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Lula se posiciona sobre crise no STF e defende apuração 'doa a quem doer'

Lula se posiciona sobre crise no STF e defende apuração 'doa a quem doer'; Alexandre de Moraes aponta abuso de autoridade por parte de Medonça

Broadcast

Por Broadcast

04/09/2026 | 08h00

Carlos Moura/SCO/STF

Crise no STF foi deflagrada após Mendonça avançar em uma investigação sobre Moraes - Carlos Moura/SCO/STF
Crise no STF foi deflagrada após Mendonça avançar em uma investigação sobre Moraes
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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou o silêncio e se posicionou sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) deflagrada após o ministro André Mendonça avançar em uma investigação sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Lula defendeu uma reforma do Judiciário e declarou que todos devem ser investigados, sem blindagem, e “doa a quem doer”.

“Fica claro que o nosso sistema político e Judiciário precisa de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, declarou o presidente.

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No vídeo, gravado no Palácio do Planalto, Lula classifica o escândalo do Master como “maior roubo da história do Brasil” e disse que Vorcaro possui relações com “gente muito poderosa”. Na tentativa de se afastar da crise, o presidente disse que foi no governo dele em que o banqueiro foi preso e teve o seu banco liquidado.

Lula também criticou o que chamou de vazamentos seletivos e disse que espera do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que liderem a investigação de forma que a integridade das instituições democráticas sejam preservadas.

“Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem o processo garantindo a integridade e a confiança nas investigações”, disse Lula.

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O Estadão revelou que Moraes editou uma versão do contrato de R$ 131 milhões para o escritório advocatício da mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, prestar serviços para o Banco Master.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostraram também que Vorcaro procurava Moraes para tentar reverter a sua situação jurídica antes de ser preso, em novembro do ano passado. O banqueiro perguntava se poderia conseguir ajuda do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.

O banqueiro liberou ainda cartões de crédito com limites de R$ 300 mil para os dois filhos do ministro. A emissão foi solicitada pelo escritório da mulher do ministro do STF. Outros diálogos também mostram que Vorcaro fez um contrato para Viviane se tornar sócia de aeronaves dele.

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Nesta terça-feira, 1º, Mendonça retirou o sigilo e tornou públicos os detalhes da investigação da PF sobre a relação entre Vorcaro e Moraes.

Guerra entre ministros

Como resposta, nesta quinta-feira, Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news. O ministro também encaminhou a Fachin um despacho com "indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade" pelo ministro André Mendonça na condução dos inquéritos sobre o Banco Master e fraude no INSS.

Na decisão proferida no inquérito das fake news, Moraes apontou quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos, incluindo o direcionamento das investigações para o próprio Moraes e para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), "por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal".

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Moraes também acusou Mendonça de interferir na direção das investigações das autoridades policiais e conduzir irregularmente as tratativas de eventual colaboração premiada. A decisão foi encaminhada a Fachin para que ele tome as "providências que entender necessárias".

(Por Gabriel de Sousa e Lavínia Kaucz)

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