de 2025 e janeiro deste ano, nos casos em que foi declarada a religião da vítima.
Os Estados com maior quantidade de denúncias foram São Paulo (663), Rio de Janeiro (435) e Minas Gerais (321). O pico de ocorrências ocorreu em setembro, com 273 casos.
Como resposta aos números, o MDHC lançou, na quarta-feira, 21, data em que se comemora o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, um guia de combate à discriminação racial e à intolerância religiosa voltado aos povos de matriz africana no País.
Quais foram as religiões mais atingidas?
A umbanda registrou 228 ocorrências de janeiro de 2025 a janeiro de 2026, seguida pelo candomblé (161) e por registros classificados como umbanda e candomblé. A religião evangélica veio em seguida, com 72 denúncias.
O levantamento “Respeite Meu Terreiro”, do MDHC em parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), mapeou casos de intolerância religiosa contra religiões de matriz africana em 255 terreiros de todas as regiões do País.
A pesquisa aponta que 76% dos terreiros afirmaram já ter sofrido algum tipo de racismo religioso, e 80% relataram que membros de suas comunidades foram vítimas diretas dessas violências.
O racismo religioso – discriminação marcada pelo preconceito racial e religioso – manifestou-se nesses terreiros, sobretudo, por meio de agressões verbais (14%), xingamentos (8%) e agressões físicas (3%).
Como denunciar no Disque 100?
O Disque 100 é o canal de denúncias da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH). O atendimento funciona 24 horas por dia, de forma gratuita, incluindo sábados, domingos e feriados, e permite o registro de denúncias, anônimas ou não, relacionadas a violações de direitos humanos.
A vítima não precisa estar ciente da denúncia; qualquer pessoa pode comunicá-la de duas maneiras:
- Ligando para o número 100;
- Enviando mensagem pelo WhatsApp (61) 99611-010.
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